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16/04/2015


37. 

CONSCIÊNCIA 

E SUPER- CONSCIÊNCIA. 

SUCESSÃO
DOS SISTEMAS TRIDIMENSIONAIS






Para compreender bem a passagem para as dimensões sucessivas deste segundo sistema, comparemo-lo ao primeiro. 







Enquanto este, em seu desenvolvimento, completa a dimensão espacial, o sistema seguinte, superior, que é vossa fase no nível humano, completa a dimensão conceptual, aquela cujas unidades de medida são as propriedades da consciência. 

Tal como ocorre nos universos precedentes quanto à gênese progressiva do espaço, temos nesta unidade superior a gênese progressiva da dimensão conceptual. Na fase $ \gamma $, está completa a dimensão espacial, mas é nulo o desenvolvimento da dimensão conceptual: 

o ponto, um germe

Em $ \beta $ aparece sua primeira manifestação: 

o tempo. 




O ponto movimentou-se, não mais em direção espacial, mas em nova direção conceptual, e nasce a reta, a primeira dimensão nova. Ao deslocar-se no tempo, o fenômeno adquire, em $ \beta $ uma consciência própria, linear, a primeira dimensão conceptual. 



O fenômeno, que não é ainda vida, nem consciência, sabe apenas o seu isolado progredir no tempo; não se expande além da linha de seu devenir, não se eleva a julgamento, como a consciência humana, não sabe sequer dizer “Eu”, porque ignora qualquer distinção e a consciência do não-eu, aqui, é o inconcebível. Compreendamos, também aqui, não um tempo universal, isto é, a medida do devenir fenomênico; mas a dimensão desta fase, ou seja, a consciência (linear) do devenir. 

Entendido assim, esse tempo só nasce em $ \beta $ como propriedade da energia. Com efeito, apenas as forças tomam a iniciativa do movimento, tendo como dominante a característica dinâmica e dominam $ \gamma $ , a terceira dimensão espacial, característica da matéria, que sofre esse movimento, não o inicia. 

Nas fases inferiores só existe o tempo em sentido mais amplo, entendido como ritmo do devenir, propriedade de todos os fenômenos; mas não como consciência do transformismo, propriedade das forças. Facilmente compreendeis que revolução trazem esses conceitos em vossa ordem habitual de ideias.

Em a estamos na fase subumana e humana de consciência mais completa, e temos a segunda dimensão conceptual, correspondente, no sistema espacial, à superfície. Tal como da linha se passa à superfície, com deslocamentos em novas direções extra-lineares, assim, por deslocamentos semelhantes, a consciência humana invade o devenir de outros fenômenos, diferencia-se deles, aprende a dizer “eu”, a perceber a própria individualidade distinta das outras, dobra-se sobre o ambiente, projeta-se para fora (a nova dimensão), observa e julga. 

Os sentidos são os meios dessa projeção para fora, característica da segunda dimensão, meios que na primeira eram desconhecidos. Em +x aparece a terceira manifestação de dimensão conceptual que completa o sistema, correspondente ao volume. 

A consciência que, na matéria, não tem dimensão (o volume é a dimensão espacial completa, mas diante do sistema sucessivo é uma não-dimensão, o ponto), no campo das forças assume a dimensão linear; no campo da vida alcança a dimensão superfície; no campo absolutamente abstrato do puro espírito adquire a dimensão de volume. 

As limitações de vosso concebível impede-me de lançar-me aos sistemas sucessivos, cada vez mais espirituais e rarefeitos, que se estendem ao infinito. Ao invés, expliquemos as características da segunda dimensão (consciência) em relação às da terceira (super-consciência).


As limitações de vosso concebível ...

Da mesma forma que a superfície absorve a linha, a consciência absorve o tempo e o domina; enquanto as forças precisam do tempo, o pensamento o supera. Na passagem da fase $ \beta $ à fase $ \alpha $, a dimensão tempo tende a desvanecer-se, embora subsistindo, mas em tal aceleração de ritmo (onda) que vos pareceria quase desaparecer em nova dimensão. 

Com efeito, quanto mais baixa e material é a consciência, tanto mais é lenta e se assemelha a $ \beta $; enquanto mais concreto o pensamento, mais denso é o ritmo e mais vagarosa a onda. O pensamento implica tempo, somente enquanto, e na medida em que ainda é energia; quanto mais é cerebral, racional, analítico, tanto menos é abstrato, intuitivo, sintético. Neste segundo sistema tridimensional, assistis a uma aceleração contínua de ritmo. Nessa aceleração o tempo é gradualmente absorvido. 


Por sua vez, a super-consciência domina e absorve a consciência, tal como o volume o fez com a superfície. Explico: 

a consciência humana, derivada por evolução de $ \beta $, através da profunda elaboração da vida, não é linear; 

isto é, não é limitada em si mesma nem a um fenômeno, e pode sair e mover-se em todas as linhas de superfície, em todas as direções, abraçando como consequência, muitíssimos fenômenos.
Por isso, é absolutamente hiper espacial. Mas, de qualquer forma, é sempre dimensão de superfície, à qual está inexoravelmente ligada enquanto não evoluir. Isso significa que está presa ao relativo, que só pode mover-se no finito, que só sabe conceber por análise, isto é, por meio da observação e da experimentação, tal como vossa ciência. 

Domina todas as linhas do devenir fenomênico, mas toda a sua vida está na superfície e dela não pode sair. Jamais vos perguntastes a razão dessa vossa insuperável relatividade, desses limites que restringem vosso concebível, dessa vossa incapacidade de visão direta da essência das coisas? Eis a resposta com expressão geométrica. 

