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10/03/2015

6. 

MONISMO

 

Parto da periferia e vou para o interior.


Aproximemo-nos ainda mais da questão a ser desenvolvida. Eram indispensáveis essas premissas para vos conduzir até aqui. Observai meu modo de proceder ao expor meu pensamento. Avanço seguindo uma espiral que gradualmente aperta suas volutas concêntricas e, se passo de novo pela mesma ordem de ideias, toco o raio que parte do centro num ponto cada vez mais próximo dele. Guio vosso pensamento para esse centro. Nesta exposição parto da periferia e vou para o interior; da matéria, que é a realidade de vossos sentidos, para o espírito, que contém uma realidade mais verdadeira e mais elevada; vou da superfície ao âmago, da multiplicidade fenomênica ao Princípio único que a rege.

 







Por isso denominei este tratado de A Grande Síntese. Estou no outro polo do ser, no extremo oposto àquele em que estais; vós, seres racionais, sois análise; eu, intuitivo (contemplação, visão), sou síntese. Mas desço agora à vossa psicologia racional de análise, tomo-a como ponto de partida, a fim de levar-vos à síntese como ponto de chegada. Parto da forma para explicar-vos o impulso obscuro e palpitante, o motor que a anima, tenazmente aprofundando o mistério. 

Penetro, sintetizo e aperto num monismo absoluto, os imensos pormenores do mundo fenomênico, incomensuravelmente vasto, se o multiplicais pelo infinito do tempo e do espaço; canalizo a multiplicidade dos efeitos — dos quais a ciência com imenso esforço vislumbrou algumas leis — nos caminhos convergentes que conduzem ao Princípio Único. Farei desse mundo que pode parecer caótico a vossas mentes, um organismo completo e perfeito. A complexidade que vos desanima será reconduzida e reduzida a um conceito central, único e simples, a uma lei única que dirige tudo.

A isto podeis chamar de monismo. Atentai mais aos conceitos que às palavras. Por vezes a ciência acreditou ter descoberto e criado um conceito novo, só porque inventou uma palavra. E o conceito é este:  


como do politeísmo passastes ao monoteísmo, isto é, à fé num só Deus (mas sempre antropomórfico, pois realiza uma criação fora de si), agora passais ao monismo, isto é, ao conceito de um Deus que É a criação. 

Lede mais, antes de julgar. Farei que lampeje em vossas mentes um Deus ainda maior que tudo o que pudesteis conceber. Do politeísmo, ao monoteísmo e ao monismo, dilata-se vossa concepção de Divindade. Este tratado, pois, é o hino de Sua glória. Sinto já esta síntese suprema num lampejo de luz e de alegria. Quero conduzir-vos, a vós também, a essa meta, por meio de estudo do funcionamento orgânico do Universo.


Politeísmo

Este Tratado vos aparecerá assim como uma progressão de conceitos, uma ascensão contínua por aproximações graduais e sucessivas. Poderá também parecer-vos uma viagem do espírito; é verdadeiramente a grande viagem da alma que regressa ao seu Princípio; da criatura que regressa a Seu Criador. Cada novo horizonte, que a razão e a ciência vos mostraram, era apenas uma janela aberta para um horizonte ainda mais longínquo, sem jamais atingir o fim; Eu, porém, indicar-vos-ei o último termo, que está no fundo de vós mesmos, onde a alma repousa. Subiremos das ramificações dos últimos efeitos, progredindo da periferia para o centro, ao tronco da Causa Primeira que se multiplicou nesses efeitos.

A realidade, em vosso mundo, está fracionada por barreiras de espaço e de tempo; a unidade aparece como que pulverizada no particular; vemos o infinito fragmentar-se, dividir-se, corromper-se no finito, o eterno no caduco, o absoluto no relativo. Mas, percorreremos o caminho inverso a essa descida e reencontraremos aquele infinito, que jamais a razão poderia dar-vos, porque a análise humana não pode percorrer a série dos efeitos através de todo o espaço, por toda a eternidade, e não dispõe daquele infinito, pelo qual seria mister multiplicar o finito para obter a visão do Absoluto.

Monoteísmo.

A finalidade desta viagem é dar ao homem nova consciência cósmica. Uma consciência que o faça sentir-se não apenas indestrutível e eterno, membro de uma humanidade que abarca todos os seres do universo, mas também representa uma força e desempenha um papel importante no funcionamento orgânico do próprio universo. Viveis para conquistar uma consciência cada vez mais ampla. O homem, rei da vida no planeta Terra, conquistou uma consciência individual própria, que constitui prêmio e vitória. Agora está construindo outra mais vasta: 

a consciência coletiva que o organiza em unidades nacionais e se fundirá numa unidade espiritual ainda mais vasta, a humanidade. 

Eu, porém, lanço a semente de uma consciência universal, a única que vos pode dar a visão de todos os vossos deveres e direitos e poderá, perfeitamente, guiar todas as vossas ações, além de solucionar todos os vossos porquês. Partindo de vosso cognoscível científico humano, esse caminho também atingirá conclusões de ordem prática, individual e social. A exposição das leis da vida tem como objetivo ensinar-vos normas mais completas de comportamento. Sabendo olhar no abismo de vosso destino, sabereis agir cada vez com mais elevação. Eis traçada a estrada que percorreremos. E a seguiremos não apenas para saber, mas também para agir depois. Quando se fizer luz na mente, o coração se acenderá de paixão, para marchar seguindo a mente que viu. Ascensão é a ideia dominante. Deus é o centro. 

Monismo

Este Tratado é mais que uma grande síntese científica e filosófica:  

é uma revolução introduzida em vosso sistema de pesquisa, nova direção dada ao pensamento humano, para que, após este impulso, possa canalizar novo caminho de conquistas; é uma revolução que não arrasa nem nega, implantando arbítrio e desordem, mas afirma e cria, guiando-vos a uma ordem e equilíbrio cada vez mais completo e complexo, para uma lei cada vez mais forte e mais justa. 

Pois bem, para ajudar a nascer em vós esta nova consciência que está por surgir à luz, para estimular esta vossa transformação que está iminente, imposta pela evolução, da fase humana à fase super-humana, eu vos ensino novo método de pesquisa, praticado por via da intuição. Indico-vos a possibilidade de nova ciência conquistada com o sistema dos místicos, no qual os fenômenos são penetrados por meio de nova sensibilidade, abrindo as portas da alma, além das dos sentidos, da alma da qual vos terei ensinado todos os recursos insuspeitados e meios de percepção direta.

