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08/05/2015



55. 

TEORIA DOS MOVIMENTOS 

VORTICOSOS

 





Vimos como o trem eletrônico da onda dinâmica degradada ataca o edifício atômico, penetra-o e desloca-lhe o equilíbrio íntimo, e como, por essa emissão dinâmica, o sistema planetário de forças se transforma num sistema vorticoso.
 








Este é o germe da vida em sua estrutura cinética. Observemos-lhe a complexa constituição e sua resposta à realidade dos fenômenos daquela que, vos disse, poderia ser tomada como teoria cinética da vida, ou teoria dos movimentos vorticosos, colocando-a como base da química orgânica (química cinética).
 
Antes de tudo, observai minha colocação do problema da vida, totalmente diferente da ciência. Esta procura, na evolução, a origem das formas. Eu, ao invés, exponho a origem dos princípios, a causa pelas quais as formas são modeladas como última consequência. Por aí se conclui que, enquanto a ciência se move na multiplicidade dos efeitos e fica do lado de fora dos fenômenos, eu atinjo a unidade e penetro no âmago das causas. 

É lógico que, alcançando a substância dos fenômenos, a química deva transformar-se até atingir a abstração filosófica. Também é lógico que, evoluindo vossa ciência de sua atual forma exterior e de superfície, até sua mais completa forma de ciência substancial e profunda, deva transformar-se em ciência abstrata, aproximando-se daquela unidade fundamental em que os conceitos da matemática, da filosofia, da química, da biologia etc., são uma só coisa. Aprofundemos, pois, o problema da gênese dos princípios da vida.
 
Sabeis que os vórtices giram em torno de um eixo. Que é em redor desse centro múltiplo que se desloca a série dos equilíbrios instáveis do sistema. Esses equilíbrios, com uma diferença fundamental dos daquele do sistema atômico, renovam-se continuamente, a cada instante demolindo-se e reconstruindo-se. O Eixo é a alma do sistema atômico vital, assim como o núcleo é a alma do sistema atômico inorgânico

Quando um trem eletrônico ataca um átomo depois do outro, não altera apenas a trajetória dos satélites do sistema, mas atinge os núcleos, embora fossem estes antes centros de sistemas separados, ele os funde agora em cadeia, num sistema cinético único. Já se começam a entrever as primeiras características do novo organismo de forças, as características fundamentais da vida. A penetração eletrônica quebrou os sistemas dinâmicos fechados dos átomos, combinou-os junto num sistema dinâmico múltiplo aberto. 

A linha e a direção do eixo são geradas e governadas pela onda degradada que, propagando-se no espaço, encontra um aglomerado de átomos e arrasta os sistemas eletrônicos deles, equilibrando os núcleos em cadeia. Eis porque apenas a onda degradada pode gerar nos amontoados de átomos o vórtice genético da vida.
 
Ora, esse eixo do vórtice representará, na vida, a linha de metabolismo, função universal e fundamental do mundo orgânico. A direção do contínuo processo de assimilação e desassimilação é a própria direção da onda, provocada por aquele impulso que vimos ser irreversível. Na vida, o metabolismo é a expressão da linha irreversível da evolução. Vede como nenhuma característica, mesmo a mais embrionária e longínqua, destrói-se; ao contrário, em cada uma delas está contido o germe dos grandes desenvolvimentos. 

O mundo dinâmico de $ \beta $ contém, à maneira de semente, todo o desenvolvimento da vida, todas as notas fundamentais da grande sinfonia. Aquela simples trajetória ou direção se desenvolverá num princípio diretor, com objetivo, numa individualidade e personalidade, no psiquismo. Notai também como a imissão dinâmica corresponde à contínua reorganização das unidades menores em superiores unidades coletivas (lei das unidades múltiplas). 

Com efeito, temos aqui não mais amontoados ou aglomerações, mas organismos de átomos. Notai como nesta reorganização mais ampla, acentua-se o desenvolvimento das notáveis características embrionárias das formas inferiores. Aqui também encontrais a linha dos ciclos múltiplos (cfr. fig. 5), que vos ensina que o ciclo maior é apenas a resultante do desenvolvimento dos ciclos menores. 

Neste caso, a realização orgânica é somente o produto do amadurecimento atômico (estequiogenética, ou seja, desenvolvimento dos sistemas planetários nucleares ou eletrônicos). Olhando assim, em seu íntimo, o universo vos surge, a cada passo, de divina grandiosidade. Individuado, o eixo do sistema vorticoso apresenta-se-vos com características especiais. 