Vossa consciência é segunda dimensão, de superfície e, como superfície, é uma contínua impotência diante do volume, sua dimensão superior. Para atingir o volume, é indispensável que a superfície se mova em nova direção; para atingir a super-consciência é necessário multiplicar a consciência por novo movimento. Dessa forma e só por multiplicação de análise podeis aproximar-vos da síntese. 

A super-consciência é dimensão conceptual volumétrica, que se obtém ao elevar uma perpendicular sobre o plano da superfície da consciência, conquistando, dessa maneira, um ponto de vista fora do plano: 

o único ponto que pode dominá-la totalmente. 

Por isso, só a super-consciência sobrepuja os limites de vosso concebível, domina o relativo na visão direta do absoluto, domina o finito, movendo-se no infinito; não mais concebe por análise, mas por síntese. São esses conceitos que escapam à vossa consciência e, nesse nível, não podem ser alcançados. Somente assim se passa do relativo ao absoluto, do finito ao infinito. 

Este não constitui uma sucessão nem uma soma de relativos, mas algo qualitativamente diferente: diferença de qualidade, de natureza, não de quantidade, nem de medida. O verdadeiro infinito é isso, bem diferente de tudo o que costumais chamar, é simplesmente um indefinido ou incomensurável. 

A super-consciência move-se numa esfera mais alta que a consciência humana, em contato direto com os princípios que vós laboriosamente procurais, tentando alcançá-los em sínteses parciais, e que só sentireis diretamente por meio de vossa evolução. Como vedes, diferença substancial. 

Não se trata de somar fatos, observações e descobertas; de multiplicar as conquistas de vossa ciência; trata-se de mudar-vos a vós mesmos. Não mais o lento e imperfeito mecanismo da razão, mas da intuição rápida e profunda. Não mais projeção da consciência para o exterior, por meios sensórios que apenas tocam a superfície das coisas, mas expansão em direção totalmente diversa, para o interior: percepção anímica direta, contato imediato com a essência das coisas.

Eis a consciência maior que vos aguarda. Essa é a consciência que no princípio chamamos latente, dilata-se continuamente, aumentando-se com os produtos de vossa consciência. Em vós, a super-consciência está em estado de germe, que espera o desenvolvimento para revelar-se. Agora compreendeis que valor dar às palavras razão, análise, ciência, que vos parecem ser tudo. 

Para progredir mais, tereis de sair do plano de vossa consciência, a que penosamente estais presos, e conquistar um ponto fora dela. As intuições do gênio e as criações morais do santo são apenas perpendiculares levantadas no plano da super-consciência por antecipação. Por isso vos disse que a intuição é a nova forma de pesquisa da ciência futura; somente ela pode dar-vos, não mais ciência, mas sabedoria. 

Isto vos explica o inexorável relativismo de vossos conhecimentos, vossa limitação e relatividade de sínteses, a escravidão da análise, uma impotência apriorística de alcançar o absoluto. A superfície jamais vos dará, embora percorrida em todos os sentidos, a síntese volumétrica. Razão e intuição, análise e síntese, relativo e absoluto, finito e infinito são dimensões diferentes, produzidas em planos diferentes. 

Absoluto e infinito estão em vós em estado de germe, tremem na profundidade de vosso eu como um pressentimento: nada mais. Aí vos espera a maior aproximação conceptual da divindade. Eu estou neste plano mais alto, de consciência volumétrica, onde se domina todo o tempo, até mesmo o futuro, porque estamos fora e acima de vosso tempo; aqui a concepção é visão global instantânea de tudo o que só concebeis sucessivamente; aqui tenho, por visão direta a síntese que agora vos transmito. 

Destes planos mais altos, descem as revelações que se comunicam a vós por sintonização de ondas psíquicas, partindo de seres de outra esfera; consciências imateriais não perceptíveis aos vossos sentidos, que vossa razão não pode individualizar.

Destes planos mais altos, descem as revelações ...


Assim sucedem-se as três dimensões de $ \beta $, $ \alpha $, +x. Tal como $ \gamma $ , matéria, vos deu o espaço, assim temos:

1º O tempo, isto é, o ritmo, onda, unidade de medida de dimensão de $ \beta $ = energia.

2º A consciência, isto é, a percepção externa, razão, análise, finito, relativo, dimensão de a, a fase vida, que se culmina no psiquismo humano.

3º A super-consciência, isto é, a percepção interna, intuição, síntese, infinito, absoluto, dimensão de +x, a fase super-humana [9].

Assim, as dimensões sucedem-se por trindades sucessivas e contíguas, na escala progressiva da evolução: desde o ponto, até a linha, a superfície, o volume, o tempo, a consciência, a super-consciência, numa contínua dilatação de princípio. Tudo evolui. 

E, com os universos, também suas dimensões. Agora, podeis compreender como a abertura de uma espiral maior, produzida pela abertura de uma menor (cfr. diagrama fig. 5) não ocorre em sentido espacial, porque a dimensão muda a cada abertura de ciclo, mas no sentido da evolução que é, como dissemos, a dimensão do infinito. 

O infinito + e o infinito - ( + $ \infty $ e - $ \infty $ ) que, no diagrama, aparecem com expressão espacial, têm, assim, na realidade, outro valor totalmente diferente. As dimensões aparecem e desaparecem ao progredirem. Assim, morrerá o espaço com a matéria, o tempo com a energia, a relatividade com a consciência; mas a Substância ressurgirá em formas e dimensões mais altas, assumindo sempre novas direções. 

Cada dimensão é relativa e, na evolução, segue uma precedente, mas vem antes de uma seguinte e existe sempre um degrau mais alto para subir, uma fase superior o aguarda. A cada salto para frente conquista-se o domínio da própria dimensão, que antes não era acessível senão sucessivamente. O campo de ação e visão dilata-se: do alto se domina o que está embaixo. 