Desse modo, os fenômenos não serão mais vistos nem ouvidos, nem tocados por um Eu qualquer, mas sentidos por um ser que se transformou em delicadíssimo instrumento de percepção, porque sensitivamente evoluído, nervosamente refinado e, sobretudo, moralmente aperfeiçoado. Ciência nova, conduzida pelos caminhos do amor e da elevação espiritual, é a ciência do super-homem, que está para nascer e fundará a nova civilização
do terceiro milênio [5].

[5] - Este conceito de nova civilização, várias vezes repetido nesta obra, desenvolveu-se, mais tarde, no volume: A Nova Civilização do Terceiro Milênio. (6.8) 

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 Comentários de Gilson Freire:

6 - Monismo
 
Viagem a síntese máxima – princípio único
 
A Grande Síntese nos leva a uma viagem insólita, uma viagem do espírito. Conduzindo-nos no estudo do funcionamento orgânico do Universo, caminha da periferia, a matéria, ao centro, onde está o espírito. Em aproximações gradativas e retornos periódicos de conceitos, vai paulatinamente amadurecendo e nos elevando à sua síntese máxima. Esta viagem do espírito é a jornada da alma que regressa ao seu princípio, da criatura que volta ao seu Criador, o centro do Universo.
Nossa realidade está pulverizada e limitada nas barreiras do tempo e do espaço, a unidade foi fragmentada, mas percorrendo o caminho inverso a esta descida nos reencontraremos com a unidade, com a visão do Absoluto, visão que somente a razão jamais poderá nos proporcionar.

Do monoteísmo ao monismo

A Grande Síntese nos conduz a um princípio único, a realidade de todas as coisas, onde existe uma lei única, que tudo dirige, que explica todos os fenômenos. Um conceito central chamado monismo.
Do politeísmo passamos ao monoteísmo, onde definimos um Deus único, porém um deus antropomórfico e fora da Criação. Passamos agora do monoteísmo ao monismo, isto é, a um conceito de um Deus que é a Criação, formando uma unidade com o ser.
 
A razão desta viagem
 
A finalidade da jornada é dar ao homem nova consciência cósmica, fazendo-o sentir-se não apenas eterno e membro de uma humanidade que abraça todo os seres do Universo, mas também potência que desempenha um papel no funcionamento orgânico da própria Criação. É também proporcionar-lhe novas normas de comportamento, pois sabendo olhar nos abismo de seu próprio destino, saberá agir cada vez de forma mais elevada.
Nesta estrada nosso coração se acenderá de nova paixão. Paixão de ascensão, a idéia que nos domina, e de amor, o sentimento que nos inflama.
 
A Ciência do novo homem
 
Como referido no capítulo 1, além de um roteiro, A Grande Síntese proporciona novo direcionamento para nossas pesquisas. Nova ciência, novo sistema místico, que consiste na penetração dos fenômenos com a alma possuída de nova sensibilidade além dos seus meros sentidos materiais. Transformando-nos em delicado instrumento de pesquisa, refinado pela aperfeiçoamento moral, nos induzirá à formação de Nova Ciência, ciência conduzida pelos caminhos do amor e da elevação espiritual, fundamentos do novo homem.




09/03/2015

5. 

NECESSIDADE DE UMA REVELAÇÃO

 

A mente humana procura um conceito que a abale.

Falei de vossa razão humana, com a qual construísteis vossa ciência e afirmei a relatividade desse instrumento de pesquisa e de sua insuficiência como meio para conquistar o conhecimento do Absoluto. Agora conduzo-vos lentamente, cada vez mais próximo do centro da questão. O estudo que vos exponho  representa novo princípio para vossa ciência e filosofia, novo para vosso pensamento. 







O momento psicológico, que a humanidade atravessa hoje, requer a ajuda dessa revelação. Não vos assusteis com essa palavra:  

revelação não é apenas aquilo de que nasceram as religiões, mas também qualquer contato da alma humana com o pensamento íntimo que existe na criação, contato que revela ao homem um novo mistério do ser. 

Como está hoje — vós o sabeis — a psicologia humana não tem amanhã; ela o busca ansiosamente, mas por si só não sabe achá-lo. 

Espera algo, confusamente, sem saber o que poderá nascer, de onde e como; mas espera por necessidade íntima, por imperioso instinto, porque este constitui a lei da vida; permanece na expectativa de ouvir algo e se limita a avaliar as vozes, as verdadeiras e as falsas, afim de escolher aquela que corresponderá a seu infalível instinto; descendo das profundidades do infinito, será a única a fazê-la tremer. Esperam-na, sobretudo, os homens de pensamento que estão à frente do movimento intelectual; esperam-na os homens de ação, que estão à frente do movimento político e econômico do mundo. A mente humana procura um conceito que a abale, conceito profundo e mais poderosamente sentido, que a oriente para a iminente nova civilização do terceiro milênio.
 
Alguns dos conceitos de que dispondes são insuficientes, outros esgotados, outros tão cobertos de incrustações humanas, que por estas ficam esmagados. A ciência, tão enceguecida de orgulho desde que nasceu, demonstrou-se impotente diante dos últimos “porquês” e, com a pretensão de generalizar partindo de poucos princípios, os mais baixos,
prejudicou-vos, abaixando-vos, fazendo-vos retroceder para aquela matéria, a única que estudava. 

As filosofias são produtos individuais, elevando a sistema aquela indiscutível premissa que é o próprio Eu, embora sendo intuições, são intuições parciais, visões pessoais que só interessam ao grupo dos afins. O bom senso é instrumento imediato para as finalidades materiais da vida e não pode superá-las; então não pode bastar. As religiões, tantas e, erro imperdoável, todas lutando entre si, exclusivistas na posse da Verdade e isto em nome do próprio Deus, aplicando-se não a procurar a ponte que as una, mas a cavar o abismo que as divida. Anseiam invadir o mundo todo, ao invés de se coordenarem no nível que lhes compete, em vista da profundidade da revelação recebida. Infelizmente, recobriram de humanidade a originária Centelha Divina.
 
Devo definir desde logo meu pensamento, para não ser mal interpretado e posto na mira dos ansiosos de destruição e agressividade humana. Não venho para combater nenhuma religião, mas para coordená-las todas, como a outras aproximações diferentes da Verdade, UMA e não múltipla, como quereríeis. No entanto, coloco no mais alto posto da terra a revelação e a religião de Cristo, porque é a mais completa e perfeita dentre todas. 

Esclarecido este conceito, prossigo e verifico o fato inegável de que nenhuma de vossas crenças hoje levanta, abala e verdadeiramente arrasta as massas. Diante das grandes paixões que outrora moviam os povos, hoje o espírito se encontra adormecido no ceticismo; de tal forma caiu no vazio, que não tem força para rebelar-se, nem sombra de interesse, ainda que para negar; tornou-se um nada recoberto por sorridente máscara; desceu ao último degrau, está na última fase de esgotamento:  

a indiferença.