Podeis imaginar que potência cinética ele encerra, pois, é uma cadeia de núcleos em redor dos quais continuam a gravitar e a girar os elétrons atômicos, a cujas atrações e repulsões somaram-se as dos elétrons recém-chegados da onda degradada de $ \beta $. Assim, o eixo do sistema tem duas extremidades, caracterizadas por qualidades diferentes: uma extremidade, ou pólo positivo ou de penetração ou de ataque (pelo qual propaga-se o movimento), e a outra, um pólo negativo, final ou de separação (no qual o movimento se extingue). 

A linha de propagação da energia, que se torna eletricidade, sinal + e –, está para tornar-se vida, o princípio do nascimento e da morte. Como vedes, sistema aberto e em contínuo movimento. Eis donde nascem a rapidez do metabolismo e a instabilidade química, que são características fundamentais dos fenômenos da vida.
 
Somente a infusão do princípio estático de $ \gamma $ , do princípio dinâmico de $ \beta $, podia produzir esse terceiro princípio psíquico de $ \alpha $. A matéria $ \gamma $ apenas conquistara a dimensão espaço e $ \beta $ apenas a dimensão tempo, somente da fusão das duas dimensões podia nascer a terceira: a consciência. 

Pois este é o primeiro sistema cinético atingido pela Substância que, sendo aberto e em movimento, distingue o interno do externo, ou seja, contém o princípio da distinção entre o Eu e o ambiente, afirmando sua individualidade e projeta-se para o exterior, para fora de si, ato fundamental, base da percepção e do desenvolvimento da consciência. 

Nessa capacidade do sistema vorticoso de projetar-se para fora de si, portanto, de combinar os próprios movimentos com os de outros sistemas vizinhos e de sentir-lhes o influxo, nessa receptividade cinética, nessa possibilidade de assimilação de impulsos externos, existe o germe daquele contínuo registro e assimilação de impressões, que está na base do desenvolvimento da consciência. Veremos como esta se dilata continuamente.
 
Aquilo que desce ao âmago do Eu e aí se fixa em automatismos, que mais tarde serão os instintos, é apenas o impulso de uma força que se fixa, absorvida nos equilíbrios do sistema cinético-dinâmico do vórtice vital. Este é instável e mutável, mas para que tenha uma ação constante, ele penetra e se fixa, também, nessa instabilidade, que não é caos, mas apenas um equilíbrio mais complexo, resultante de miríades de equilíbrios menores. 

É importante pesquisar nas formas inferiores os germes e a primeira gênese também das mais altas formas de vosso psiquismo, porque nessa base científica e racional basearei minhas conclusões nos campos que parecem estar muito longe, no entanto, estão próximos do mundo ético e social. 

Vede que a íntima elaboração evolutiva ou descentralização do princípio cinético da Substância, ou manifestação da Divindade, desenvolve-se de uma simples trajetória dinâmica, dirigida de um pólo + a um pólo -: a linha do metabolismo orgânico, primeiro construtor de corpos; depois a linha do metabolismo psíquico, construtor de almas.
 
Nessa fusão de extremos, sentis a verdade de meu monismo.


07/05/2015


54. 

A TEORIA CINÉTICA DA GÊNESE DA VIDA E OS PESOS ATÔMICOS









Procuremos pesquisar na realidade dos fenômenos alguns efeitos desta íntima transformação de movimento, da qual nasce a vida e se manifesta seu psiquismo: transformação da química inorgânica em química orgânica. 













Neste campo, existem fatos que podem demonstrar-vos a realidade daquela que podeis tomar como teoria cinética da gênese da vida, compreendida como manifestação devida a uma emissão de radiações dinâmicas de composição eletrônica no sistema planetário atômico. 

Nem todos os átomos reagem igualmente ao mesmo impulso; nem todos estão igualmente prontos para serem arrastados no ciclo da vida. A resistência à penetração eletrônica não é constante para os vários corpos simples, mas muda exatamente de acordo com o seu peso atômico. Este fato tem um significado importante. 

A radiação eletrônica pode atacar todos os átomos, mas os mais leves são mais rápidos a obedecer, essa capacidade receptiva vigora em razão inversa de seu peso atômico. Escalonando os corpos simples, de acordo com o peso atômico progressivo, como na série estequiogenética, verificais que é máxima para os pesos atômicos mínimos, e mínima para os pesos atômicos máximos, a capacidade desses corpos simples de ficarem ligados em círculo. 