Reencontramos ainda o princípio da trindade em toda a parte; nas três fases de vosso universo: matéria ( $ \gamma $ ), energia ( $ \beta $ ), espírito ($ \alpha $); em seus três aspectos: estático, dinâmico, conceptual (ou mecânico); nos dois sistemas dimensionais observados: 

linha, superfície, volume (espaço); tempo, consciência (relativo) e super-consciência (absoluto).






[9] - Um estudo mais particularizado e profundo desta fase foi experimentalmente continuado no volume Ascese Mística - “O Superconsciente” (37.11).

Superconsciente” (37.11)



15/04/2015


36. 

GÊNESE 

DO ESPAÇO E DO TEMPO







Agora podeis compreender o que é e como ocorre a gênese do espaço e do tempo e o seu término. Podeis atingir a explicação científica das palavras do Apocalipse:

“Então o Anjo jurou por Aquele que vive nos séculos dos séculos, que agora não haveria mais tempo”(Apoc. 10:6). 








Tudo o que nasce, tem de morrer, isto é, tudo o que teve princípio, tem de ter fim. Como tudo, evoluindo, deixa os despojos da velha forma; também, deixa, para assumir outra mais elevada e mais adequada, a velha dimensão que não lhe serve mais. Como são infinitas as fases evolutivas, infinitas também são as respectivas dimensões. 

Eis como nosso olhar pode superar o tempo e o espaço, que são apenas duas dimensões contíguas, entre as infinitas dimensões sucessivas. Falaremos a respeito das mais próximas ao vosso concebível, correspondentes às várias fases de evolução. Isto para chegar à conclusão, que antecipo: também o devenir das dimensões é cíclico e segue a lei do desenvolvimento, expressa pela trajetória típica dos movimentos fenomênicos e pela lei das unidades coletivas: 

ou seja, cada dimensão é um período que se reagrupa em períodos maiores trifásicos, os quais se reagrupam em períodos ainda maiores, até o infinito. 

A dimensão infinita, que compreende todas as menores, é precisamente a evolução. Como cada fase tem sua dimensão, assim também o infinito tem a sua; a dimensão do infinito é a evolução. Eis que superamos o limite e, também nesta direção, encontramos o infinito.

Analisemos agora as dimensões contíguas ao espaço e ao tempo, suas propriedades e sua gênese. Quando dizeis espaço a três dimensões, confirmais estas afirmações, pois enunciais as três manifestações sucessivas dimensionais do espaço que, como vedes, é uma unidade trifásica. 

Olhemos novamente o diagrama da fig. 2. A fase $ \gamma $, matéria, representa a dimensão espaço completa. Eis a gênese progressiva. Na fase -z, temos a dimensão espacial nula: 

o ponto. Isso não significa que o universo -z seja puntiforme, mas que naquela fase, o espaço só existia em germe, à espera do desenvolvimento (vórtice fechado), e que, ao invés, existia uma dimensão diferente, fora de vosso concebível. 

Em -y aparece a primeira manifestação da dimensão espaço, isto é, a linha, aquela que denominais sua primeira dimensão: 

é a primeira e mais simples forma do espaço, em seu aparecimento. A segunda manifestação, mais completa, aparece na fase seguinte, -x, e revela-se como superfície, a que denominais segunda dimensão. A terceira e última manifestação, que completa a dimensão espacial, aparece em $ \gamma $, na matéria, e revela-se como volume, é a terceira dimensão do espaço.

Agora compreendeis como nasceu o espaço, porque a matéria tem, como dimensão, um espaço a três dimensões, dado por três momentos sucessivos. Também reencontrais este princípio geral: 

“a manifestação de uma dimensão é progressiva e ocorre em três graus contíguos”. 

A enunciação deste princípio vos demonstra o absurdo da procura de uma continuação quadridimensional num sistema com três dimensões. A continuação vos obriga a sair das três dimensões.

Prossigamos a progressão. O desenvolvimento da fase $ \gamma $ resultou na dimensão volume, dando-vos o espaço completo. Pelo diagrama da fig. 2, vedes como cada criação cria uma fase nova e como, no caso particular, a criação b cria $  \beta $, a energia, que deriva, pela radioatividade, de $ \gamma $, a fase matéria. A maturação estequiogenética deixara $ \gamma $ imóvel.

Na criação b, a energia nasce pela primeira vez. Em termos bíblicos dizeis: Deus criou o movimento, deu o impulso ao universo. O volume moveu-se. Aparece nova manifestação dimensional; algo acrescenta-se ao espaço; uma superelevação dimensional (a quarta dimensão que procurais), mas num sistema diferente: 

a trindade seguinte. 

Esta nova dimensão, a primeira da série sucessiva, é o tempo. A unidade máxima dimensional precedente é tomada, na passagem à seguinte, por novo e mais intenso movimento, mas sempre em direções novas e diferentes, cada uma própria de um sistema (espacial, conceptual etc.), numa aceleração de ritmo em que consiste, exatamente a evolução. Compreendeis agora como nasceu o tempo e como deve ele completar-se com duas outras manifestações sucessivas, isto é, ser a primeira manifestação de nova unidade com três dimensões.



35. 

A EVOLUÇÃO DAS DIMENSÕES 

E A LEI DOS LIMITES DIMENSIONAIS

 



Minha tarefa agora é ampliar esses princípios, que já dominais em todos os campos, e aprofundar-lhes o significado. Uma primeira ampliação do conceito de relatividade é dada pela lei da relatividade que abarca todos os fenômenos, com tanta força que impressiona vossa percepção e todas as vossas concepções. 











