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13/04/2015


31 . 

SIGNIFICADO TELEOLÓGICO DO TRATADO —
PESQUISA POR INTUIÇÃO

 



Sob minha direção, recomeçai comigo vossa viagem, mais que dantesca, através do universo. A estrada é longa, o panorama é amplo e vosso pensamento corre o risco de perder-se. Desejáveis provas e demonstrações; aqui as tendes em profusão. 







Segui-me e minha argumentação cerrada, maravilhosa correspondência de toda a fenomenologia existente com o Princípio Único que vos expus, levar-vos-ão até o fim — logo que tivermos atingido as conclusões de ordem moral e social — a enfrentar este dilema: ou admitir todo o sistema, ou nada. 

Se o sistema corresponde à verdade em tantos fenômenos conhecidos, deve também corresponder aos fenômenos que não conheceis nem podeis controlar; admitir e seguir os princípios de u’a moral superior — parte integrante do sistema — não será mais questão de fé, mas de inteligência.
 

Depois disto, todo homem dotado de inteligência terá o dever de honestidade e justiça. Diante da demonstração evidente que coloca a questão moral na base do dilema: compreender ou não compreender, não é mais lícito duvidar e fugir. O malvado só poderá ser inconsciente ou de má-fé. Não se poderá mais discutir uma ciência da vida, que está baseada numa concepção teleológica que corresponde aos fatos e que está em relação harmônica com o desenvolvimento de todos os fenômenos; não mais construções do todo, isolado do resto do mundo fenomênico, indemonstráveis, frequentemente uma nota dissonante no grande concerto do universo; não mais — como em tantas filosofias — uma idéia particular, elevada a sistema. 

Como um verdadeiro edifício erguido sobre fundamentos vastos como o infinito, o homem é considerado em relação às leis da vida, estas em relação à lei do todo. Uma vez completado o tratado, não será mais lícito, racionalmente, ao homem, isolar-se em seu egoísmo, indiferente ou agressivo, pois tudo é organismo, também a coletividade, esta não pode ser senão um organismo. 

Até mesmo em sua forma, esta teleologia que estou desenvolvendo corresponde ao princípio orgânico e monístico do universo. Observai como é pouco o que estou demolindo e como, ao invés, cada palavra tem sua função construtiva; observai como é pouco o que nego, diante de tudo o que afirmo.

Evito agressões e destruições; fujo de vossas inúteis divisões, como materialismo e espiritualismo, positivismo e idealismo, ciência e fé. Divergências transitórias vos atormentaram nos últimos decênios, mas eram necessárias para preparar-vos a maturação de hoje, que é o momento da fusão e da compreensão, entre uma ciência que se tornou menos dogmática e soberba, mais sábia em sua atenuada pressa de conclusões e deduções, e uma fé mais iluminada econsciente. 

Eu sou tanto uma quanto a outra. Meu olhar é bastante amplo para compreender, ao mesmo tempo, os dois extremos: o princípio da matéria e o princípio do espírito. Esta minha apologética da obra divina é novo benefício que vos chega do Alto. É uma demonstração que presume que sois conscientes, adultos e maduros. Vossa responsabilidade moral crescerá como nunca, se ainda quiserdes insistir nas velhas sendas da ignorância ou da ferocidade. 

Eu sei! O misoneísmo atávico de vossa orientação psicológica é imensa barreira, massa negativa e passiva, que me resiste com sua inércia. Qualquer mente humana se despedaçaria, sem movê-la, contra essa muralha gigantesca. Mas meu pensamento é um fulgor que abalará as mentes. Se possuís toda a resistência da matéria inerte, eu possuo todo o poder do pensamento dinâmico que desce relampejando do Alto. Vossa psicologia é um fenômeno com sua própria velocidade e massa, lançado ao longo de uma trajetória que resiste a todo desvio. 


O misoneísmo atávico de vossa orientação psicológica ...



Mas eu represento um princípio superior a esse fenômeno e intervenho no momento em que, por sua maturação, a lei impõe uma mudança de rota. Chegou o momento, e vós subireis.
 

Cada vez percebeis melhor o centro deste pensamento que se vai desenvolvendo, não é, nem pode ser, de vosso mundo; é uma síntese tão ampla, poderosa e exaustiva, que jamais foi proferida na Terra. Toda essa massa conceptual, que tendes sob os olhos, move-se do infinito — seu ponto de partida — e daí desce até o vosso concebível. Para quem a procura, esta é a prova íntima, presente em cada página, da origem transcendente da obra, prova real, inerente ao Tratado que o acompanha; prova mais sólida que todas as exteriores que procurais nas qualidades do instrumento e nas modalidades de transmissão e recepção. 

O ângulo visual e a amplidão de perspectiva desta síntese estão, absolutamente, acima de todas as sínteses humanas ao vosso alcance. No entanto, esforço-me num contínuo trabalho de adaptação, a fim de reduzir à vossa capacidade estes conceitos, próprios de planos mais altos. Sem este trabalho, o Tratado teria de desenvolver-se, em grande parte, fora de vosso concebível, por considerar realidades superiores, inimagináveis para vós.
 

Este Tratado satisfaz plenamente à necessidade de vossa ciência atual: reduzir a imensa variedade de fenômenos a um princípio único. Vedes todas as minhas argumentações convergirem para esse monismo sintético: a busca e a necessidade de vosso intelecto. Minha afirmação diz: unidade de princípio em todo o universo; unidade na complexidade orgânica, unidade no transformismo evolutivo. 

Em sua grandiosa simplicidade, esta idéia é a mais poderosa afirmação de vosso século. Esta idéia, tremendamente dinâmica e fecunda, é suficiente para criar uma nova civilização. O conceito de lei, que cada palavra minha reafirma, é ordem, equilíbrio, afirmação; põe em fuga todos os niilismos, pessimismos e ateísmos, a ideia da cegueira do acaso, da atrocidade do sofrimento, da desordem e da injustiça na criação; ela vos torna melhores e vos eleva a cidadãos de um mundo maior, conscientes das leis que o dirigem. 

Mas, uma tal síntese não podia ser alcançada por mentes imersas, no relativo, mas apenas de um ponto de vista que, estando fora da humanidade, pudesse, numa visão de conjunto, contemplá-la toda; ou seja, não podia chegar a vós, senão provindo de um plano mental superior. As páginas que se seguem justificarão estas afirmações, dando-vos novas aproximações do superconcebível que vos ultrapassa.

Colocasteis vossos pontos fixos na Terra, quando, ao invés, eles estão no céu. Os fatos donde moveis, o método da observação e o instrumento da razão, fecham-vos num círculo, sem possibilidade de saída. Jamais discutisteis vós mesmos e nem pensasteis que se devesse superar vosso instrumento — esta é a primeira coisa a fazer. Eu quebro os grilhões e escapo do círculo em que vos haviam trancado vossa ciência e vossa filosofia. 

Era preciso quebrar de uma vez por todas esse anel: análise e síntese, síntese e análise, e encontrar um ponto de partida fora de vosso relativo. Um sistema filosófico ou científico pode ser uma concatenação e uma construção perfeitas, do ponto de vista lógico e matemático. Mas o ponto fixo, a base de onde partis, está sempre lá, no relativo; por isso, vossas construções são em tão grande número e tão diferentes, todas prontas a ruir, logo que sejam deslocadas desse ponto. Muitas vezes vos isolais numa unilateralidade de concepção, elevando-vos, vós mesmos, a sistema.
 