Ou seja, de serem transportados, através do turbilhão vital, numa vida breve, imensamente mais rápida e intensa do que sua própria vida, o que significa receber no próprio âmbito cinético a radiação eletrônica que lhe intensifica o ritmo. Por que, então, o peso atômico é base da escolha dos materiais de sustentação da vida? 

Porque o trem eletrônico encontrará menor resistência para penetrar nos sistemas atômicos mais simples, com uns poucos elétrons, do que naqueles mais complexos, com muitíssimas órbitas eletrônicas. Vimos que, do H ao U, o aumento de peso atômico significa progressiva saída do núcleo e estabilização das órbitas de sempre novos elétrons, até o máximo de 92, além do qual o sistema atômico se desagrega.

É óbvio que as radiações de um sistema cinético mais rudimentar sejam mais fracas do que a dos mais complexos; e que seja mais fácil transformar o equilíbrio dos movimentos no primeiro caso do que do segundo. Os sistemas planetários mais simples, menos numerosos de satélites, deixar-se-ão plasmar mais facilmente em novas trajetórias, do que os sistemas densos de elétrons, turbilhonando em movimentos mais intensos. 

Quanto maior o número de elétrons, maiores serão a massa e a inércia, isto é, a resistência a absorverem impulsos externos. Esses íntimos deslocamentos cinéticos constituem a substância do fenômeno da transmutação da matéria inorgânica em orgânica, reduzível em sua essência, como já dissemos, a um cálculo de forças. 

Essas concordâncias são uma prova de que o fenômeno “vida” é, substancialmente, a resultante de uma assimilação pelo sistema atômico de um movimento eletrônico, justamente porque os elétrons do átomo oferecem uma resistência proporcional a seu número. Aí está uma confirmação da teoria cinética da gênese da vida.
 
Se observarmos os corpos simples, não mais, como vimos, na química inorgânica, mas como eles se comportam na química orgânica, ou seja, a maneira como eles são admitidos e tolerados no organismo vivo, vemos que H, C, N, O (a que correspondem os pesos atômicos 1, 12, 14 e 16, os mais baixos da escala) são os corpos fundamentais da vida, como também são os mais largamente difusos na atmosfera, onde nasce a vida em vosso planeta no período da gênese vital: 

Hidrogênio, Carbono, Nitrogênio e Oxigênio, no estado de vapor d’água, H2O; de gás carbônico, CO2; e no estado livre, N e O1.
 
Vêm depois os corpos sucedâneos dos fundamentais, que podem substituí-los parcialmente e são aceitos em doses moderadas. Seu peso atômico não ultrapassa 60, e temos em ordem de peso atômico: 

Lítio2 (Li=7); Boro5 (Bo=11); Flúor (Fl=19); Sódio (Na=23); Magnésio (Mg=24); Silício (Si=28);Fósforo (P=31); Enxofre (S=32); Cloro (Cl=35,5); Potássio (K=39); Cálcio (Ca=40); Alumínio3 (Al2=27,1); Manganês4 (Mn=55); Ferro4 (Fe=56); Níquel5 (58,5); Cobalto5 (Co=58,7).
 
Seguem-se os corpos que, mesmo entrando para fazer parte da vida orgânica, não são aceitos senão em doses pequeníssimas. Seu peso atômico não ultrapassa 137 e, de acordo com seu peso, estão na seguinte ordem:
 
Cobre7 (Cu=63,5); Zinco7 (Zn=65,4); Arsênico10 (AS=75); Bromo6 (Br=80); Rubídio8 (Ru=85,5); Estrôncio9 (Sr=87,6); Iodo6 (I=127); Bário9 (Ba=137,4).
 
Se continuarmos ainda a subir até os mais altos graus na escala dos pesos atômicos, verificaremos que os corpos que aí encontramos normalmente não se encontram nos organismos e, se têm ingresso no ciclo vital, só são tolerados em doses mínimas (isto é fundamental também em seu uso terapêutico). Temos:
 
Selênio (Se=79); Prata (Ag=108); Estanho (Sn=118); Antimônio (Sb=122); Telúrio (Te=127); Platina (Pt=195); Ouro (Au=197); Mercúrio (Hg=200); Chumbo (Pb=207).
 