 


Esse é o quadro de vosso mundo espiritual. Infelizmente, o que vos guia de fato na vida real é bem outra coisa:  

é o egoísmo, são vossas baixas paixões, em que acreditais cegamente. 

Mas a isto não podeis chamar uma orientação, um princípio capaz de dirigir-vos a objetivos mais elevados. Se isto constitui um princípio, trata-se de um princípio de desagregação e de ruína; para isso, com efeito, corre o mundo em grande velocidade.
 
Então, não é por acaso que vos chega minha palavra. Ela vem não para destruir as verdades que possuís, mas para repeti-las de forma mais persuasiva, mais evidente, mais adaptada às novas necessidades da mente humana. Vossa psicologia não é a mesma de vossos pais e as formas adequadas para eles, não são para vós; sois inteligências que saíram da menoridade; vossa mente habituou-se a olhar por si e hoje pode suportar visões mais vastas; pede, quer saber e tem direito de saber mais. Por vossa maturação, podeis hoje ver e resolver diretamente problemas que mal eram suspeitados por vossos avós. 

Além disso, vossos problemas individuais e coletivos se tornaram por demais complexos e delicados, para que possam ser suficientes os anunciados sumários das verdades conhecidas. No atual período de grandes maturações, vós, a cada momento, superais vossas ideias, com uma velocidade sem precedentes para vós. Pondo de parte os imaturos e mentirosos, existe grande número de honestos que precisam saber mais e com maior precisão. Enfim, dispondes hoje, com os meios mecânicos, fornecidos pela ciência, com os segredos que tendes sabido arrancar à natureza, de muito maior potência de ação que no passado; potência que requer de vós, que a manejais, uma sabedoria muito maior, a fim de que essa potência não se torne manejada com a mentalidade pueril e selvagem dos séculos passados, não em vosso engrandecimento, mas em vossa destruição. Então, é chegada a hora de dizer minha palavra.


Comentários de Gilson Freire:

5 - Necessidade de uma Revelação
 

Nossa psicologia não tem mais amanhã
 
Nossos conceitos e revelações divinas, encobertas de incrustações humanas arcaicas, estão velhas, esgotadas, insuficientes para a mente moderna. As filosofias são produtos individuais e as religiões se dividem, lutando pela posse da verdade exclusivista. Nosso espírito, adormecido no ceticismo, tornou-se um vazio, oculto por hipócrita máscara sorridente e está agora na sua última fase de esgotamento: 


a indiferença. 

Temos como guia apenas o egoísmo, que só sabe produzir desagregação e divergências.

Necessitamos de revelações adaptadas ao nosso amadurecimento
 

O momento que vivemos requer novas revelações. Os séculos de lutas e dores nos amadureceram e, por instinto evolutivo, ansiamos por novas verdades que nos conduzam para a formação de um novo homem, de uma nova civilização, a civilização do terceiro milênio.
 

A Grande Síntese não veio destruir as verdades que temos, mas revesti-las de nova roupagem

“Minha palavra não vem para destruir as verdades existentes, mas para repeti-las de uma maneira mais persuasiva e mais adaptada às vossas mentes modernas. Sois inteligências amadurecidas que já podem suportar visões mais vastas (....) Não venho combater religião alguma, no entanto coloco no mais alto posto na Terra a revelação e a religião do Cristo”.



4. 

CONSCIÊNCIA E MEDIUNIDADE

 


Mediunidade de Chico Xavier: visão extra-física de Emmanuel.


Tendes meios para comunicar-vos com seres mais importantes que aqueles a quem chamais habitantes de Marte, mas são meios de ordem psíquica, não instrumentos mecânicos; meios psíquicos que a ciência (que pesquisa de fora para dentro) e a vossa evolução (que se expande de dentro para fora) trarão à luz. 







 


Pode chamar-se consciência latente uma consciência mais profunda que a normal, onde se encontram as causas de muitos fenômenos inexplicáveis para vós. O sistema de pesquisa positiva, ao fazer-vos olhar mais profundamente as leis da natureza, fez-vos descobrir o modo de transformar as ondas acústicas em elétricas, dando-vos um primeiro termo de comparação sensível daquela materialização de meios que empregamos. Já avizinhasteis um pouco e hoje podeis, mesmo cientificamente, compreender melhor.

Acompanhai-me, caminhando do exterior, onde estais com vossas sensações e vossa psique, para o interior onde estou eu como Entidade e como pensamento. No mundo da matéria, temos, primeiro, os fenômenos; depois, vossa percepção sensória e, finalmente, por meio de vosso sistema nervoso convergente para o sistema cerebral, vossa síntese psíquica:  

a consciência. 

Até aqui chegasteis, pela pesquisa científica e experiência cotidiana. Vosso materialismo não errou, quando viu nessa consciência uma alma, filha da vida física e destinada a morrer com ela. Mas é apenas uma psique de superfície, resultado do ambiente e da experiência, servindo à satisfação de vossas necessidades imediatas; sua tarefa termina quando vos tenha guiado na luta pela vida. Esse instrumento, como já vos disse, não pode ultrapassar essa tarefa; lançado no grande mar do conhecimento, perde-se; trata-se da razão, do bom senso, da inteligência do homem normal, que não vai além das necessidades da vida terrena.
 
Se descermos mais na profundidade encontraremos a consciência latente; que está, para a consciência exterior e clara, como as ondas elétricas estão para as ondas acústicas. A essa consciência mais profunda pertence aquela intuição, é o meio perceptivo e a ele é necessário poder chegar, como vos disse, para que vosso conhecimento possa progredir.
Vossa consciência latente é vossa verdadeira alma eterna, existe antes do nascimento e sobrevive à morte corporal. Quando, ao avançar, a ciência chegar até ela, ficará demonstrada a imortalidade do espírito. Mas hoje não estais conscientes dessa profundidade, não sois sensíveis a esse nível e, não tendo em vós mesmos nenhuma sensação, a negais.

Vossa ciência corre atrás de vossas sensações, sem suspeitar que elas podem ser superadas, e aí fica circunscrita como num cárcere. Essa parte de vós mesmos está imersa em trevas, pelo menos, assim é para a grande maioria dos homens que, por conseguinte, nega; sendo maioria, faz e impõe a lei, relegando a um campo comum de fora da normalidade e juntando em dolorosa condenação, tanto o subnormal, isto é, o patológico ou involuído, como o supra-normal, elemento super-evoluído do amanhã. Neste campo, muito errou o materialismo. Apenas alguns indivíduos excepcionais, precursores da evolução, estão conscientes na consciência interior. Esses ouvem e dizem coisas maravilhosas, mas vós não os compreendeis senão muito tarde, depois que os martirizasteis. No entanto, esse é o estado normal do super-homem do futuro.
 