Não percebeis nem concebeis sua essência, mas as mudanças das coisas: a base é o contraste, condição indispensável. Por isso, não percebeis um movimento, se vos moveis com velocidade igual (por exemplo, o da Terra), mas apenas as diferenças; não reparais, absolutamente que correis, com tudo o que vos circunda na superfície da Terra, com uma velocidade de quase meio quilômetro por segundo, o que equivale a cerca de 1.800 km por hora. 

Assim, duas forças constantemente equilibradas numa única massa, para vós não existem. A estase e o equilíbrio não são percebidos por vós, mas somente a mudança. Nesta lei de relatividade é que se encontra vossa fase de consciência. Aí está a razão pela qual vossa ciência é exclusivamente, como vos disse, uma ciência de relações, de natureza totalmente diferente da minha que, provindo de um plano superior, é ciência de substância.
 
Ampliei o conceito de relatividade também à psicologia e à filosofia, ao falar-vos de verdades progressivas. Assim como o conceito evolucionista, que Darwin só viu nas espécies orgânicas, também o conceito de relatividade, que Einstein limitou a alguns momentos matemáticos, tem que ser completado com uma teoria de relatividade universal, que se estende a todo o universo. Isto representa uma conquista filosófica e científica, uma concepção mais profunda, uma compreensão mais ampla, uma harmonia e beleza superiores. 

Outra ampliação do conceito de relatividade pode ser feito em profundidade: aquela que vos levará a conceitos novos; não mais apenas o da relatividade das unidades de medida de vosso universo, mas aquele muito maior e profundo, o da evolução de suas dimensões. Se me perguntais onde termina o espaço, eu vos respondo: 

num ponto em que o “onde” se torna “quando”, ou seja, em que a dimensão espaço, própria de $ \gamma $, transforma-se na dimensão tempo, própria de $ \beta $




Quando a matéria, quimicamente envelhecida, resfriada, solidificada, atinge a periferia do vórtice sideral, desagrega-se pela radioatividade, transmudando - se em energia; então a substância perde sua dimensão espacial e volta ao centro como corrente dinâmica e com dimensão temporal. 

Na periferia a matéria não é mais matéria, mas energia. Como a substância mudou de forma, deslocando seu ser de uma fase a outra, assim muda sua dimensão, que não é mais espaço, mas tempo. Expliquemos este conceito de dimensão e sua evolução.

Vosso conceito de um espaço e de um tempo absolutos, universais, sempre iguais a si mesmos, corresponde a uma orientação puramente metafísica, que inconscientemente matemáticos e físicos introduziram em suas equações. Esse ponto de partida, totalmente arbitrário, vos levou a conclusões erradas; colocou-vos diante de fenômenos que se transformam em enigmas, perante contradições sem saída e conflitos insanáveis; de todos os lados, cerca-vos o mistério.
 
Na realidade, somente encontrais, como vos disse, um tempo e um espaço relativos, cujo valor não ultrapassa o sistema a eles relativo. Mas há mais. Eles são apenas medidas de transição, em contínua transformação evolutiva.
 
Esforçai-vos em acompanhar-me. Se vosso universo é finito como vórtice sideral, o sistema de universos e o sistema de sistemas de universos é infinito. Se o espaço fosse um infinito, não teria limites em sua qualidade de espaço, no entanto, ele os tem; não os encontrareis no espaço, em direção espacial, mas em direção evolutiva. Deste conceito, ao qual já acenamos, chegamos agora à novíssima concepção: 

os únicos limites do espaço são hiper espaciais, isto é, são no sentido do desenvolvimento da progressão evolutiva e exatamente na dimensão sucessiva. 

Ou melhor: 

se quiserdes um limite para o espaço, só o encontrareis nas dimensões que o sucedem e o precedem. 

Pormenorizemos, ainda. Cada universo tem uma medida de unidade própria, que consiste em sua dimensão. Como se passa, por evolução, de uma fase para outra, como vimos na transmutação das formas da substância, em que os universos aparecem e desaparecem, assim, por evolução, passa-se de uma dimensão a outra e as unidades de medida do relativo aparecem e desaparecem. 

Tudo o que é relativo — portanto, também a dimensão que é sua medida — deve, como o relativo, nascer e morrer. Assim, as dimensões evoluem com os universos acompanhando as fases que estudamos. Do conceito de dimensão relativa, passamos ao de progressiva. Ora, passagem de fase significa também passagem dimensional. 

Do espaço ao tempo se passa por evolução, esta é paralela àquela que leva da fase $ \gamma $ à fase $ \beta $.

Existe, pois, uma lei a que chamaremos de “lei dos limites dimensionais”, que pode ser assim enunciada: “Os limites de uma dimensão são dados pelos limites da fase de que ela é a unidade de medida; eles encontram-se no ponto em que, por evolução, passa-se de uma fase a outra, isto é, onde ocorre a transformação de uma fase e de sua dimensão na fase e dimensão sucessiva”.

14/04/2015


34. 

QUARTA DIMENSÃO E RELATIVIDADE




Inicio com vossa e bem recente teoria científica, à qual me ligo como a um ponto de partida: 

a teoria da relatividade de Einstein










Presumo que a conheceis, assim como aos conceitos sobre a quarta dimensão. Os critérios que adotasteis para criar uma quarta dimensão do espaço, permanecendo no espaço, estão errados. A dimensão sucessiva à terceira espacial não está no espaço. O quarto termo sucessivo aos três da unidade trina só pode encontrar-se na trindade sucessiva. 

Isto se dá em virtude da lei pela qual o universo é individualizado por unidades tríplices e não quádruplas. Portanto, é absurdo o conceito da continuação do desenvolvimento tridimensional do espaço — que vai do ponto adimensional à linha (primeira dimensão), à superfície (segunda dimensão) e ao volume (terceira dimensão) — num hiper volume. 