Chegamos, enfim, aos pesos atômicos máximos dos corpos radioativos, utilizáveis terapeuticamente pelo dinamismo de suas radiações, mas sem propriedades biológicas intrínsecas. A instabilidade de seu equilíbrio interior representa um sistema atômico em desfazimento, que foge para as formas dinâmicas e é o menos apto para ser retomado nas coordenações cinéticas de ordem mais complexa. 

A emanação eletrônica desses corpos, embora possa excitar, no átomo, a aptidão para entrar no ciclo vital, fica sempre por fora dele. Para poder penetrá-lo, tem que primeiro atravessar toda a maturação das formas dinâmicas, até o máximo de degradação. Temos, pois:
 
Polônio (Po=210); Rádio (Ra=226); Tório (Th=232,4); Urânio (U=238), ou seja, os corpos de sistema atômico mais complexo com órbitas mais numerosas, os mais resistentes a qualquer penetração cinética; justamente porque essas órbitas são lançadas e abrem-se na periferia, em direção exatamente contrária ao trem superveniente de radiações elétricas de onda degradada.


06/05/2015


53. 

GÊNESE DOS MOVIMENTOS VORTICOSOS






Exposta a questão em seus termos gerais, vejamos, agora, mais particularmente, que mudanças assume o movimento no ponto de passagem de $ \beta $ a $ \alpha $. Vimos em $ \gamma $ que, ao abrirem-se as órbitas dos elétrons, estes escapolem delas, gerando $ \beta $











Vimos em $ \beta $, a onda extinguir-se, com a progressiva extensão de seu comprimento e diminuição da frequência vibratória. Na última fase de degradação a onda se tenderia a tornar-se retilínea, se pela natureza qualquer reta não fosse uma curva, como toda trajetória circular é uma espiral que se abre ou se fecha. 

Vejamos agora como esta onda amortecida penetra no edifício atômico. O princípio cinético da vida é único em vosso universo, constituído pela forma dinâmica (eletricidade), na última fase de degradação. Em virtude da natureza da energia, que está em contínua expansão no espaço, o princípio da vida difunde-se por toda a parte, tal como a luz e as outras formas dinâmicas. Ele propaga-se como forma vibratória, até que encontre uma resistência numa aglomerada massa. 





Assim, a energia que, por sua natureza, espalhou-se nos espaços, portanto é onipresente, atinge qualquer condensação de matéria. Então, penetra na íntima estrutura planetária, justamente porque é a direção retilínea que possui o máximo poder de penetração. As trajetórias cinéticas apresentam respostas diferentes a essa penetração eletrônica, de acordo com seu tipo de natureza. 

O primeiro germe da vida, por isso, é universal e idêntico, sempre aguardando o desenvolvimento; um desenvolvimento que só chegará a realizar-se quando se verificarem circunstâncias favoráveis; um desenvolvimento que, embora partindo do mesmo princípio, manifestar-se-á diferentemente, de acordo com as diferentes condições do ambiente. 

Onde $ \beta $ toca em $ \gamma $, esta exulta num novo girar íntimo; onde $ \beta $ une-se a $ \gamma $, nasce $ \alpha $, a vida (princípio de dualidade e trindade). Conforme a natureza e reações da matéria, varia o fenômeno, e aparecem, enfim, as diferentes manifestações do mesmo princípio, único e universal. Que perturbação ocorre, então, no edifício atômico? 

Vimos que, na desagregação da matéria existe um trem de elétrons, sucessivamente lançado fora do sistema planetário atômico em demolição, justamente isso, constitui a gênese das formas dinâmicas. Quando esse trem de unidades que se impelem mutuamente atinge, como uma flecha, o equilíbrio normal atômico, produzido pelo girar das órbitas eletrônicas em redor do núcleo, o edifício atômico fica profundamente perturbado. 

Esse fenômeno só pode verificar-se quando $ \beta $ tenha atingido seu grau máximo de evolução, isto é, de degradação dinâmica (mínima frequência vibratória e máximo comprimento de onda), porque até que os tipos dinâmicos assumam a forma vibratória ondulatória, não têm suficiente potência de penetração e deles não pode nascer a vida. 

Então, o momento da gênese é dado por um equilíbrio exato de forças. Pelas resultantes desse equilíbrio é dado o desenvolvimento da vida e de suas formas. Como vimos ser a química inorgânica reduzível a um cálculo matemático de mecânica astronômica, assim é a constituição íntima da vida, embora resultante de sistemas de forças extremamente mais complexos. 