Muitas vezes sabeis, pelo poder da mente, mas depois vosso coração não segue junto. De que serve saber, se não sabeis amar? Separais pesquisa e paixão, mas o homem é síntese feita de luz e calor. Além disso, como pudesteis crer possível chegar sozinhos — por força de análises e hipóteses, esflorando os fenômenos com vossos sentidos limitados — a alguma coisa que ultrapassasse uma síntese parcial, isto é, a síntese máxima? O que tendes sob os olhos? Como pode caber em vosso pequeno mundo terreno, todo o mundo fenomênico? 

Entretanto, eu resolvo, mas mudando de sistema; arraso o método indutivo, para substituí-lo pelo método intuitivo [8]. Mas nem por isso deixo de dirigir-me e de ficar aderente à realidade, verdadeira base de qualquer filosofia. Eu vos digo: as realidades mais poderosas estão dentro de vós. Olhai o mundo, não com os olhos do corpo, mas com os olhos da alma. Os métodos dos quais tanto se ocupam certas filosofias, os métodos clássicos de pesquisa que vos parecem inabaláveis, já deram até agora todo o seu rendimento; são meios superados, que não vos farão mais progredir um passo sequer. 

[8] - Esse problema do método é aprofundado no volume Ascese Mística— parte I: “O Fenômeno”. (31.6) 

12/04/2015


30. 

PALINGENESIA

(Eterno Retorno)











Que vem a ser, neste sistema, o vosso conceito de Divindade? Compreendeis que Deus não pode ser algo mais e exterior à criação, ou distinto dela; que só o homem que está no relativo pode acrescentar a si, ou devenir além de si, não Deus, que é o absoluto. 











Vossa concepção de um Deus que cria fora e além de si, acrescentando algo a si mesmo, é absurda concepção antropomórfica, é querer reduzir o absoluto ao relativo. Não pode haver criação no absoluto. Só no relativo pode haver nascimento e transformação. 

O absoluto simplesmente “é”. Não queirais restringir a Divindade aos limites de vossa razão; não vos eleveis a juízes e à medida do todo; não projeteis no infinito as pequeninas imagens de vosso finito; não ponhais limites ao absoluto. Em sua essência, Deus está além do universo de vossa consciência, além dos limites de vosso concebível. É irreverência aviltar esse conceito para querer compreendê-Lo. 

Constituindo-vos em medida das coisas, colocais como sobrenatural e miraculoso qualquer fato novo para vossas sensações, tudo o que exorbite do que sabeis e conheceis. Mas, a natureza é expressão divina e não pode haver nada acima dela, nenhum acréscimo, nenhuma exceção, nenhuma correção à Lei.Sobrenatural e milagre são conceitos absurdos diante do absoluto, aceitáveis apenas em vosso relativo, aptos a exprimir vosso assombro diante do que é novo para vós e nada mais. 

Neles está contida a idéia de limite e de seu superamento; conceitos inaplicáveis à Divindade. Esta é superior a qualquer prodígio e o exclui como exceção, como retorno ao que já está feito, como retoque ou arrependimento e, sobretudo, como vontade de desordem no equilíbrio da lei estabelecida. Limitai a vós mesmos esses conceitos e não vos julgueis centro do universo. 

A palingenesia: Antigo tratado alquímico.


Guardai para vós os conceitos de tempo, de espaço, de quantidade, de medida, de movimento, de perfectibilidade. Não deveis medir a Divindade como medis a vós mesmos; não tenteis defini-La, muito menos com aquilo que serve para definir-vos a vós mesmos, por multiplicação e expansão de vosso concebível. Se quereis somar ao infinito vossos superlativos, dizei ao infinito: isto ainda não é Deus. 

Seja Deus para vós uma direção, uma aspiração, uma tendência; seja para vós a meta. Se Deus está no infinito — inconcebível para vós em sua essência — nosso finito dele se avizinha por aproximações conceptuais progressivas. Vede como na Terra cada um adora a representação máxima da Divindade que pode conceber, e como, no tempo, essa aproximação se dilata. 

Do politeísmo ao monoteísmo e ao monismo verificais o progresso de vossa concepção, que é proporcional à vossa força intelectiva e progride com ela. A luz aparece mais intensa à proporção que o olhar se torna mais penetrante. O mistério subsiste, mas empurrado cada vez para mais longínquos horizontes. Por mais que este se dilate, haverá sempre um horizonte mais afastado para atingir. 

Ao verificar vossa relatividade que progride, eu não destruo o mistério, mas o enquadro no todo e dele dou a justificação racional, torno-o um mistério relativo, que só existe pela limitação de vossas capacidades intelectivas, que recua continuamente diante da luz, em função do caminho das verdades progressivas; um mistério fechado dentro dos limites que a evolução ultrapassa dia a dia. 

Se a divindade é um princípio que exorbita vossos limites conceptuais, ela lá está a esperar-vos; para revelar-se, espera vossa maturação. Hoje, que finalmente vossa mente está amadurecendo, não é mais lícito, como no passado, “reduzir” aquele conceito a proporções antropomórficas. Hoje, eu já trouxe ao vosso relativo nova e maior aproximação; projetei em vossas mentes a maior imagem que as humanidades futuras terão de Deus. 

Este é um canto mais alto de sua glória. Isto não é irreligiosidade, mas ao invés, pela maior exaltação de Deus, é religiosidade mais profunda. Não procureis Deus apenas fora de vós, tornando-O concreto em imagens e expressões de matéria, mas O “sentis”, sobretudo , em sua forma de maior poder dentro de vós, na idéia abstrata, estendendo os braços para o universo do espírito, que vos aguarda.


Obs: Sinceramente não encontrei referência à palingenesia neste capítulo que venha justificar seu título. Caso encontre retorno e corrijo essa nota.

07/04/2015


29. 
O UNIVERSO COMO ORGANISMO, MOVIMENTO E PRINCÍPIO



Chegados a este ponto e realizada em grandes linhas a exposição do sistema cosmográfico, podeis ter uma ideia aproximada de sua incomensurável grandiosidade. Por simplicidade e clareza, tive que seguir uma exposição esquelética e esquemática. 





Observamos o fenômeno reduzido à sua mais simples expressão de desenvolvimento linear; assim mesmo, que complexidade orgânica e de funcionamento, que riqueza de pormenores, que vastidão e profundidade de ritmo, que grandiosidade de conjunto! Acenei a uma síntese de superfície, mas esta é apenas a seção do dilatar-se de uma esfera; os ciclos, para corresponderem mais exatamente à realidade, teriam de ser esféricos, porque a evolução, espacial em $ \gamma $ , dinâmica em $ \beta $, conceptual em $ \alpha $ etc., — mudando de qualidade em cada fase — constitui verdadeira expansão em todas as direções. 

Vós não possuís sequer as palavras próprias que englobem exatamente todos estes conceitos ao mesmo tempo. Passais dos símbolos e abstrações matemáticas, em que o aspecto mecânico-conceitual do universo está isolado do dinâmico e estático e de outros aspectos que estão além de vossa inteligência, à realidade vestida de miríades de formas, complicada de infinitas minúcias de ações e reações. 

Imaginai a miríade de seres movidos por incessante dinamismo, que exorbitam do universo de vosso concebível, atentos a esse grande esforço da própria evolução, que consiste em conquista de perfeição, poder, consciência e felicidade sempre maiores; impelidos pela Lei, que é o princípio de seu ser, pelo instinto irresistível, pela aspiração máxima; atraídos pela imensa luz que baixa do Alto, cada vez mais alta à proporção que eles sobem. Imaginai os seres todos escalonados, cada um em seu nível, de ciclo em ciclo, tal como concebeis os anjos organizados nas esferas celestes. Imaginai o canto imenso que, da harmonia desse organismo, na ordem soberana dominante, eleva-se de toda parte e um pouco da grandiosa visão se abrirá diante de vossos olhos.
 