Trata-se de um absurdo imaginoso essa construção ideal de uma quadridimensão octaedróide e dos outros poliedróides do hiperespaço. Aumentar um volume significa permanecer no volume, ainda que o multipliquemos por ele mesmo. Por isso não obtivesteis resultado prático até agora, nem mesmo pela representação hiperestereoscópica, nem pela conceptual. 

A pretensa geometria a quatro, cinco, n dimensões, que imaginasteis, é uma extensão da análise algébrica e não uma geometria propriamente dita. Trata-se de uma pseudo-geometria, mera construção abstrata, com formas inimagináveis e inexprimíveis na realidade geométrica.
 
Como todo universo é trifásico, é também tridimensional. Chegados à terceira dimensão, é necessário, para progredir — em virtude do princípio da unidade trina — iniciar nova série tridimensional, pois o período precedente exauriu-se; é indispensável sair do ciclo precedente para começar outro novo. Chegaremos, depois, ao conceito da evolução das dimensões, dilatando a concepção einsteiniana da relatividade, quer estendendo-a a todos os fenômenos, quer em profundidade de conceito.
 


A concepção tridimensional do espaço euclidiano esgota a primeira unidade trina e, com isso, exclui uma quarta dimensão no espaço. Mas, a sucessão das dimensões já contém o conceito de sua evolução. Considero linha, superfície e volume como três fases de evolução da dimensão espacial. Mas, para além, não bastam essas concepções matemáticas.
 



Para mudar a dimensão, é necessário iniciar um movimento em direção diferente e introduzir elementos totalmente novos. Procurasteis ultrapassar a concepção euclidiana, concepção de um espaço elíptico, compreendido como campo de forças finito, formado por linhas fechadas em si mesmas, correspondente ao meu conceito cíclico e na concepção de hiperespaços pluridimensionais. 

Para resolver esse problema, temos que tomar outra direção. Partamos do conceito de relatividade. Não tendes um tempo e um espaço em sentido absoluto, isto é, que existem por si mesmos, independentes das unidades que os ocupam; mas eles são determinados por elas e a elas relativos.
 
Portanto, não existe um movimento absoluto no espaço e no tempo. Vossas medidas, então, não correspondem senão a um conceito total de relatividade. Assim, cada fenômeno tem um tempo próprio, que lhe mede o transformismo: não existe uma unidade universal de medida, nem uma dimensão absoluta idêntica, invariável para todos os fenômenos. Até mesmo na ciência e na matemática estais imersos, sem possibilidade de saída, em vossa relatividade. Só podeis estabelecer relações com elas, nada mais: o absoluto vos escapa.
 
Já vos disse: vossa razão não é a medida das coisas; sois parte de um grande organismo; até vossa consciência representa uma fase: 

é um fenômeno entre os fenômenos. Alguns conceitos estão além de vossa consciência, e só podeis alcançá-los por maturação evolutiva de vosso Eu. 




Modificando esses princípios fundamentais para a ciência, modifica-se, também, toda a estrutura de vossos sistemas científicos; derrogam-se a física e a mecânica clássicas newtonianas. Mas, os novos conceitos têm a vantagem de corresponder a uma realidade mais completa e profunda. Assim a mecânica racional transforma-se em mecânica intuitiva mais avançada. 

Surge a possibilidade de solução de problemas que os velhos princípios não podem resolver. A ciência que construísteis, sem dúvida, vale algo e tínheis que criá-la. Mas hoje chegasteis a um ponto em que é preciso criar uma nova ciência, para avançar.



33. 

LIMITES ESPACIAIS 

E
LIMITES EVOLUTIVOS DO UNIVERSO

 



Agora, que tendes um conceito da conformação de vosso universo e de seu processo evolutivo, ultrapassemos seus limites, tanto em sentido espacial, permanecendo no plano físico, quanto no sentido evolutivo, isto é, relativamente às fases já referidas que precedem e superam esse plano. 




Aqui a astronomia atinge a metafísica. Pensai que este universo, imenso e tão maravilhosamente complexo, é o mais simples, enquanto pode ser perfeitamente concebível para vós, entre os universos, nos quais este se transforma por evolução. É fácil ultrapassá-lo no sentido espacial; mais difícil o é em sentido evolutivo, porque aprofundar este estudo significa, para vós, invadir o campo do inconcebível.
 
No sentido espacial, vosso universo estelar, considerado isoladamente, é um sistema finito; é imenso, mas pode ser medido; e tudo que se pode medir é finito. Vossa mente o domina por completo, porque sendo ela de um plano superior, pode ultrapassar qualquer limite espacial. Se podeis, num corpo tão frágil e pequeno, voar conceptualmente tanto que podeis compreender o universo físico, o qual jamais poderíeis percorrer todo materialmente, isso é devido ao fato de que existis numa fase evolutiva superior. 

Verificais, aqui, como a diferença de nível dá o poder de dominar e compreender o inferior, mas não o contrário. Os limites de vosso concebível, todavia, são dados na direção da evolução, isto é, pelas fases ou universos mais afastados ou superiores do vosso. No sentido espacial, a lei das unidades coletivas e as leis dos ciclos múltiplos indicam-vos a continuação do fenômeno com um conceito simples. 

Assim como a unidade do universo compõe-se de unidades menores, também ele constitui o componente de unidades maiores; assim como a espiral maior é produzida pelas menores, também ela torna-se a determinante de espirais maiores, até o infinito. Encontraremos um limite, mas no transformismo evolutivo, não no espaço. Fisicamente, o vórtice de vosso universo é apenas um, da infinita série de vórtices ou nebulosas em processo de desenvolvimento ou de involução; eles combinam-se com este num vórtice ainda maior, até o infinito. 