Então, somente um trem de elétrons que constituem energia elétrica extremamente degradada — isto é, somente $ \beta $ quando chegou ao último limite evolutivo de suas espécies dinâmicas — pode trazer mudanças radicais à íntima estrutura do átomo; mudanças não casuais, desordenadas, caóticas, mas produzidas por nova ordem de movimentos, mais complexa e profunda. 

Os deslocamentos cinéticos da Substância obedecem constantemente a uma lei de equilíbrio e são resultantes de impulsos precedentes; constituem sempre uma ordem perfeita, em que estão equilibradas ação e reação, causa e efeito. Isto se verificou na projeção dos elétrons da desintegração atômica radioativa (gênese da energia); isto se verifica agora nos deslocamentos interatômicos devidos à ação dos novos elétrons que chegaram. Detenhamo-nos um momento nesta reaproximação entre eletricidade e vida, para compreender porque, exatamente, essa força está colocada no início da nova manifestação. 




Sabeis que o equilíbrio interno do átomo e as órbitas de seu sistema planetário são regidas por atrações e repulsões de caráter elétrico; é o balanceamento entre esses impulsos e contra-impulsos que lhe mantém a estrutura numa condição de estase exterior. Por si nada se presta tanto a deslocar o equilíbrio do sistema e a penetrar nesse movimento, quanto a intervenção de novo impulso ou ação da natureza elétrica. 

Assim, a eletricidade enxerta-se na vida e a encontrareis sempre presente, especialmente se a considerais, como vos disse, em seu íntimo dinamismo motor. Embora aperfeiçoando-se, como tudo se aperfeiçoa por evolução, isto é, adquirindo em qualidade o que perde em quantidade — por uma degradação paralela à dinâmica, que vimos — também na vida subsiste sempre a fonte original de natureza elétrica.

Ela origina todos os fenômenos nervosos que guiam e sustentam o funcionamento orgânico. Na base da vida existe integralmente um sistema elétrico de fundamental importância, que preside a tudo. A eletricidade permanece sempre como centro animador e substância interior da vida, da qual ela assume sempre a função central diretora, a mais importante. 

Essa sobrevivência, em posição tão conspícua, bastaria para demonstrar a parte substancial que a eletricidade deve ter tido na gênese e no desenvolvimento da vida. E ainda quando atinge as formas de magnetismo, vontade, pensamento e consciência, permanece o mesmo princípio, embora alçado às fases de máxima complexidade. Trata-se, verdadeiramente, da continuação do mesmo processo de degradação, que se estende das formas dinâmicas até às formas psíquicas.
 
Quando, num sistema rotatório, sobrevém nova força, esta se introduz no sistema e tende a somar-se e a fundir-se no tipo de movimento circular preexistente. Podeis imaginar que complicações profundas ocorrem no entrelaçamento já complexo das forças atrativo-repulsivas. 

O simples movimento circular agiganta-se num movimento vorticoso mais complexo. Pela emissão de novos elétrons, o movimento não apenas complica sua estrutura, mas se reforça, alimentado por novos impulsos. Ao invés de um sistema planetário, tereis nova unidade, que vos recorda os redemoinhos de água, as trombas marinhas, os turbilhões e ciclones. O princípio cinético de $ \gamma $ é retomado, assim, por $ \beta $, numa forma vorticosa muito mais complexa e poderosa. 

Nasce, dessa forma, nova individuação da substância, desta vez verdadeiro organismo cinético, em que todas as criações, conquistas, ou seja, trajetórias e equilíbrios precedentemente constituídos, subsistem, mas coordenando-se. Veremos como o tipo dinâmico do vórtice contém, em embrião, todas as características fundamentais da individuação orgânica e do Eu pessoal. 

Nesta nova forma de movimento, organização de sistemas planetários, coordenação complexa de forças, na própria instabilidade da nova construção e na rapidez das contínuas trocas com o ambiente, em seu mais intenso devenir de equilíbrio que, mesmo mudando, sempre reencontram seu fio condutor, revela-se aquele psiquismo, o mais requintado dinamismo com que a energia surge na vida. 

Princípio novo, mas filho dos precedentes; simples expansão de potências concentradas no estado de latência; novo modo de existir da Substância, que atingiu a periferia das manifestações.A primeira expressão de a assume, então, a forma do vórtice. O tipo do movimento do átomo físico combina-se consigo mesmo em movimentos mais complexos por obra da nova emissão dinâmica. 