Acenei a essa consciência interior, porque é a base da mais alta forma de vossa mediunidade, a mediunidade inspirativa, ativa e consciente; ela é justamente a manifestação da personalidade humana quando, por evolução, atinge esses estados profundos de consciência, que podem chamar-se intuição. Vossa consciência humana é o órgão exterior através do qual vossa verdadeira alma eterna e profunda se põe em contato com a realidade exterior do mundo da matéria. Por seu intermédio, experimenta todas as vicissitudes da vida, destas experiências faz um tesouro, delas assimila o suco destilado, do qual ela se apodera, tornando suas as qualidades e capacidades, que mais tarde constituirão os instintos e as ideias inatas do futuro. Assim, a essência destilada da vida desce em profundidade no íntimo do ser; fixa-se na eternidade como qualidades imperecíveis e nada de tudo o que viveis, lutais e sofreis, perder-se-á em sua substância. 

Vedes que, com a repetição, todos os vossos atos tendem a fixar-se em vós, como automatismos que são os hábitos, isto é, um hábito, uma roupagem sobreposta à personalidade. Essa descida das experiências da vida se estratifica em torno do núcleo central do Eu que, com isso, agiganta-se num processo de expansão contínua; assim, a realidade exterior (tanto mais relativa e inconsistente quanto mais exterior) sobrevive àquela caducidade, condena-a àquele constante transformismo que a acompanha e transmite ao eterno aquilo que vale e sua existência produz. Por isso, nada morre no imenso turbilhão de todas as coisas; todo ato de vossa vida tem valor eterno.

Automatismo moderno conduzido por tecnologia robótica.


Quem consegue ser consciente também na consciência latente, encontra seu Eu eterno e, na vasta complexidade das vicissitudes humanas, pode reencontrar o fio condutor ao longo do qual, logicamente, segundo uma lei de justiça e de equilíbrio, desenvolve-se o próprio destino. Então, vive sua vida maior na eternidade e com isso vence a morte. Ele se comunica livremente, mesmo na Terra, por um processo de sintonia que implica afinidade com as correntes de pensamento, que existem além das dimensões do espaço e do tempo.

Em outro lugar acenei à técnica dessa comunicação conceptual ou mediunidade inspirativa.
Tracei-vos, assim, o quadro da técnica de vossa ascensão espiritual, efeito e meta de vossa vida. Em minhas palavras vereis sempre pairar esta grande ideia da evolução, não no limitado conceito materialista de evolução de formas orgânicas, mas no bem mais vasto conceito de evolução de formas espirituais, de ascensão de almas. 

Este é o princípio central do universo, a grande força motriz de seu funcionamento orgânico. O universo infinito palpita de vida que, ao reconquistar sua consciência, retorna a Deus. É esse o grande quadro que vos mostrarei. Essa é a visão que, partindo de vossos conhecimentos científicos, indicar-vos-ei. Minha demonstração, lembrai-vos, embora se inicie com uma investigação para uso dos céticos, é um lampejo de luz que lanço ao mundo, é imensa sinfonia que canto em louvor de Deus.



Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, grande médium brasileiro, grande vulto da humanidade. Fez par com Pietro Ubaldi em algum momento da década de 50 do século passado. Era plenamente consciente de sua psicografia mediúnica. Médium ultrafânico no conceito ubaldiano. 















Comentários de Gilson Freire:

4 - Consciência e Mediunidade

Síntese de superfície e síntese profunda do Eu

 
Como referido no capítulo 2, temos dois níveis principais de consciência:


 a profunda e a superficial.

A consciência de superfície é sintetizada à medida que evoluímos, sendo portanto uma elaboração da matéria, e com ela morre e se renova. Na profundeza do nosso eu, no entanto, encontraremos outra consciência, a latente, profunda. Essa é síntese divina, eterna, formadora do nosso eu verdadeiro. Existe antes do nascimento e sobrevive à morte. Como não experimentamos sensação nesta consciência profunda, nós comumente a negamos.

Por meio da consciência superficial nos colocamos em contato com a realidade exterior e experimentamos as sensações da vida, retirando ensinamentos que se fixam na consciência profunda, constituindo-se depois nos instintos e automatismos. É assim que nada se perde para o espírito, e de nossas lutas e dores retiramos ensinamentos que, estratificando camadas em torno do eu central, o fazem crescer em um processo de expansão contínua. “Todo ato de nossa vida tem um valor eterno”.


Vencendo a morte


À medida que evoluímos dilatamos a consciência profunda e nos tornamos paulatinamente conscientes nela. Reencontraremos nosso Eu eterno e, fora dos limites do tempo e do espaço, teremos vencido a morte. Eis a finalidade da evolução e da vida – “O Universo inteiro palpita de vida que, ao reconquistar sua consciência, retorna a Deus”.
 

Mediunidade intuitiva
 

E à medida que nos tornamos conscientes nesta realidade profunda do eu, é que estaremos aptos a perceber as correntes de pensamentos que trafegam pelas dimensões espirituais. Ai residem os intricados fenômenos da recepção intuitiva e a possibilidade de comunicação com seres de outras dimensões. Ser consciente nesta realidade profunda é participar de uma forma mais alta de mediunidade, chamada mediunidade inspirativa, vivida de forma ativa e consciente.







































3. 

AS PROVAS

 



 Se vossa consciência já não vos faz mais admirar qualquer nova possibilidade, como podeis negar a priori uma forma de existência diferente daquela do vosso corpo físico?

Pelo menos, deveis alimentar a dúvida a respeito da sobrevivência que vosso Eu interno vos sugere a cada momento, e que inconscientemente, por instinto, sonhais em todas as vossas aspirações e obras. 











Como podeis acreditar que vossa Terra pequenina, que vedes navegar pelo espaço como um grãozinho de areia no infinito, contenha a única forma possível de vida no universo? Como podeis acreditar que vossa vida de dores e alegrias fictícias e contraditórias possa representar toda a vida de um ser?

Então, não esperastes nem sonhasteis nada mais alto, na diuturna fadiga de vossos sofrimentos e de vosso trabalho? Se eu vos oferecesse uma fuga desses sofrimentos, uma libertação e uma superação; se eu vos abrisse o respiradouro de um grande mundo novo, que ainda desconheceis, e vos permitísseis contemplá-lo por dentro para vosso bem, não correríeis como correis para ver as máquinas que devoram o espaço sulcando os céus e ouvem as longínquas ondas elétricas? Vinde. Mostro-vos as grandes descobertas que fará a ciência, especialmente as das vibrações psíquicas, por meio das quais nos é permitido, a nós, espírito sem corpo, comunicar-nos com aquela parte de vós que é espírito, como nós. 