Olhai. Cada fase é um degrau, um átimo no grande caminho. As fases matéria, energia, espírito formam um universo. Outros universos seguem e precedem, organizando-se em sistema maior, o que é o elemento de um sistema ainda mais amplo e complexo, sem jamais haver fim, nem no mais nem no menos. O princípio das unidades coletivas (em seu aspecto estático) e dos múltiplos (em seus aspectos dinâmico e mecânico) é a força de coesão que sustenta a estrutura dos universos. 

Como a evolução é palingenesia, que leva do simples ao complexo, do indistinto ao distinto, e multiplica os tipos que levaria à pulverização do todo se essa força de coesão não reorganizasse o diferenciado em unidades cada vez maiores. Viveis, vós mesmos, esse princípio quando, ao progredir na especialização do trabalho, sentis a necessidade de reorganizá-lo; quando, paralelamente ao maior desenvolvimento das consciências individuais, vedes nascer consciências coletivas cada vez mais amplas e mais compactas. 

Assim, todos os seres tendem a reagrupar-se, à proporção que evoluem, em unidades coletivas, em colônias, em sistemas sempre mais abrangentes. Isso vos explica porque a matéria, que consideramos em sua estrutura e em seu devenir, apresenta-se a vós na realidade das formas e não em suas unidades primordiais, mas amalgamada e comprimida em agregados compactos, organizada em unidades coletivas de indivíduos moleculares. É a trajetória da espiral menor que se funde na espiral maior. Da molécula aos universos, a mesma tendência a reorganizar-se num sistema maior, a encontrar um equilíbrio mais completo em organismos mais amplos. 

Por isso, não encontrais moléculas isoladas, mas cristais, verdadeiros organismos moleculares, e amontoados geológicos; não encontrais células, mas tecidos: órgãos e corpos, que são sociedades de sociedades. Sempre sociedades moleculares, celulares, sociais, com subdivisões de trabalho e especialização de atitudes e de funções.
 
Essa possibilidade de estabelecer contatos e ligações entre os mais distantes fenômenos, que é possível por causa da universal unidade de princípio, permitir-nos-á mais tarde reconstruir uma ciência jurídico-social em bases biológicas. Por isso, também não encontrais planetas isolados, mas sistemas planetários; não estrelas, mas sistemas estelares; não universos, mas sistemas de universos. 

Em vosso universo, essa força que cimenta e mantém unidos e compactos os organismos, vós a chamais coesão no nível $ \gamma $ , atração no nível $ \beta $, amor no nível $ \alpha $. Um Princípio Único que se manifesta diferentemente nos diversos níveis e que assume diversas formas, adaptadas à substância em que se revela. Encontrais essa força unificante manifestada na concentricidade de todas as volutas da espiral. Tudo se entrelaça em redor de um centro, o núcleo, o Eu do fenômeno, em cujo derredor gira a órbita de seu crescimento.
 
O princípio das unidades coletivas dispõe as individuações por hierarquia, escalona os seres em diferentes níveis, segundo seu grau de desenvolvimento e suas capacidades intrínsecas. Por isso, o tipo superior domina naturalmente, sem esforço, o inferior, que não tem possibilidade de rebelar-se, porque o mais está totalmente acima de sua compreensão e de sua capacidade de ação. Estabelece-se, desse modo, um equilíbrio espontâneo nos diversos níveis, devido simplesmente ao peso específico de cada individuação. O diagrama das espirais fornece o conceito das hierarquias.
 
Agora, pensai apenas isto: vós não sois somente membros de vossa família, de vossa nação, de vossa humanidade, mas sois cidadãos deste grande universo. São apenas os limites de vossa consciência atual que não permitem que vos “sintais” uma roda da imensa engrenagem, uma célula eterna, indestrutível, que com seu trabalho, concorre para o funcionamento do grande organismo. Esta é a extraordinária realização que vos prepara a evolução às superiores formas de consciência. Quando lá tiverdes chegado, olhareis com pena e desprezo vossas atuais fadigas ferozes.
 
Esta é a visão das esferas celestes, donde promana o hino da vida. É imensa e, no entanto, é simples, em comparação com a visão de seu movimento. Os seres não se detêm nos diversos níveis, mas se movem, num íntimo movimento que os transforma a todos. Em vosso universo físico-dinâmico-psíquico não é apenas a esfera física que é dominada pela energia; esta por sua vez, é dominada pelo espírito, mas, todas juntas constituem todo um incessante
movimento de ascensão, das esferas inferiores às superiores. 

A matéria, o universo estelar, é uma ilha que emergiu do nível das águas do universo inferior. A segunda pulsação produziu uma emersão mais alta, a energia; a terceira, uma emersão utilíssima para vós, o espírito. 

Desse modo, a substância se muda de forma em forma, as individuações do ser elevam-se de esfera em esfera; aparecem, provenientes do infinito, em vosso universo concebível; desaparecem imersas no infinito. No alto, está a luz, o conhecimento, a liberdade, a justiça, o bem, a felicidade, o paraíso; é a grande luz que se projeta, e acende em vós aquilo que, com um pressentimento, está por cima de vossos ideais e de vossas aspirações já elevadas. 

Embaixo estão as trevas, a ignorância, a escravidão, a opressão, o mal, a dor, o inferno, vosso passado, que vos enche de terror no presente e este, por sua vez, será amanhã o passado que também vos encherá de terror. A evolução corresponde a um conceito de libertação dos limites que sufocam, dos liames que estrangulam, é um conceito de expansão cada vez mais amplo do nível físico ao dinâmico e ao conceptual. Por isso, é subida, progresso e conquista. 

Embaixo, nos graus sub-físicos, o ser está apertado em limites ainda mais angustiosos do que são o tempo e o espaço que atormentam vossa matéria; no alto, nos graus super-psíquicos, não apenas caem as barreiras de espaço e de tempo — tal como já ocorre em vosso pensamento — mas desaparecem também os limites conceituais, que hoje circunscrevem vossa faculdade intelectiva. O horizonte do concebível será deslocado imensamente, para mais longe, mas ainda constitui um limite para vós e só podeis superá-lo pela evolução. 

O universo psíquico já é muito mais vasto que os outros dois, o limite tempo-espacial já desapareceu completamente! Vossa mente, é inegável, perde-se em tanta amplidão. Mas deveis compreender, certamente, que o absoluto só pode ser um infinito, porque só um infinito pode conter e esgotar todas as possibilidades do ser. 

Deveis compreender: se sois cidadãos do universo, não sois o universo; sois órgãos e não o organismo; sois um momento do grande todo e não a medida das coisas. Infelizmente, vosso concebível se restringe aos limites de vossa consciência, que só se comunica com o exterior pelas portas estreitas dos vossos únicos cinco sentidos. O que pode acrescentar a isso a maioria das pessoas? Muito pouco, para conceber o absoluto.
 
O limite sensório é restrito e, diante da realidade das coisas, mantém-vos num estado que poderia chamar-se de contínua alucinação. Essa é a base de vossa pesquisa científica.Suponde em vós outros sentidos diferentes e o mundo mudará. A distância que separa os seres não é distância espacial, é um modo diferente de vibrar, em resposta às vibrações do ambiente. Cada ser é um relativo, fechado num limitado campo conceptual. A série infinita dos seres sentirá o universo de infinitas maneiras, inimagináveis para vós. O relativo vos submerge, a consciência que se apóia na síntese sensória é um horizonte circular fechado. 