Não podeis vê-los todos, porque não têm a vibração da luz. Vosso universo físico move-se todo em velocidade vertiginosa, em relação a outros longínquos universos semelhantes, a fim de fazer parte, com eles, de sistemas ainda maiores. Que isto não vos surpreenda! Não encontrais o mesmo princípio no vórtice eletrônico? Não se trata senão de uma pequena matéria e uma grande matéria; do átomo ao universo e além dele, de um polo ao outro do infinito, o princípio é idêntico.

Procuremos, todavia, ultrapassar os verdadeiros limites do sistema, que não encontrareis mais no mesmo plano físico, embora vossa mente os supere, ao infinito: os limites dados pelo transformismo evolutivo. Movendo-se sempre na mesma direção que o mundo físico, encontrareis sempre o mesmo princípio, sem mudanças. 

Para ultrapassá-lo e sair dele, é indispensável mover-se em outra direção: 

a da evolução. 

A abertura do vórtice sideral é mais que um processo mecânico: é aquela maturação íntima da matéria, que vimos na estequiogênese. O vórtice da nebulosa nasce e morre aí mesmo, onde a matéria nasce e morre, isto é, começa e termina lá onde a Substância inicia e termina seu ciclo de fase física. Em outras palavras: 

a matéria nasce no centro da Via Láctea e morre na periferia. 

 



 (A figura acima representa o buraco negro que se imagina existir no centro das galáxias. A matéria entra e sai radiação a partir do disco de acreção. Mas se o buraco negro for ao mesmo tempo um buraco branco a matéria se materializaria a partir da radiação Hawking. A figura abaixo esquematiza de onde viria a matéria expelida pelo buraco branco que a obteve em outro universo como buraco negro. Seja nosso universo assinalado como A constituído de matéria e o universo paralelo e coexistente com o nosso assinalado como B e constituído de antimatéria. O universo A é o universo real, UR, ao passo que o outro universo paralelo é o universo virtual, UV. A antimatéria que entra no buraco negro do UV sai como matéria no buraco branco do UR e vice versa havendo trocas constantes entre as polaridades de matéria e antimatéria.)


Universo Real A de matéria conectado ao Universo Virtual B de antimatéria através dos buracos negro-brancos.


Observai a correspondência com os princípios expostos acima! Observai como o vórtice maior sideral abre-se pelo desenvolvimento dos vórtices menores, planetário etc., até o atômico. Observai que da mesma forma que o centro genético espacial (aspecto estático da fase gama ) é o núcleo da nebulosa de vosso universo, assim também o centro genético fenomênico (aspecto dinâmico de gama ) é o hidrogênio, elemento-base da série estequiogenética, o que constitui, justamente, as estrelas jovens, quentes, gasosas, situadas na Via Láctea e as grandes massas gasosas que formam a substância-mãe das estrelas. 

Se imaginardes que esse processo significa o desenvolvimento de um princípio (aspecto mecânico ou conceptual do universo), podereis “sentir” agora a fase gama concomitante e unitariamente, na trindade de seus aspectos.

Vimos que as nebulosas nascem, como fase gama , pela concentração dinâmica da fase beta, Também o ponto máximo do fenômeno não é dado apenas pelo máximo de abertura espacial do vórtice provocado pelo impulso originário, mas ainda pela evolução da matéria, pela qual esta, depois de atravessar toda a fase gama, desagrega-se e torna a assumir a forma de energia. 

Depois dissemos como a energia canaliza-se, por sua vez, em correntes que, de acordo com um vórtice centrípeto, guiam-na de novo para o centro (fase inversa do ciclo, período de descida involutiva) e, por concentração dinâmica, transformando-se de novo em Vimos que as nebulosas nascem, como fase Vimos que as nebulosas nascem, como fase gama , pela concentração dinâmica da fase beta

Também o ponto máximo do fenômeno não é dado apenas pelo máximo de abertura espacial do vórtice provocado pelo impulso originário, mas ainda pela evolução da matéria, pela qual esta, depois de atravessar toda a fase gama , desagrega-se e torna a assumir a forma de energia. 

Depois dissemos como a energia canaliza-se, por sua vez, em correntes que, de acordo com um vórtice centrípeto, guiam-na de novo para o centro (fase inversa do ciclo, período de descida involutiva) e, por concentração dinâmica, transformando-se de novo em gama , formará o núcleo de novo vórtice centrífugo, de nova nebulosa espiralóide galáctica.

Chegamos, pois, a este fato: 

o limite de abertura do vórtice sideral não é encontrado tanto no plano físico, quanto no ponto em que este toca, não no sentido espacial, mas em sentido evolutivo, um outro plano, onde o vórtice físico se inverte num vórtice dinâmico de regresso. 

A espiral, como vimos no diagrama da fig.4, fecha-se, mas o retorno do vórtice sideral é de natureza dinâmica; a reabsorção centrípeta, que contrabalança a precedente expansão, ocorre em fase evolutiva diferente. 

O que retorna ao centro é a forma energia e não a forma matéria, da qual se tinha afastado. As correntes siderais emanadas do núcleo gasoso são substituídas pelas correntes dinâmicas que reconstituem aquele núcleo.
 
Em outros termos: 

a matéria não pode ter um limite em direção espacial (pois este se poderia, com efeito, sempre superar logicamente), mas apenas em direção evolutiva; ou seja, esse limite não pode ser situado em dado ponto do espaço, mas pode encontrar-se em qualquer ponto onde ocorra a transformação da matéria, em sua fase superior de evolução. 

Somente estes conceitos podem explicar-vos toda a complexa realidade do fenômeno. A condensação sideral é de natureza dinâmica; o vórtice que se abre em forma física, fecha-se depois de uma transmutação que o torna invisível aos telescópios; desaparece de vossos sentidos e prosseguem em direção inversa, numa forma que procurais em vão no plano físico. 