Segui-me. Não se trata de um lindo sonho, nem a fantástica exploração do futuro, a que estou fazendo: 

é o vosso amanhã. Sede inteligentes à altura de vossa ciência; sede modernos, ultramodernos, e vislumbrareis o espírito, que é a realidade do amanhã, e o tocareis com o raciocínio, o refinamento de vossos órgãos nervosos, com o progresso de vossos instrumentos científicos. 

O espírito está aí, à espera, e fará vibrar as civilizações futuras.


As verdades filosóficas fundamentais, tão discutidas durante milênios, serão resolvidas racionalmente por meio da simples razão, porque vossa inteligência terá progredido; o que dantes, por outras forças intelectivas, tinha que ser forçosamente dogma e mistério de fé, será questão de puro raciocínio, será demonstrável e portanto, verdade obrigatória para todo o ser pensante.



 
Não sabeis que todas as descobertas humanas nasceram da profundidade do espírito que contatou com o além? De onde vem o lampejo do gênio, a criação da arte, a luz que guia os líderes dos povos, senão deste mundo, de onde vos falo? As grandes ideias que movem e fazem avançar o mundo, acaso as encontrais no ambiente de vossas competições cotidianas, ou no mundo dos fenômenos que a ciência observa? Então, de onde vêm? Não podeis negar o progresso:  

o próprio materialismo, que vos tornou céticos, teve de proferir a palavra evolução.

Vós mesmos que negais, estais todos ansiosos e ávidos de ascensão; não podeis negar que o intelecto progride e existem alguns homens mais adiantados do que outros. 

Portanto, não pode ser impossível para a razão e para a ciência, admitir que alguns dentre vós tenham atingido, por evolução, uma tal sensibilidade nervosa de sentir o que não conseguis perceber:  

as ondas psíquicas, que nós, os espíritos, transmitimos. São eles os médiuns espirituais, verdadeiros instrumentos receptores de correntes e de conceitos que podemos transmitir.

  Esse é o mais alto grau de mediunidade (em alguns casos totalmente consciente), quando podem estabelecer-se relações de sintonia; disso nos servimos para o
elevado objetivo de transmitir-vos nosso pensamento.

Muitos médiuns ouvem com novo sentido de audição psíquica, não mais com o acústico. Ouvem-nos com seu cérebro. Sintonia quer dizer capacidade de ressonância. Espiritualmente, sintonia é simpatia, isto é, capacidade de sentir em uníssono. Quer acústica, quer elétrica ou espiritualmente, o princípio vibratório de correspondência é o mesmo, porque
a lei é uma, em todos os campos [4].


Muitos médiuns ouvem com novo sentido de audição psíquica.

 

Naturalmente, quem não ouve nega; mas não poderá, não terá o direito de negar que os outros possam ouvir e que ouçam. Quem nega pede provas e só se dispõe a conceder seu consentimento depois de haver verificado esses fatos, necessários para sacudir esse seu tipo de mentalidade. Mas, jamais pensasteis na relatividade de vossa psicologia, devida aos diversos graus de evolução de cada um? Jamais pensasteis naquilo que impressiona a mente de um, deixa a de outro indiferente e como cada um exige a "sua" prova? Que número enorme de provas seria necessário para cada um sentir-se impressionado em sua própria sensibilidade particular! 

Para cada um, um fato pode inserir-se em sua vida, em sua concepção de vida, na orientação dada a todos os seus atos. O próprio raciocínio não serve para todos, porque a demonstração se torna, com frequência discussão que, em lugar de convencer, transforma-se em desabafo agressivo, exemplo de luta, que exarceba os ânimos.

Restaria o prodígio. Mas as leis de Deus são imutáveis porque perfeitas; o que é perfeito não pode ser alterado nem corrigido. Acreditai: 


só em vossa psicologia sedenta de violações, pode existir esse pensamento atrasado de que uma violação seja prova de força. 

Isso pode ter ocorrido em vosso passado de homens selvagens, imbuídos de luta e rebelião;
para nós, o poder está na ordem, no equilíbrio, na coordenação das forças, e não na revolta, na desordem, no caos.

Além disso, um milagre vos convenceria? O Cristo fez tantos! Acreditasteis? Um milagre é sempre um fato exterior a vós, podeis negá-lo todas as vezes que vos for cômodo, porque perturba vossos interesses. Conclusão:


ou tendes pureza de ânimo e sinceridade de intenções e então sentireis em minha palavra a Verdade, sem provas exteriores (eis a intuição), pelo seu tom e conteúdo; ou estais de má fé e vos aproximais com duplo fim, parademolir ou especular porque, acima de qualquer discussão, já colocasteis o preconceito de vosso interesse ou vantagem. 



Um milagre vos convenceria?

Então, estais armados para recusar qualquer prova. O fato não é externo, não é apreciável pelos sentidos, portanto, é sempre discutível para quem queira negá-lo; antes, é íntimo, intrínseco. A verdadeira prova é apenas uma. É a mão de Deus que vos alcança em vossas próprias casas, é a dor que, superando as barreiras humanas, atinge-vos e vos sacode, é a crise do espírito, é a maturação do destino, é a tonitruante voz do mistério que vos surpreende a cada esquina da vida e vos diz:  


basta! 

Eis o caminho! Essa prova, vós a sentis; ela vos perturba, esmaga, espanta, mas é irresistível, transforma-vos, e vos convence. Então vós, negadores irônicos, vos ajoelhais, tremeis e chorais. Chegou o grande momento. Deus vos tocou. Eis a prova! Vossa vida está cheia dessas forças desconhecidas em ação. São as maiores, das quais dependem vossas vicissitudes e o destino dos povos. Quantas já não estão prontas a mover-se no desconhecido amanhã, mesmo contra vós que me ledes? Os inconscientes sacodem os ombros ao amanhã; só os corajosos ousam olhá-lo de cara, seja bom ou ruim.

Eu falo, ó homem, de vosso destino, de vossa vitória e de vossas dores de amanhã, não apenas naquele longínquo futuro sobre o qual não vos preocupais, mas de vosso futuro próximo. Minhas palavras dar-vos-ão novo e mais profundo sentido da vida e do destino, de vossa vida e de vosso destino. Já falei ao mundo e aos povos de seus grandes problemas coletivos. Agora falo a vós, no silêncio de vosso recolhimento. Minhas palavras são boas e sábias e visam a fazer de vós um ser melhor, para vós mesmos, para vossa família, para vossa pátria.