Não há dúvida que para vós é difícil sair de vossa consciência, superando-a, impulsionando-vos até os mais longíquos horizontes, conquistando novos concebíveis. Mas é isto que vos ajudo a fazer, a isso vos leva a evolução. Quem vive satisfeito com a pequena visão que domina, poderá saciar-se durante algum tempo, mas corre o risco de encontrar grandes desilusões, logo que chegue a mudança da morte.
 
É verdade que muitas coisas que vos estou a dizer, não podeis verificar hoje com vossos meios sensórios. Mas a convergência de todos os fenômenos que conheceis para esses conceitos, vos faz confiar que eles correspondem também às realidades que atualmente não podeis controlar. Tudo está aqui contraído num sistema orgânico completo e compacto.
 
Por que o desconhecido deveria mudar de caminho e fazer exceções num organismo tão perfeito? Quando eu tratar das normas de vossa vida, esta massa enorme de pensamento que estou acumulando constituirá um pedestal que não podereis mais derrubar. Dessa forma, a evolução, acossada por baixo pela maturação dos universos inferiores, ávidos de expansão e de progresso e atraídos pela imensa luz que desce do Alto, fecundando e incentivando a subida, avança qual maré imensa que arrasta todas as coisas.
 
A lei que estudamos na trajetória típica dos movimentos fenomênicos é a lei desta evolução; é o canal através do qual se move a grande corrente; é o ritmo que organiza o grande movimento. Os seres não sobem ao acaso. Para atingir a é indispensável atravessar $ \beta $, e, antes, passar por $ \gamma $ . Ninguém é admitido na fase mais alta a não ser pelo amadurecimento, depois de ter vivido “toda” a fase precedente. Só se pode avançar por degraus sucessivos. Por isto, as formas mais evoluídas compreendem as menos evoluídas, mas não ao contrário. Só depois de haver alcançado a plenitude da perfeição, que advém do fato de ter atravessado todas as possibilidades de uma fase, pode-se passar para a fase sucessiva.
 
Assim avança a grande marcha. A estrada está traçada e não é possível sair dela. A evolução não é um subir confuso, desordenado, caótico, é um movimento perfeitamente disciplinado, sem possibilidade de enganos, nem de imposições.A lei possui um ritmo próprio, absoluto, segundo o qual só se avança por continuidade; é indispensável existir, viver, experimentar, amadurecer, semear e recolher, em estrita concatenação de causas e efeitos. Pode parecer-vos caótico o mundo e os seres misturados e abandonados ao acaso, mas não importa uma aparente confusão espacial, pois cada ser traz em si escrita a lei, inconfundivelmente, na própria natureza. 

Além disso, o caminho evolutivo não é um caminho espacial. O princípio vale mais que o movimento; é o princípio que lhe traça o caminho. Eis o aspecto conceptual (mecânico) do universo, que colocamos acima de seu aspecto dinâmico, o movimento, e além de seu aspecto estático, o organismo das partes. 

O organismo, movimento e princípio, vede como se encontra, mesmo na trindade de aspectos de vosso universo, este conceito de progresso; há uma gradação de amplitude e de perfeição nesses aspectos. Só se passa aos superiores depois de completar e amadurecer os inferiores, completando e amadurecendo o próprio princípio.
 
Por meio de uma dilatação progressiva, a expansão evolutiva transforma-se de física em dinâmica e em conceptual. Essa evolução é a íntima respiração em que vibra todo o universo. Os seres existem como individuações; movem-se segundo a evolução, seguindo o princípio que os rege. O princípio contém, em embrião, todas as formas possíveis, é o desenho que inclui todas as linhas do edifício, mesmo antes que surja a primeira pedra para manifestá-lo. 

A cada momento ocorre a criação, alguma coisa emerge de um nada relativo, surge em realização de algo que estava à espera no germe. Não existe um nada absoluto. O ser toma uma forma nova, vestindo-a como uma roupa, um meio para subir, como um veículo que depois abandonará. O conceito, o tipo já estava fixado, à espera, no princípio que o próprio ser enfeixava em si, e do qual é a manifestação.
 
Assim, as individuações atravessam a série das formas, cujos projetos contém. Cada ser contém em si também aquilo que será a forma que deverá atingir; contém em germe o esquema de todo o universo; não o ocupa, não é o universo inteiro, mas nele se transforma sucessivamente. Por isso, o princípio, mesmo existindo nas formas, é algo acima e independente delas. 

Na realidade, o tempo infinito permitiu que o ser ocupasse formas infinitas; desse modo, o futuro, tal como o passado, está efetivamente presente no todo. Não o está no relativo, onde a forma é isolada e aguarda novos desenvolvimentos. Mas ocorre o desenvolvimento e os universos futuros que atingireis e atravessareis, são dados, existem, foram vividos, são o passado para outros seres, ou seja, são vistos de um ponto diferente, do qual o todo olha para si mesmo. 

Essa relatividade de posições, de passado e de futuro, de criação e de nada, desaparece no absoluto e todas as criações existem no infinito e na eternidade. Só o relativo que se transforma, possui tempo, isto é, ritmo evolutivo. A Lei, sem limites, está à espera, no eterno. O tipo preexiste ao ser que o atravessa, as coisas vão e vêm.
 
Aí está a visão bíblica da escada de Jacó. Os seres sobem e descem. Um chega, outro parte, outro se detém. Somente entre graus afins é possível a passagem por continuidade. Existem universos contíguos ao vosso, que o precedem ou o superam; é apenas isso que torna possível a passagem ao longo da cadeia. Contiguidade, mas não em sentido espacial, mas de afinidade, de semelhança de caracteres, de comunhão de qualidades, de trabalho, de possibilidades na jornada evolutiva. 



Se, do ponto de vista estático, cada universo é um organismo completo em si mesmo, com a evolução, todos os seres se comunicam e se deslocam ao longo dele, de um infinito a outro. Nas fases inferiores à vossa, isto é, $ \gamma $ e $ \beta $, os seres sobem e descem de acordo com o abrir-se e fechar-se da espiral, ou de acordo com a linha quebrada do diagrama da fig. 2; isso acontece por um princípio de necessidade que não admite escolha. 

Trata-se de uma maturação fatal, que o ser segue inconscientemente. Mas, em vosso nível a, aparece um “quid” novo, liberta-se um princípio mais amplo que se chama livre-arbítrio: a livre escolha que nasce paralelamente quando surge a consciência. Podeis acompanhar a evolução ou não acompanhá-la, e fazê-la à velocidade que quiserdes. É a liberdade que preludia a fase +x, em que a consciência humana atingirá o novo vértice e conquistará nova visão do absoluto.
 
Desse modo, vosso mundo humano contém a e é atravessado por seres que sobem e descem; seres que, provindos das formas inferiores de vida, mais próximas de $ \beta $, avançam custosamente, trabalhando na criação do próprio eu espiritual; ou então, seres que, tendo decaído das formas superiores de consciência, abandonam-se à ruína, abusando do poder conquistado. Uns retrocedem, outros avançam; uns acumulam valores, outros os perdem. Existem ainda os que param, indolentes, preferindo o ócio, ao invés de esforçar-se com fadiga pelo próprio progresso. Daí a grande variedade de tipos e de raças no mundo. 

Essa é a substância de vossas vidas. Sois sombras que caminham, consciências em construção ou em demolição. Estais todos a caminho, cada um grita diferentemente com voz da própria alma, luta, agita-se, semeia e acolhe. Livremente, com as próprias ações, lança a semente da qual nascerá aquilo que, mais tarde, constituirá seu inexorável destino. Em vosso nível, é livre a escolha dos atos e dos caminhos; livres a colocação das causas; isso vos é concedido por vossa maturidade de habitantes da fase a. 