Muitos problemas de física e de astronomia vos parecem insolúveis exatamente porque vos mantendes sempre no plano físico e não acompanhais os fenômenos onde eles, sob este aspecto, se esvanecem; não sabeis reencontrá-los enquanto “renascem” num aspecto diferente.

... vos mantendes sempre no plano físico...


Estas considerações vos encaminham para a visão de conceitos ainda mais profundos, que vos fazem chegar até o limite do concebível. A essa altura, a ciência, que se tornara metafísica, transforma-se em mística visão e, expandindo-se num campo de completa abstração, presume não mais uma psicologia racional, mas uma psicologia de intuição. 

Falar - vos - ei, agora, do nascimento e da morte do tempo, do nascimento e da morte do espaço, do aparecimento e desaparecimento — por evolução e involução — dessas diversas dimensões em vosso relativo. 

Como tudo o que está no relativo tem um princípio e um fim, tudo tem que nascer e morrer. Esforçai-vos, agora, para superar esse relativo e para elevar vossa concepção ao infinito.

13/04/2015


32. 

GÊNESE DO UNIVERSO ESTELAR 

— AS NEBULOSAS — 

ASTRO QUÍMICA E ESPECTROSCOPIA

 



Retomemos agora alguns conceitos já ventilados e continuemos seu desenvolvimento. Desse modo, completaremos a exposição sumária dos princípios e tornaremos a observá-los na realidade fenomênica; observaremos os fatos sempre sob novos aspectos.
 




Retomarei por um momento a fase gama em seu aspecto estático, descrevendo-vos a construção do universo físico: 

uma pausa no campo astronômico, para daí tomar impulso para conceitos mais profundos. 

Dir-vos-ei coisas que não podia expor antes de amadurecer tantos conceitos. 

Esta minha exposição cíclica progressiva que adoto, corresponde à maturação de vossa psique e à necessidade de expor-vos gradualmente a grande visão, a fim de que a assimileis, ao invés de perder-vos. Cada conceito, se não for esboçado antes, numa primeira fase apenas em suas linhas fundamentais, arriscaria perder sua unidade em infinitas ramificações colaterais. 

Cada conceito estende-se como uma esfera, em todas as direções, enquanto vossa consciência só pode perceber um de cada vez. Por brevidade, temos que escolher os principais. Minha consciência volumétrica — isto é, de terceira dimensão — num plano superior à vossa, de superfície (segunda dimensão), como vos explicarei, vejo por síntese, ao passo que vós vedes por análise. 

O finito, de que sois feitos, justifica esses retornos, a que sois obrigados, para examinar sucessivamente a realidade em seus aspectos, que nós vemos em síntese, a fim de penetrar, por degraus, além da forma que está na superfície e recobre a essência que está na profundidade.

O estudo do aspecto dinâmico da fase gama mostrou-vos na estequiogênese, o nascimento, a evolução e a morte da matéria. Caiu, desse modo, vosso dogma científico da indestrutibilidade da matéria. Compreendidos os conceitos de nascimento da matéria, por concentração dinâmica; de sua evolução química; de sua morte por desagregação atômica (radioatividade); vejamos, agora, como se comporta essa matéria na realidade do universo astronômico, nos imensos amontoados de estrelas.

Diagrama da Evolução Estelar de Hertzsprung - Russell.

 

Um exemplo no campo físico poderia ser trazido como ilustração do princípio do desenvolvimento cíclico dos fenômenos, com a volta ao ponto de partida, mas com progressivo deslocamento do sistema: é o que encontrais na trajetória traçada pelo caminho da Terra nos espaços. 

Girando em redor do sol num plano, com os outros planetas, em sua mesma direção — enquanto o sol, por translação, afasta-se das regiões de Sírius para as de Vega da Lira e para a constelação de Hércules — a Terra descreve exatamente uma trajetória que, mesmo retornando sempre sobre si mesma, jamais volta ao mesmo ponto de partida no espaço. 



Isso acontece porque o movimento solar de translação faz desenvolver-se a elipse planetária, não num plano, mas em espiral, de acordo com a direção do deslocamento do sol. 



Entretanto, observemos mais de perto um fenômeno muito mais amplo: a construção de vosso universo estelar. Já acenamos a isso a propósito do desenvolvimento do vórtice das nebulosas. Esse simples aceno merece mais profundo exame, agora que completamos o estudo da espiral. Vosso universo estelar é constituído pela Via Láctea; no plano físico, é a exata expressão do princípio da espiral. 

Muitas dúvidas vos atormentaram e muitas hipóteses aventasteis, para explicar a construção e a origem dessa faixa estelar que envolve os dois hemisférios de vossa visão celeste. Não formulo hipóteses, mas vos transmito, como o vejo, o estado dos fatos e vos indicarei de que modo, em parte, podereis controlálos.
 
A matéria, pela lei das unidades coletivas, se vos apresenta em amontoados geológicos e siderais. Todo o vosso universo físico é constituído pela Via Láctea, um sistema completo e limitado, a cujo diâmetro podeis dar o valor de cerca de meio milhão de anos-luz. O sol, com a corte de seus planetas, está situado no sistema. A via Láctea é, exatamente, um vórtice sideral em evolução.



Demonstraremos esta afirmação. O grande vórtice da Via Láctea é dado pelo seu devenir — pela lei dos ciclos múltiplos — por vórtices siderais menores, que vedes e conheceis, e nos quais podeis encontrar o caso maior. Os telescópios vos põem sob os olhos várias nebulosas, as da constelação da Balança, de Andrômeda; a nebulosa em espiral da constelação do Cão, nebulosa regular, em que a linha da espiral está claramente visível. 