[4] - Para o desenvolvimento destes conceitos, vejam-se os volumes: As Noúres, Ascese Mística, A Nova Civilização do Terceiro Milênio e Problemas do Futuro. (3.6)

Comentários de Gilson Freire:

3 - As Provas

Exigimos provas das verdades espirituais

Para crer no espírito o homem moderno exige provas. Pelo menos deveria admitir a dúvida na sua existência, pois essa é a sugestão natural de nosso inconsciente. Todos esperamos sobreviver, essa é nossa aspiração mais sagrada. Então, por que negar antes de admitir a sua possibilidade? A negação, por princípio, aniquila-nos a capacidade de ver e sentir. 

“Como podeis acreditar que vossa vida de dores e alegrias fictícias e contraditórias possa representar toda a vida de um ser?”
 
A realidade do amanhã é o espírito
 
Descobriremos o espírito através de um amadurecimento do nosso eu e um refinamento de nossas percepções intuitivas. Todas as realidades de nossa vida nasceram e nascem do contato do espírito com outras dimensões da vida. Esta foi e é a via de todas as descobertas dos gênios. À medida que evoluirmos, perceberemos claramente as ondas psíquicas que nos envolvem e nos inspiram. Só aquele que não ouve é que nega. O espírito é a realidade do amanhã, mas somente para aqueles que desenvolverem os instrumentos para o perceber e se capacitarem para viver nesta nova dimensão.

Somente uma prova é necessário
 
Não exijamos outras provas além da nossa sensibilidade. Basta uma “pureza de ânimo e sinceridade de intenções e então sentireis em minhas palavras a Verdade.”




06/03/2015

2. 

INTUIÇÃO

 




Não vos espanteis com esta incompreensível intuição [3]. 










Começai por não negá-la e ela aparecerá. O grande conceito que a ciência afirmou (embora de forma incompleta e com consequências erradas), a evolução, não é uma quimera e estimula vosso sistema nervoso para uma sensibilidade cada vez mais delicada, que constitui o prelúdio dessa intuição. 


Assim se manifestará e aparecerá em vós essa psique mais profunda, por lei natural de evolução, por fatal maturação que está próxima. Deixareis de lado, para uso da vida prática, vossa psique exterior e de superfície, a razão, pois só com a psique interior que está na profundeza de vosso ser, podereis compreender a realidade mais verdadeira, que se encontra na profundeza das coisas. Esta é a única estrada que conduz ao conhecimento do Absoluto. 

Só entre semelhantes é possível a comunicação; para compreender o mistério que existe nas coisas deveis saber descer no mistério que está em vós. Não ignorais isto totalmente; olhais admirados tantas coisas que afloram de vossa consciência mais profunda, sem poderdes descobrir as origens:  

instintos, tendências, atrações, repulsas, intuições. 

Daí nascem irresistíveis todas as maiores afirmações de vossa personalidade. Aí está o vosso verdadeiro e eterno Eu. Não o Eu exterior, aquele que sentes mais quando estais no corpo, aquele 

Eu que é filho da matéria e que morre com ela. Esse Eu exterior, essa consciência clara, expande-se no contínuo evolver da vida, aprofunda-se para aquela consciência latente que tende a vir à tona e a revelar-se. Os dois polos do ser — consciência exterior clara e consciência interior latente — tendem a fundir-se.




 A consciência clara experimenta, assimila, imerge na latente os produtos assimilados através do movimento da vida — destilação de valores, automatismos, que constituirão os instintos do futuro. 

Assim expande-se a personalidade com essas incessantes trocas e se realiza o grande objetivo da vida. Quando a consciência latente tiver se tornado clara e o Eu tiver pleno conhecimento de si mesmo, o homem terá vencido a morte. Aprofundarei mais adiante essa questão.

O estudo das ciências psíquicas é o mais importante que podeis hoje fazer. O novo instrumento de pesquisa que deveis desenvolver e se está desenvolvendo, naturalmente, é a consciência latente. Já olhastes bastante para fora de vós. Agora resolvei o problema de vós mesmos e tereis resolvido todos os outros problemas. 

Habituai aos poucos vosso pensamento a seguir esta nova ordem de ideias. Se souberdes transferir o centro de vossa personalidade para essas camadas profundas, sentireis revelar-se em vós novos sentidos, uma percepção anímica, uma faculdade de visão direta; esta é a intuição da qual vos falei. 

Purificai-vos moralmente e refinai a sensibilidade do instrumento de pesquisa, que sois vós, e só então podereis ver. Aqueles que absolutamente não sentem essas coisas, os imaturos, ponham-se de lado; torneiem-se até chafurdarem-se na lama de suas baixas aspirações e não peçam o conhecimento, precioso prêmio concedido apenas a quem duramente o mereceu.




[3] - Desse especialíssimo método de pesquisa, aqui apenas delineado, os volumes As Noúres e Ascese Mística tratam a fundo. (2.1)

Comentários de Gilson Freire:

2 - Intuição

A psique de superfície e a psique profunda

Nosso verdadeiro eu não está na consciência de superfície, mas na consciência profunda, de onde se origina nossa personalidade com todas as suas tendências, atrações e repulsões. O eu exterior é filho da matéria e morre com ela. Com a evolução, o eu interior tende a se despertar e a fundir-se com o eu exterior – aí teremos vencido a morte. Eis o grande objetivo da vida:  


despertar este verdadeiro eu interior. Através da evolução ele se expande até a fusão com Deus.

O estudo do psiquismo é o mais importante na atualidade

O mais valioso estudo que na atualidade podemos fazer é o da ciência psíquica, nosso instrumento de pesquisa e nosso meio natural de desenvolvimento na evolução. Já olhamos em demasia para fora de nós mesmos, precisamos caminhar pelas estradas da alma, que estão em nosso íntimo e nos conduzem para o infinito.

A visão de síntese

Este é o novo instrumento de pesquisa que teremos que desenvolver – a visão direta. Temos que transferir o centro de nossa personalidade, o eu, para as camadas mais profundas do nosso ser, onde sentiremos essa nova possibilidade, a visão intuitiva, através da qual poderemos interagir com o fenômeno e compreender os mistérios da Criação.

O primeiro passo
 
O primeiro passo é não negar a intuição. A evolução nos levará a esta propriedade mais profunda do espírito, a essa nova visão do Universo. E poderemos compreender melhor a realidade das coisas.

Como apressar esta aquisição
 
“Purificai moralmente e refinai a sensibilidade do instrumento de pesquisa, que sois vós mesmos, e só então podereis ver. Aqueles que absolutamente não sentem essas coisas, os imaturos, ponham-se de lado, tornem a chafurdarem-se na lama de suas baixas aspirações, e não peçam o conhecimento, precioso prêmio concedido apenas a quem duramente o mereceu”.