No entanto, não é livre a escolha da série de reações e dos efeitos, pois esta é inexoravelmente imposta pela Lei. Cada escolha vos prende ou liberta. O poder de escolher e de dominar aumenta com a capacidade e com o merecimento, que lhe garantem o bom uso. Dessa forma, o determinismo da matéria gradualmente evolui para o livre-arbítrio da consciência, à proporção que esta se desenvolve. 

O livre-arbítrio não é um fato constante e absoluto como em vossas filosofias, em insolúvel conflito com o determinismo das leis da vida; mas é um fato progressivo e relativo aos diversos níveis que cada um atingiu. Por isso, apesar de vossa liberdade, o traçado da evolução permanece inviolável. Essa liberdade é, como vós, relativa, e vossas ações só podem afetar o que se refere a vós mesmos.
 
Eis, pois, em grandes linhas, o imenso quadro da criação. Ciclo infinito, de fórmulas abertas e comunicantes, progredindo das unidades mínimas às máximas, mediante uma elaboração que opera, em todas as profundidades do ser, o progresso da espiral maior, que é movido pelo progresso de todas as espirais menores, até o infinito. 

E, no âmbito de cada ciclo, uma pulsante respiração evolutiva que se inverte e se equilibra num período involutivo, a fim de retomar dessa involução uma respiração mais ampla. Isso se dá desde o infinitamente simples até o infinitamente complexo, e a respiração evolutiva de cada unidade é dada pela respiração evolutiva de todas as unidades menores. O vórtice maior progride por saturação dos vórtices menores que o constituem.
 
Pensai! O progresso de vossa consciência vive pelo concurso e pelo progresso de todos os ciclos menores:
 
eletrônico, atômico, molecular, celular; 

Antes de ser um vórtice psíquico, é um vórtice de metabolismo orgânico, elétrico, nervoso, cerebral, psíquico e, finalmente, abstrato. Todo o passado está presente, indelevelmente fixado por todos os retornos involutivos.Todo o futuro está presente, porque o presente o contém todo, como causa, como princípio, como desenvolvimento, concentrado em estado latente. Se esta derivação do mais, determinada pelo menos, pode parecer-vos absurda, é apenas porque não podeis sair das fases de vosso universo, que constitui todo o vosso concebível. 

O mais é apenas a explosão de um mundo fechado em si mesmo, mas que já continha tudo em potencial.Evolução significa expansão de vórtices, que são depósitos de latências, tal como seria um bloco de dinamite. Não se trata de mais ou de menos substância, o absoluto, que não tem medida, não possui quantidade. Trata-se de transformação, de criação no relativo. É a auto-elaboração que traz à luz $ \beta $ de $ \gamma $ e $ \alpha $ de $ \beta $. Nem por isso digais que o espírito é um produto da matéria.
 
Dizei: $ \gamma $ se eleva até $ \alpha $, revelando o princípio que continha latente em sua profundidade. Pensai! A respiração do átomo, dada pela respiração do universo; a respiração do universo, dada pela respiração do átomo; uma criação sem fim, sem limites, em que tempo e espaço são apenas propriedades de uma fase, além da qual desaparecem; onde o relativo limitado, imperfeito, mas em evolução e inexaurível no infinito, forma e iguala ao absoluto.
 
Dai a tudo isso uma concentricidade, uma coexistência, que não pode ser expressa pela forma linear da palavra, e tereis uma imagem aproximada do universo em sua complexidade orgânica, em sua potência dinâmica, em sua vastidão conceptual.

 

06/04/2015


28. 

O PROCESSO GENÉTICO
DO COSMOS

 



Formação de Estrutura em um Universo LCDM.


Ilustremos, agora, tudo isso, com exemplos. Tal como fizemos antes com o conceito do retorno cíclico, que reconduz a espiral a seu caminho, façamos agora com este conceito do desenvolvimento da espiral maior, produzido pelo desenvolvimento da espiral menor. 















Notemos que, se a linha da criação não é a reta, mas a espiral, isto é devido ao fato de que esta é a linha de menor resistência e de maior rendimento. Tratando-se de realizar um complexo trabalho de destruição e reconstrução, a espiral é a linha mais curta, no sentido de que responde mais imediatamente à lei do mínimo esforço, pela qual se obterá o máximo efeito com o mínimo trabalho. 

No universo estelar, onde tudo acontece por atração, isso ocorre sempre por curvas. Até no nível físico vedes que a linha do menor esforço, lei universal, não é a reta, mas a curva, que responde a um equilíbrio mais complexo e é o caminho mais curto no sentido mais completo, não o espacial, em que vos isolais e limitais vossa concepção de reta.





 

No nível físico vedes, nos movimentos estelares e planetários, a coordenação dos ciclos menores com os maiores, expressão visível do princípio dos ciclos múltiplos. Também o encontramos junto com o outro, o do retorno cíclico, nos fenômenos mais próximos de vós. Observai o círculo pelo qual passam as águas, do estado de chuva ao de rio e de mar e, por evaporação, voltam ao estado de nuvens e chuva; um ciclo contínuo, idêntico, no entanto, a cada rotação muda um pouco, e vai amadurecendo um ciclo maior, o da dispersão das águas por absorção na terra e difusão nos espaços; ciclo que caminha para a lenta morte do planeta. O ciclo volta sobre si mesmo, mas sempre com pequeno deslocamento progressivo de todo o sistema.
 
Observai, em vosso mundo químico, como os elementos que constituem vosso organismo, provêm da terra, introduzidos no círculo pela nutrição, e voltam à terra pela morte. Sempre o mesmo material e o mesmo ciclo, mas que se desloca lentamente ao longo da trajetória do ciclo maior, na transformação da espécie. Observai o ciclo de vosso metabolismo orgânico e como ele constitui função de longa cadeia de ciclos. 

Vosso corpo é uma corrente de substâncias, que tomais de outros seres plasmófagos (animais), que por sua vez os tomaram de seres plasmódomos (as plantas), as quais, finalmente, operam a síntese orgânica das substâncias protéicas do mundo da química inorgânica da terra e do mundo dinâmico das radiações solares. Vosso pensamento é um ciclo mais alto, que se alimenta dessa cadeia, porque não poderia ele subsistir em vosso cérebro sem restauração física e dinâmica. 

Vosso funcionamento psíquico está, assim, em relação com processos químicos de vosso organismo, do organismo dos animais de que vos nutris, das plantas de que os animais se alimentam, dos processos químicos da própria matéria, de que os processos de síntese vital das plantas são apenas uma consequência.

Os ciclos têm de caminhar inexoravelmente, e basta que um deles pare, para que toda a cadeia, também pare e se quebre. Todo o ciclo da energia mecânica e psíquica, que se desenvolve no organismo humano, está em estreita relação com o ciclo da energia química dos elementos que configuram um círculo, pelas suas reduções, hidrólises, oxidações,sínteses e processos afins. Quando a molécula de um corpo químico introduz-se por assimilação no organismo protoplasmático da célula, o ciclo do fenômeno atômico entra, através do ciclo do fenômeno molecular de que faz parte, no ciclo maior do fenômeno celular. 



No mundo das substâncias proteicas, a química do mundo inorgânico acelera seu ritmo, dinamiza-se, adquirindo em velocidade, o que perde como estabilidade de combinação. A individuação fenomênica não mais assume o aspecto de estase mas se torna, como veremos melhor depois, uma corrente, em que nova química instável e fragílima, de ciclo continuamente aberto, decompõe-se e se recompõe no metabolismo celular, base do recâmbio. Isso ocorre em seus dois momentos: anabólico, da assimilação, e catabólico, da desassimilação, quando atinge os vértices da fase $ \beta $, penetrando na fase a, porque isso implica e significa uma pequena consciência celular que preside às funções de escolha, base do recâmbio, e mantém na corrente deste a individuação do fenômeno.
 