Constelação do Cão Maior.


O vórtice estelar é, por vezes, como neste caso, orientado de maneira a apresentar-se de frente, às vezes obliquamente, aparecendo como um oval achatado, em perspectiva, como na nebulosa de Andrômeda; às vêzes de perfil, em sua espessura. Neste caso, assume o aspecto da seção de uma lente e as espirais, ao sobreporem-se, ficam ocultas ao olhar. Vosso sistema solar foi uma nebulosa, que agora chegou à maturidade; os planetas, cuja verdadeira órbita é uma espiral com deslocamentos mínimos, recairiam no sol, se não se desagregassem pela radioatividade. 

A via Láctea é apenas imensa nebulosa espiralóide, em processo de maturação. Vosso sistema solar, como as citadas nebulosas, faz parte dela. No âmbito da espiral maior, desenvolvem - se as espirais siderais menores. Podeis representar a Via Láctea como imenso vórtice, semelhante, embora maior, ao da nebulosa da constelação do Cão. O sistema solar está imerso na espessura do vórtice que, portanto, só aparece visível em sua seção; mas como seção, vos envolve nos dois hemisférios e por isso aparece uma faixa em todo o redor.

Eis os fatos que vos demonstram essa afirmação: é no plano equatorial da Via Láctea que se comprimem os amontoados das estrelas, enquanto nos pólos a matéria está em estado de rarefação; as estrelas multiplicam-se à proporção que vos avizinhais da Via Láctea. O sistema solar está situado mais para o centro da espiral, centro que lhe fica de lado, no plano de achatamento e do desenvolvimento do vórtice. A distribuição diferente das massas siderais, em vosso céu, é causada exatamente pela visão que conseguis, quer na maior secção horizontal, quer na menor secção da direção vertical, do esferóide achatado, que representa o volume do sistema espiralóide galático.

Galáxias satélites da Via Láctea.


Mas há fatos mais convincentes. A espectroscopia permite estabelecer uma espécie de astroquímica, que vos informa a respeito da composição das várias estrelas. Com a análise das radiações estelares, também podeis estabelecer sua temperatura, porque à proporção que esta aumenta, vedes aparecer no espectro as várias cores, do vermelho ao violeta, que é o último a aparecer. O ultravioleta revela as temperaturas mais altas. Quanto mais o espectro se estende nessa área, mais quente é a estrela observada. 

Então o espectro vos revela, concomitantemente, a constituição química e a temperatura. Baseando-vos nestes critérios, torna-se possível uma classificação das estrelas, quanto ao tipo, e uma graduação delas também em relação a seu grau de condensação, daí sua idade no processo evolutivo. Uma primeira série de estrelas é composta de gases incandescentes, como o hidrogênio, o hélio e o nebúlio (que ainda desconheceis). Deste último são as estrelas mais quentes. A matéria está no estado gasoso, a massa estelar é uma nebulosa ainda no seu início.
 
Estas são as estrelas mais jovens, de cor prevalentemente azul, e representam a fase inicial da evolução sideral do vórtice galáctico. Essas estrelas estão todas situadas nas vizinhanças imediatas da Via Láctea. Continua a gradação e abrange estrelas de hélio sempre quentes e jovens, sempre próximas da Via Láctea; depois as estrelas de hidrogênio, em que se acentua o hidrogênio e o hélio, tende a desaparecer. 

Embora nas proximidades da Via Láctea, elas começam a espalhar-se pelo céu. Menos jovens, mais avançadas evolutivamente que as precedentes, em via de condensação, emanam luz branca. A essa série de estrelas brancas (a que pertence Sírius) segue-se a das estrelas de luz amarela, nas quais os metais substituem os gases, mas sempre em temperaturas elevadíssimas, embora inferiores às precedentes. 

Estas estão espalhadas ainda mais uniformemente pelo firmamento e se acham em processo de solidificação. Entre elas situa-se vosso sol. Ele encontra-se entre as estrelas que estão envelhecendo, esperando a morte por extinção. Suas manchas já as anunciam e tornar-se-ão cada vez mais extensas e estáveis, até o fim. A última série é a das estrelas vermelhas, com a temperatura que chega a um resfriamento avançado, nas quais os gases desaparecem para dar lugar aos metais: são as estrelas mais velhas, distribuídas quase uniformemente pelo espaço. 

Entretanto, outros fatos há para observar e que se desenvolvem paralelamente aos quatro já observados:

constituição química, temperatura, condensação, idade. 

As estrelas afastam-se da Via Láctea à proporção que envelhecem. Bastaria isto, para demonstrar que na Via Láctea está o centro genético do sistema, pois é exatamente nela que encontrais as estrelas em sua primeira fase de evolução. As vermelhas, as mais velhas, encontram-se afastadas das regiões mais jovens da Via Láctea. 

Em outras palavras: existe um processo paralelo de maturação da matéria e de afastamento do centro, porque as mutações químicas, o resfriamento, a condensação e o envelhecimento significam evolução, esta corresponde a um processo de abertura do sistema, que vai do centro à periferia.
 
Acrescentemos outro fato: as velocidades siderais, partindo de uma velocidade nula para as nebulosas irregulares, aumentam gradualmente nas estrelas de hélio, de hidrogênio, amarelas, vermelhas, planetárias. Isso vos diz que as estrelas, durante o processo de evolução assinalado pelo tempo, projetam-se do centro para a periferia.
 
Acrescentai a isto tudo o exemplo do tipo de desenvolvimento em espiral, visível nas nebulosas menores, que reproduzem, em proporções mais reduzidas, o sistema maior, e tereis um acúmulo de fatos convergentes para o mesmo princípio, que afirmei ser a base da construção orgânica de vosso universo estelar.