05/03/2015


A Grande Síntese - Pietro Ubaldi

1. 

CIÊNCIA E RAZÃO



Estarei agora publicando aqui nesse blog essa que é uma obra maravilhosa escrita sob alta tensão inspirativa por Pietro Ubaldi.  Até hoje essa obra e seu conteúdo nos faz refletir ante o avanço da Ciência complementando-a e extrapolando-a. Na medida do possível anotarei alguns comentários e ilustrarei com imagens via google conforme o desenrolar da narrativa. 

Pietro Ubaldi
Aqui falo à inteligência, à razão cética, à ciência sem fé,
 a fim de vence-la,superando-a com suas próprias armas.






Em outro lugar e de outra forma [1], falei especialmente ao coração, usando linguagem simples, adaptada aos humildes e aos justos que sabem chorar e crer. 








Aqui falo à inteligência, à razão cética, à ciência sem fé, a fim de vence - la, superando-a com suas próprias armas. A palavra doce que atrai e arrasta, porque comove, foi dita. Indico-vos agora a mesma meta, mas por outros caminhos, feitos de ousadias e potência de pensamento, pois quem pede isso não saberia ver de outra forma, por faltar-lhe a fé ou incapacidade de orientação para compreender.

O pensamento humano avança. Cada século, cada povo segue um conceito de acordo com o desenvolvimento que obedece a leis a que estais submetidos. Em qualquer campo, a nova ideia vem sempre do Alto e é intuída pelo gênio. Depois, dela vos apoderais, a observais, a decompondes, a viveis, passando, então, à vossa vida e às leis. 

Assim, desce a ideia e, quando se fixa na matéria, já esgotou seu ciclo, já aproveitastes todo seu suco e a jogais fora para absorverdes, em vossa alma individual e coletiva novo sopro divino. Vosso século possuiu e desenvolveu uma ideia toda própria que os séculos precedentes não viam, pois estavam atentos em receber e desenvolver outras. 

Vossa ideia foi a ciência, com que acreditastes descobrir o absoluto, embora essa também seja uma ideia relativa que, esgotado seu ciclo, passa; eu venho falar-vos exatamente porque ela está passando.

Vossa ciência lançou-se num beco escuro, sem saída, onde vossa mente não tem amanhã. Que vos deu o último século? 

Máquinas como jamais o mundo as teve (mas que, no entanto, são apenas máquinas) e, em compensação, ressecou vossa alma. Essa ciência passou como um furacão destruidor de toda a fé e vos impõe, com a máscara do ceticismo, um rosto sem alma. 

Sorris despreocupados, mas vosso espírito morre de tédio e ouvem-se gritos dilacerantes. Até vossa própria ciência é uma espécie de desespero metódico, fatal, sem mais esperanças. Terá ela resolvido o problema da dor? 

Que uso sabe fazer dos poderosos meios que lhe deram os segredos arrancados da natureza? Em vossas mãos, o saber e a força transformam-se sempre em meios de destruição.



... ressecou vossa alma

Para que serve, então, o saber, se ao invés de impulsionar-vos para o Alto, tornando-vos melhores, para vós se torna instrumento de perdição? 

Não riais, ó céticos, que julgais ter resolvido tudo, porque sufocastes o grito de vossa alma que anseia por subir! 

A dor vos persegue e vos encontrará em qualquer lugar. Sois crianças que julgais evitar o perigo escondendo a cabeça e fechando os olhos, mas existe uma Lei, invisível para vós, todavia mais forte que a rocha, mais poderosa que o furacão, que caminha inexorável movimentando tudo, animando tudo; essa Lei é Deus. 

Ela está dentro de vós, vossa vida é uma exteriorização dela e derramará sobre vós alegria ou dor, de acordo com a justiça, como o merecerdes. Eis a síntese que vossa ciência, perdida nos infinitos pormenores da análise, jamais poderá reconstituir. Eis a visão unitária, a concepção apocalíptica que venho trazer-vos.

Para que me possa fazer compreender, é mister que fale de acordo com vossa mentalidade e me coloque no momento psicológico que vosso século está vivendo. É indispensável que eu parta justamente dos postulados da vossa ciência, para dar-lhe uma direção totalmente nova. 

Vosso sistema de pesquisa objetiva, à base da observação e experiência, não vos pode levar além de certos resultados. Cada meio pode fornecer certo rendimento e nada mais, e a razão é um meio. 

A análise não poderia chegar à grande síntese, grande aspiração que ferve no fundo de todas as almas, senão por meio de um tempo infinito, de que não dispondes. Vossa ciência arrisca-se a não concluir jamais e o “ignorabimus” quer dizer falência. A tarefa da ciência não pode ser apenas a de multiplicar vossas comodidades. 

Não estranguleis, não sufoqueis a luz de vosso espírito, única alegria e centelha da vida, até o ponto de tornar a ciência, que nasce do vosso intelecto, uma fábrica de comodidades. Esta é prostituição do espírito, é vergonhosa venda de vós mesmos à matéria.

A ciência pela ciência não tem valor, vale apenas como meio de ascensão da vida. Vossa ciência tem um pecado original:  

dirigir-se apenas à conquista do bem-estar material. 

A verdadeira ciência deve ter como finalidade tornar melhores os homens. Eis a nova estrada que precisa ser palmilhada. Essa é a minha ciência [2].

ver-me-eis permanecer continuamente em
  contato com a fenomenologia do universo

Não falo para ostentar sabedoria ou para satisfazer a curiosidade humana, vou direto ao objetivo:  

para melhorar - vos moralmente, pois venho para fazer-vos o bem. 

Não me vereis despender qualquer esforço para adaptar e enquadrar meu pensamento ao pensamento filosófico humano, ao qual me referirei o menos possível. Ao contrário, ver-me-eis permanecer continuamente em contato com a fenomenologia do universo. 

Importa escutar verdadeiramente essa voz, que contém o pensamento de Deus. Compreendei-me, vós que não acreditais, vós céticos, que julgais sabedoria a ignorância das coisas do espírito e, no entanto, admirais o esforço de conquista que o homem, diariamente, exerce sobre as forças da natureza. 

Ensinar-vos-ei a vencer a morte, a superar a dor, a viver na grandiosidade imensa de vossa vida eterna . Não acorrereis com entusiasmo ao esforço necessário para obter tão grandes resultados? 

Vamos, pois, homens de boa vontade, ouvi-me! Primeiro compreendei-me com o intelecto e quando este ficar iluminado e virdes claramente a nova estrada que vos traço, palpitará também vosso coração e nele se acenderá a chama da paixão, para que a luz se transmute em vida e o conceito em ação.