A realidade vos mostra esta íntima transformação do ser, da fase $ \gamma $ à $ \beta $ e desta à $ \alpha $, e como isso ocorre por ciclos contíguos e comunicantes. A assimilação é algo mais que simples filtragem osmótica: é a ponte de passagem de um ciclo para outro, em que a estrutura íntima do fenômeno sofre uma mutação. Através de que complexa cadeia de ciclos tem de passar a matéria, em sua íntima estrutura atômica, para chegar a poder produzir efeitos de ordem orgânica e psíquica! De que número de movimentos cíclicos resulta o fenômeno da consciência humana!
 
Estes exemplos mostravam-vos como em realidade existe o conceito da formação progressiva da trajetória dos ciclos maiores, através do desenvolvimento da trajetória dos ciclos menores.

27. 

SÍNTESE CÍCLICA — 

LEI DAS UNIDADES COLETIVAS E LEI DOS CICLOS MÚLTIPLOS




Compreendido bem este conceito do retorno dos ciclos e sua razão, por meio dessa exemplificação, que vos desmonstra como a realidade corresponde ao princípio que vos expus, podemos agora levantar o olhar para um horizonte ainda mais amplo. Antes de proceder a essa exemplificação demonstrativa, já acenamos que o resultado final do abrir-se e fechar-se da espiral pode ser expresso (fig. 4) por uma espiral maior, em constante expansão. 












Agora pode dar-se a essa expressão sintética do fenômeno, uma expressão ainda mais resumida. Considerando o progredir dessa linha maior ao longo da abscissa vertical, vemos que a cada quarto de giro ela cobre a altura de uma fase (fig. 4). Dessa forma, a coordenada das fases -y +x resume, em seu traçado, todo o movimento da espiral e eleva-se com a expansão desta.

Podemos, agora, construir o diagrama da fig. 5. 




A linha maior, em expansão constante, que exprime o progresso da evolução, está aqui traçada simplesmente, abandonando as fases de retorno, expressas no diagrama da fig. 4. 



Ela é vista na pequena espiral da esquerda. 



A abscissa vertical não é mais uma reta, mas uma curva e parte de uma espiral maior, ao longo de cujo traçado escalonam-se as fases sucessivas -y, -x, $ \gamma $ etc. A síntese de todo o movimento evolutivo da primeira espiral é dada, assim, não pelo prolongamento retilíneo da vertical, mas pelo desenvolvimento de uma espiral maior, também de abertura constante. As fases sucessivas, segundo as quais ela avança, são de amplitude maior. Abarcarão, por exemplo, ao invés de uma das fases $ \alpha $, $ \beta $, $ \gamma $ etc., uma criação inteira ou uma série de criações. 



Mas esta espiral maior ascende também segundo uma linha que, igualmente aqui, será uma curva, que faz parte do traçado de uma espiral ainda maior que progride também em abertura constante. O percurso da espiral maior resume em si todo o movimento progressivo da espiral menor que, por sua vez, é produto sintético do movimento de outra espiral menor, assim por diante. 

Desse modo o traçado maior se resume, e é dado por todos os desenvolvimentos menores. O pequeno organiza no grande; o grande é constituído do pequeno. A série das espirais, naturalmente, é ilimitada, cada movimento é decomponível e multiplicável ao infinito — propriedade de todos os fenômenos — mesmo permanecendo idêntico seu princípio. Eis a síntese máxima dos movimentos fenomênicos. O processo avança por um movimento interno de íntima auto elaboração, que liga e une, num modo indissolúvel e compacto, o infinito negativo ao infinito positivo. 

Um mecanismo de exatidão matemática dirige, toda a criação, com a simplicidade de um princípio único e alcançando uma complicação que vos atordoa. Tudo se compenetra, coexiste; tudo, a cada instante equilibra-se; tudo, do mínimo fenômeno até a criação dos universos, encontra em cada ponto, sua justa expressão.

À série de unidades coletivas (pelas quais as unidades menores se organizam em unidades maiores e a tendência à diferenciação que a evolução produz, compensam-se em reorganizações mais amplas, de tal forma que a auto elaboração não desagrega nem pulveriza, mas consolida a estrutura do cosmos), corresponde aqui a série dos ciclos múltiplos

Cada individuação é um ciclo; se tudo o que existe constitui uma individuação em seu aspecto estático, compõe um ciclo em seu aspecto dinâmico de transformação. Na infinita variedade do caso particular, tudo reencontra sua unidade, o princípio único que irmana todos os seres do universo. Assim como cada individualidade maior é o produto orgânico das individualidades menores, assim cada ciclo maior é produzido em seu desenvolvimento pelo dos ciclos menores. 

A evolução do conjunto só pode obter-se por meio da evolução de suas partes componentes: processo de maturação íntimo e profundo. Em cada nível, a qualquer distância, o mesmo princípio, idêntica construção orgânica, idêntico processo evolutivo, idêntica conexão funcional. Como não existe individuação máxima nem mínima, assim também não há ciclo máximo nem mínimo, sem jamais ter fim. O sistema prolonga-se, multiplicando-se, subdividindo-se ao infinito. 



A constituição íntima do ser, a lei de sua transformação é independente da fase de evolução, mas é idêntica no microcosmo tal como no macro cosmo.

A lei das unidades coletivas pode, por isso, transportar-se de seu aspecto estático ao dinâmico. Diz ela: “Cada individualidade é composta de individualidades menores, que são agregados de individualidades ainda menores, até o infinito negativo; por sua vez, é elemento constitutivo de individualidades maiores, as quais são de outras ainda maiores, até o infinito positivo”. Cada organismo é composto de organismos menores e é componente de maiores. 

A lei, repetida em seu aspecto dinâmico na lei dos ciclos múltiplos, reza: “Cada ciclo é determinado pelo desenvolvimento de ciclos menores, que são a resultante do desenvolvimento de ciclos ainda menores, até o infinito negativo; por sua vez, é a determinante do desenvolvimento de ciclos maiores, que por sua vez o são de ciclos ainda maiores, até o infinito positivo”. 

Cada individualidade, como cada ciclo, é produzida e definida pela unidade que a precede; forma e define a unidade superior. A organização, o desenvolvimento, o equilíbrio maior é constituído pela organização, pelo desenvolvimento, pelo equilíbrio menor. Cada movimento constrói o seguinte, da mesma forma como foi construído pelo precedente. Cada ser equilibra-se num ponto da série, na hierarquia das esferas, que não tem limites. 

Isto do átomo à molécula, ao cristal, à célula, à planta, ao animal, a seu instinto, ao homem, à sua consciência individual e coletiva, à sua intuição, à raça, à humanidade, ao planeta, ao sistema solar, aos sistemas estelares, aos sistemas de universos, antes e além desses elementos de vosso concebível, antes e além das fases $ \gamma $ , $ \beta $, $ \alpha $. Eis a que processo de íntima auto elaboração deve a evolução. Nenhuma força age nem intervém do exterior, mas tudo existe no fenômeno e tudo caminha por síntese progressiva. Progresso e decadência cósmica se ressentem da evolução e do esgotamento atômico. Os extremos se tocam. A grande respiração do universo é dada pela respiração do átomo.

05/04/2015


26. 

ESTUDO DA TRAJETÓRIA TÍPICA DOS
MOVIMENTOS FENOMÊNICOS






É indispensável, todavia, em primeiro lugar, aprofundar ainda mais o estudo e passar da simples exposição descritiva dos movimentos fenomênicos, ao campo dos íntimos porquês. 









Cada fase, antes de estabilizar-se em definitiva assimilação ao sistema, é percorrida três vezes, progredindo, e depois duas vezes, regredindo; isto significa ser vivida cinco vezes, em direções opostas. A razão desse retorno cíclico de duas fases involutivas sobre três evolutivas, é exigida pelo fato de que o voltar a existir, três vezes repetidas, no nível de cada fase, é a primeira condição para a sua assimilação profunda no ser que em si mesmo a fixa. Trata-se de uma vida tríplice, em três posições diferentes, que o ser tem de viver em cada degrau, a fim de poder dominá-lo definitivamente. 

Nas duas fases de regresso, o passado volta, o ser resume, relembra e revive. Assim, o que é novo fundamenta-se em bases novamente consolidadas. 

O conceito fundamental que existe na ideia de trindade é um princípio de ordem e de equilíbrio


Triquetra: é um talismã de origem celta, simboliza a vida, morte e renascimento.


Outro significado dessa descida: ela representa a desintegração do velho material de construção, para nova construção, germe de potencialidade maior, porque só esse núcleo mais poderoso pode alcançar culminâncias mais altas, exatamente como faríeis se quisésseis, em lugar de velha casa de dois pavimentos, construir outra de seis. 

Só através desse processo de íntima destruição e reconstrução, o fenômeno elabora-se e amadurece; só através desse retorno sobre si mesmo, dessa compressão pelo vórtice, dessa fase de concentração, o impulso é fecundado para ascensões maiores. Esse refazer-se desde o início, voltando sobre o próprio caminho, é um concentrar-se do fenômeno sobre si mesmo, a fim de explodir com maior força. 

Para avançar, primeiro é preciso retroceder, demolir o que está velho, depois reconstruir, sempre partindo do princípio, colocando em alicerces mais sólidos as bases de um organismo novo de maior potencialidade e destinado a um maior desenvolvimento. Pois na lei tudo avança por continuidade, (“natura non facit saltus” — “a natureza não dá saltos”), e cada progresso tem que ser profundamente amadurecido.

Compreendereis ainda melhor, ao passar dos conceitos abstratos à exemplificação de casos concretos. Verificareis como vossa realidade corresponde aos princípios expostos acima. Essa necessidade de refazer-se desde o início, reaproximando-se das origens do fenômeno é universal. Para reedificar, é preciso destruir. O ciclo, proporcionado pela espiral que se abre e se fecha, é a linha da transformação de todas as formas do ser. Se, por vezes, parece-vos não ocorrer assim, é porque só tendes sob os olhos fragmentos de fenômenos. A unidade do princípio permite-nos descobrir exemplos nos campos mais díspares.

No universo da matéria, $ \gamma $ , encontrais a linha da espiral no desenvolvimento das nebulosas. Aí a matéria é um vórtice centrífugo de expansão, projeta-se no espaço, numa poeira sideral, precisamente formando uma espiral, que apresenta sua própria juventude, madureza e velhice; isto é, atinge um máximo de abertura espacial provocada pelo impulso que o vórtice, germe do fenômeno, imprimiu-lhe, máximo que não pode superar. 



Depois disso, retrocede. O ciclo torna a fechar-se sobre si mesmo porque, enquanto a espiral se abre, partindo do nível $ \gamma $ , ocorre aquela íntima elaboração da matéria de que falamos na série estequiogenética, pela qual a matéria se desagrega e $ \gamma $ volta a $ \beta $

Como vimos, a energia se canaliza por sua vez em correntes, que determinam um vórtice centrípeto, concentração dinâmica (período involutivo do ciclo) num núcleo (de novo $ \gamma $ ), que constituirá o germe de um vórtice inverso centrífugo (período evolutivo do ciclo), isto é, de nova expansão sideral. Mas desta vez, $ \beta $, novamente reconstituída, assumirá os mais altos caminhos da vida e da consciência, enquanto nos confins de vosso universo, onde b ainda não amadureceu, vê-la-eis dobrar-se sobre si mesma para $ \gamma $ , assim por diante.

No campo da vida, a abertura da espiral não é um vórtice físico nem espacial: é dinâmico. Centro, expansão, limites e retornos são de caráter exclusivamente dinâmico. Nunca perguntastes por que tudo tem de nascer de uma semente? Por que o desenvolvimento subsequente não pode ultrapassar determinados limites? Por que a decadência da velhice que vai chegando em todas as coisas? Também a vida é um ciclo, com a sua fase evolutiva e involutiva, e o inexorável retorno ao ponto de partida. Que vem a ser esta mecânica que reconduz tudo ao estado de germe, esse processo da natureza por meio de contínuos regressos ao estado de semente, se não a expressão mais evidente da lei de evolução e involução cíclica? 

Na semente, o fenômeno da vida torna a fechar-se em si mesmo, num núcleo que é o centro de nova expansão. Assim por pulsações alternadas da fase de germe à fase de maturidade, procede ininterruptamente a vida. Essa íntima lei do fenômeno, momento da lei universal, estabelece os limites da forma completa, depois a destrói e reconcentra toda a sua potencialidade num germe. 

Este, de modo inexplicável, não produz o mais vindo do menos, mas simplesmente restitui o que está nele incluso por involução. Sem este inexorável retorno sobre si mesmo, que está na lei dos ciclos, a forma teria que progredir ao infinito ou então, decaindo, jamais ressurgiria para retomar, dentro de pouco tempo, em direção oposta, o mesmo caminho. Se os limites podem deslocar-se e os máximos elevar-se, isto não diz respeito ao ciclo inviolável das vidas individuais, mas ao desenvolvimento em que elas estão concorrendo, do ciclo maior de evolução e involução da espécie, sujeito a essa mesma lei.

Uma vez mais, o progresso só avança por meio de contínuos retornos a um ponto de partida que, gradualmente, desloca-se para frente. Dessa forma, o progresso das espécies orgânicas não é retilíneo, tal como viu a mente de Darwin, mas alterna-se em constantes retornos involutivos. 


Charles Darwin e sua obra: A Origem das Espécies.



Semelhante a esse caso, que as leis da vida vos oferecem, toda a criação é feita e funciona por meio de germes, à qual se segue um desenvolvimento, à semelhança de quem para construir um edifício cada vez mais alto, tem que refazer os alicerces, a fim de estabelecer bases cada vez mais sólidas. 

Vedes que cada existência é filha de uma semente, cada fenômeno está potencialmente contido num germe. Reencontrais essa lei até mesmo na evolução e involução dos universos, que são por ela levados a refazerem-se sempre, desde sua fase inicial, que pode ser -y, -x, $ \gamma $ , $ \beta $, a etc., à fase-germe em que estão inclusas e concentradas, por involução, todas as potencialidades que se desenvolverão na evolução geradora das fases superiores. 

Cada fase é percorrida, isto é, vivida, uma vez que completou a assimilação, retorna à anterior como fase ou germe de evolução de novas fases, sempre mais altas. Tudo sobe mediante contínuos retornos sobre si mesmo, do máximo ao mínimo. Tudo funciona por germes.
 

Olhai em torno de vós. Cada fato nasce por abertura de um ciclo: começa, expande-se até um máximo, depois retorna sobre si mesmo. Tudo procede assim. Qualquer coisa que queirais fazer, tereis de abrir um ciclo que depois fechará. A semente de vossos atos está no vosso pensamento; cada ação vos proporciona uma semente mais complexa, capaz de produzir outra ação ainda mais complexa. Tal como a semente produz o fruto e o fruto produz a semente, o pensamento produz a ação e a ação produz o pensamento. O princípio da semente, como o encontrais na natureza, é o princípio universal de expansão e contração dos ciclos.
 