O Anel Acelerador de Hádrons do LHC, CERN, Europa, entre França e Suíça.

 

O momento é crítico, mas é mister avançar. E então (coisa incrível para a construção psicológica que o último século imprimiu em vós) nova verdade vos é comunicada por meios que desconheceis, para que possais descobrir o novo caminho. O Alto, que vos é invisível, nunca deixou de intervir nos momentos culminantes da História. 

Que sabeis do amanhã, que sabeis da razão por que vos falo? 

Que podeis imaginar daquilo que o tempo vos prepara, vós, que estais imersos no átimo fugidio? 

Indispensável avançar, mais que isso não vos seria possível. As vias da arte, da literatura, da ciência, da vida social estão fechadas, sem amanhã. 

Não tendes mais o alimento do espírito e remastigais coisas velhas que já são produtos de refugo e devem ser expelidos da vida. Falarei do espírito e vos reabrirei aquela estrada para o infinito, que a razão e a ciência vos fecharam.

Ouvi-me, pois. A razão que utilizais é um instrumento que possuís para prover os misteres, as necessidades mais externas da vida:  

conservação do indivíduo e da espécie. 

Quando lançais este instrumento no grande mar do conhecimento, ele se perde, porque neste campo, os sentidos (que muito servem para vossas necessidades imediatas) somente afloram a superfície das coisas e sua incapacidade absoluta de penetrar a essência vós a sentis. 

A observação e a experiência, de fato, deram-vos apenas resultados exteriores de índole prática, mas a realidade profunda vos escapa porque o uso dos sentidos como instrumento de pesquisa, embora ajudado por meios adequados, vos fará permanecer sempre na superfície, fechando-vos o caminho do progresso.

Para avançar ainda, é preciso despertar, educar, desenvolver uma faculdade mais profunda:  

a intuição. Aqui entram em função elementos complementares novos para vós. 

Algum cientista jamais pensou que, para compreender um fenômeno, fosse indispensável a própria purificação moral? Partindo da negação e da dúvida, a ciência colocou a priori uma barreira intransponível entre o espírito do observador e o fenômeno. O eu que observa permanece sempre intimamente estranho ao fenômeno, atingido apenas pela estrada estreita dos sentidos. Jamais o cientista abriu sua alma, para que o mistério encarasse o próprio mistério e se comunicassem e se compreendessem. O cientista jamais pensou que é preciso amar o fenômeno, tornar-se o fenômeno observado, vivê-lo; é indispensável transportar o próprio Eu, com sua sensibilidade, até o centro do fenômeno, não apenas com uma comunhão, mas com uma verdadeira transfusão de alma.

Compreendeis-me? Nem todos poderão compreender, pois ignoram o grande princípio do amor; ignoram que a matéria é, em todas as suas formas (até nas menores) sustentada, guiada, organizada pelo espírito que, em diversos graus de manifestação, existe por toda a parte. Para compreender a essência das coisas, tereis que abrir as portas de vossa alma e estabelecer, pelos caminhos do espírito, essa comunicação interior, entre espírito e espírito; deveis sentir a unidade da vida que irmana todos os seres, desde o mineral até o homem, em trocas de interdependências, numa lei comum; deveis
sentir esse liame de amor com todas as outras formas da vida, porque tudo, desde o fenômeno químico até o social, é vida, regida por um princípio espiritual. Para compreender, é necessário que possuais uma alma pura e que um liame de simpatia vos una a todo o criado. A ciência ri de tudo isso e por esse motivo deve limitar-se a produzir comodidades e nada mais. Nisto que vos estou a dizer reside exatamente a nova orientação que a personalidade humana deve conseguir, para poder avançar.

é preciso amar o fenômeno, tornar-se o fenômeno observado, vivê-lo


Notas:

[1] - V. o volume Grandes Mensagens. (1.1)
[2] - Para compreender esse estilo incomum, é necessário conhecer a técnica da gênese deste pensamento, mediante a leitura de outros volumes, os primeiros, pertencentes à obra. (1.7)


Pietro Ubaldi - Breve Biografia

  
Deixo doravante anotações do estudioso da obra de Ubaldi o Dr. Gilson Freire, de seu livro do curso de introdução à "A Grande Síntese":

1 - Ciência e Razão

A ciência não satisfaz mais as nossas necessidades. 


A ciência do nosso século somente nos deu comodidades, deixando nosso espírito vazio. Colheu informações sem fim e nos inundou de análises, sem jamais nos proporcionar a síntese. Continuamos sem respostas para os nossos grandes enigmas. Prostituiu nosso espírito, vendendo nossa alma à matéria, que se tornou a razão da vida e a senhora do nosso destino. 

Mas a era da razão está passando e é preciso auxiliar o nosso espírito na conquista da intuição, a única capaz de nos levar à visão unitária do Universo. Estamos cheios de máquinas poderosas, mas vazios de alma e de sentimentos. 

A ciência não pôde nos tornar melhores, convertendo-se em uma fábrica de comodidades. Para falar ao nosso espírito, amadurecido por um século de ciência, Sua Voz fala à nossa razão, usando a linguagem e os conceitos da nossa era.

Intuição: único caminho possível

A evolução do espírito é o único caminho capaz de satisfazer nossos anseios mais íntimos, de vencer a dor, a morte e fazer-nos viver a grandiosidade para a qual fomos criados. Não temos mais o alimento do espírito e remastigamos velhos conhecimentos. 

A análise, a observação e a experiência apenas produziram resultados exteriores, práticos, mas as necessidades da alma não foram satisfeitas, os caminhos do mistério permanecem fechados e não se abrirão, a não ser que nos tornemos melhores.
 
Uma nova maneira de compreender os fenômenos.
 
Para avançar, é preciso chegar à síntese intuitiva - uma nova maneira de ver e compreender o Universo e sua fenomenologia. É preciso abrir a alma, amar o fenômeno, interagir com ele para verdadeiramente entendê-lo. Eis o novo método de pesquisa: dilatar a visão do espírito para se chegar à essência das coisas. 

Devemos sentir a unidade da vida que irmana todos os seres: do mineral ao homem e além. Mas para isto é necessário o aprimoramento moral. Como somente entre semelhantes é possível a comunicação, para sintonizarmo-nos com as potências do Universo e compreender os seus mistérios, é preciso ter a alma pura. Faz-se assim necessário a nossa purificação moral.
 
“A ciência ri de tudo isto, e por este motivo está limitada a produzir apenas comodidades, sem jamais acender a chama da sabedoria em nossa alma”.