Encontrais em vossa própria vida humana outro aspecto. Os primeiros anos de vossa existência resumem, primeiro organicamente e depois psicologicamente (vede como a fase $ \alpha $ sucede à fase $ \beta $), todas as vossas vidas orgânicas e psíquicas do passado. A cada nova retomada de um ciclo de vida, vosso ser tem que refazer-se desde o início, embora reassumindo por breve período, a fim de levar o ciclo da nova evolução a um ponto máximo, gradualmente mais adiantado. 

Assim $ \beta $, em sua fase mais alta — a fase da vida humana — também é dada pelo abrir-se e fechar-se da espiral, através da qual progride todo o sistema. Vosso atual nível de vida orgânica mais alto toca a fase $ \alpha $, prepara-vos para a criação do espírito. 

Assim vemos Vosso atual nível de vida orgânica mais alto toca a fase a, prepara-vos para a criação do espírito. Assim vemos repetir-se a lei cíclica também no campo da consciência, individual e coletiva. No primeiro caso, o processo genético de vossa consciência atua seguindo a mesma linha de desenvolvimento traçada no processo genético do cosmo, isto é, espiral dupla e inversa. 

Sua abertura é a ação, que explode irresistível, como o maior instinto da vida e a manifestação mais evidente da lei, nas consciências jovens, inespertas, que tentam o desconhecido. A ação é o primeiro grau de a, contíguo a $ \beta $. Com efeito, está cheio de energia e vazio de experiência e sabedoria. A vida humana é uma série de provas, de tentativas, de experiências. 

Mas nem por isso digais: 

“vanitas vanitatum” ( "vaidade das vaidades" ). 



Se nada se cria (em sentido absoluto), também nada se destrói. Vossos atos, vossas experiências, vossas reações ao ambiente, fixam-se em automatismos psíquicos, tornam-se hábitos, e depois serão instintos e ideias inatas. Assim, a vida orgânica desgasta-se, mas é construção de consciência; o ciclo dinâmico exaure-se, mas de seu exaurir nasce e desenvolve-se a fase a, até um máximo, dado pela potencialidade da consciência, tal como existia no início do ciclo. 

Mas aqui a expansão da espiral e seus limites de desenvolvimento são de caráter psíquico. Mudam o nível e a matéria, mas tudo repete a mesma lei. Aqui o vórtice diz respeito ao universo espiritual da consciência, mas o princípio de seu movimento é idêntico . Chegando ao seu máximo, o ciclo se cansa e envelhece, volta a seu ponto de origem, para $ \beta $, e a espiral se fecha. 

O ponto máximo de vossa vida psíquica custa a chegar e, por vezes, só aparece no fim, muito depois da juventude do viço físico, última delicada flor da alma. Depois a consciência dobra-se sobre si mesma, vem a reflexão, o fruto da experiência é absorvido e assimilado, chega a maturidade do espírito num corpo decadente. 

Poucos, só os evoluídos, chegam rápido; muitos chegam tarde; alguns, os mais novos na vida psíquica, nunca chegam. Assim o ciclo, esgotado seu impulso — que é proporcional à potência de explosão concentrada no germe da personalidade — retorna sobre si mesmo. A consciência refaz-se sobre o passado, reconcentra-se, reentra em si mesma, fecha-se à ação e à experiência: tudo assimilou. É o caminho da descida, que preludia novo impulso de ação em nova vida, novo aparecimento no mundo de provas, mais ampla experiência, uma retomada do ciclo precedente, mas em nível mais alto, porque seu ponto de partida foi mais alto.
 

Com essa nova descida, $ \beta $ torna-se mais fecunda e, da fase intermediária, torna-se base e semente do desenvolvimento de mais vasta série de ciclos que, em virtude das construções espirituais realizadas, com que os germes tornam-se mais potentes, atingirão a fase +x e seguintes. 
No campo das consciências coletivas encontrais, nas leis cíclicas, a razão do desenvolvimento e da decadência periódica das civilizações. Também aqui ocorre o mesmo fenômeno. Cada civilização, depois de uma juventude conquistadora e expansionista, atinge um máximo de maturidade, que não pode ultrapassar. Uma fatalidade que parece condenar os povos e, em dado momento, diz: “Basta”! É apenas a expressão da lei dos ciclos. Cada civilização constitui um produto espiritual coletivo: é a criação de uma alma mais vasta que a individual; deriva de um germe que potencialmente a continha toda e a levará até um máximo, além do qual não há expansão; e a maturidade só pode resultar em putrefação e decadência. 

Como todos os fenômenos, também este se esgota, se cansa, envelhece, decai e morre. Para avançar novamente, é indispensável percorrer o ritmo involutivo, a fim de recomeçar desde o início, partindo de novo germe que sintetize o máximo anteriormente atingido: novo ciclo de civilização, que poderá alcançar, por sua vez, um máximo ainda mais elevado, assim por diante. Todo o sistema dos ciclos de civilizações caminha, desse modo, lentamente, por máximos sucessivos, com alternativas de florescimentos, decadências e mortes, renascimentos e recomeços. 

É nesse curso cíclico do fenômeno que encontrais a razão da ascensão contínua das classes mais baixas da sociedade. É o desenvolvimento da linha da evolução que sempre impele para frente as camadas inferiores dos povos. Sem este conceito, não poderíeis explicar como elas constituem uma reserva inexaurível de valores desconhecidos, de que tudo consegue nascer. 

O povo é a semente das sociedades futuras; as aristocracias de toda espécie são suas sentinelas avançadas, a flor que, terminado seu desenvolvimento, deve curvar e morrer. As classes sociais inferiores só têm uma única aspiração: subir, atingir o nível das mais altas, para imitar, por sua vez, também seus vícios e erros que, no entanto, condenavam, e cair afinal na mesma conjurada estrada de cansaço e de ignomínia, logo que hajam superado a maturidade do ciclo. 

Dessa forma, por turnos e por ciclos, subindo ou descendo, como vencedores ou como vencidos, todos vivem a mesma lei: indivíduos, famílias, classes sociais, povos, humanidade. Mas a cada volta, o ciclo torna-se cada vez mais amplo, o organismo torna-se cada vez mais complexo. 



A história vos mostra que a primeira e mais simples das emersões progressivas foi dada pelos ciclos individuais; depois pelos ciclos familiares, depois investem contra classes sociais inteiras, contra povos e nações, enfim, como agora, contra a humanidade. O ciclo torna-se cada vez maior, as grandes massas fundem-se nele, até o tempo presente, em que a humanidade se torna um só povo; é chegada a hora de retomar o ciclo mais vasto de nova civilização.
 

Assim, em $ \gamma $ , $ \beta $, $ \alpha $, em qualquer parte, realiza-se o princípio da lei que vos descrevi. A espiral abre-se e fecha-se, seguindo períodos inversos de expansão e contração, volta sempre pelo caminho percorrido, para através dessa concentração de forças, tomar impulso para maiores expansões. 

Tudo é cíclico, tudo vai e vem, progride e regride, mas só retrocede para progredir mais. E, se repete, resume e repousa, isto representa apenas uma retomada de forças, um deter-se para avançar mais para o alto. Esta é a evolução em seu íntimo mecanismo; a evolução que contém o significado mais profundo do universo. A verdade de minhas palavras está escrita em vosso mais poderoso instinto e aspiração, que é a de subir, sem medida; subir eternamente.