O termo sânscrito "Vivartha" significa exatamente esse processo, que desde a concepção hindu até as mais modernas hipóteses científicas, exprime a substância dos fenômenos do universo [12]. Mas a essência de a não é o vórtice. Este é apenas sua manifestação, a forma exterior de que se reveste aquele princípio imaterial. 

O espírito, a, está na Substância, esta é movimento (velocidade), é aquilo que movimenta, guia, anima e dirige o vórtice, sem o qual este perderia seu tipo, sua resistência e se extinguiria, reabsorvido no indiferenciado. Não o encontrais e, portanto, não podeis observar senão fenômenos, isto é, efeitos, manifestações. Somente podeis tocar a exteriorização do princípio e, apenas a partir dela, podeis penetrar o centro e encontrar a causa. Digo isto a fim de evitar dúvidas e mal-entendidos. 

Se $ \beta $ já o era, a é muito mais um princípio absolutamente imaterial, que permanece sempre distinto da matéria, embora a anime e a mova de seu centro. Aliás, já vos disse que a matéria é velocidade e que o átomo, como o elétron, é um sistema de forças; então não se pode entender por vórtice, mesmo no sentido mais material, senão um movimento que arrasta consigo outros movimentos. Vosso separatismo, que divide corpo e espírito, portanto, não tem sentido, especialmente como antagonismo. 

Trata-se apenas de dois pólos do ser, de dois extremos, que se comunicam por constantes trocas e contatos, de uma zona de trajetória em caminho. Vossos conceitos habituais não têm mais nenhum significado, quando se olha no âmago das coisas. Se me perguntais: por que a, o espírito, manifesta-se nesse momento do transformismo evolutivo e que relações possa ter a origem dos movimentos vorticosos com o surgimento da consciência? 

Eu vos direi: se a fase $ \beta $ conquistou a dimensão tempo, agora a imersão do movimento de $ \beta $ no movimento de $ \gamma $ representa a construção de edifícios, verdadeiros organismos dinâmicos, que constituem as manifestações de novo princípio de coordenação e direção de movimentos. Isso significa a gênese da nova dimensão consciência. 

A consciência, que hoje é de superfíce e analítica, transformar-se-á num organismo ainda mais complexo de movimentos vorticosos, numa animadora de nova potência, a dimensão superconsciência sintética de intuição, a dimensão volumétrica, máxima de vosso sistema. Então a matéria se desmaterializará de sua forma atômica e o ser sobreviverá além do fim de vosso universo físico e de suas dimensões.

[12] - Reveja a trajetória típica dos movimentos fenomênicos, no capítulo 26 (53.6)

52. 

DESENVOLVIMENTO CINÉTICO DA SUBSTÂNCIA
 






A vida é um impulso íntimo. Temos de estudar a gênese desse impulso. Precisamos nos referir ao que dissemos no estudo da cosmogonia atômica e dinâmica. 










Vimos lá que a substância da evolução é a expansão de um princípio cinético que se dilata continuamente, do centro à periferia: uma extrinsecação de movimento que passa do estado potencial ao estado atual; uma causa que permanece idêntica a si mesma, embora produzindo seu efeito. 

As infinitas possibilidades concentradas num processo involutivo precedente manifestam-se nesse inverso e compensador movimento centrífugo evolutivo. Vossas fases $ \gamma $ , $ \beta $, $ \alpha $, são apenas três zonas contíguas desse processo de descentralização. Vossa evolução atual está suspensa entre centro e periferia: dois infinitos. 

Somente colocados assim, como substância cinética da evolução, são os fenômenos compreensíveis e analisáveis; somente reduzidos assim a seu último termo. O movimento assume formas diferentes e cada forma é um grau, uma fase da evolução, um modo de ser da Substância. 

No âmago existe o movimento e, quando a Substância muda sua trajetória, exterioriza-se à vossa percepção uma correspondente mudança de forma: o movimento assume uma roupagem diferente. No fundo, isso é apenas a expressão do pensamento de Deus.
 
Para que possa o impulso proveniente do centro atingir a periferia e deslocar de uma fase o sistema dinâmico de vosso universo, é necessário que atravesse as fases intermediárias e se apresente ao limiar de novo período, como produto e última elaboração cinética dessas fases. 

Como a energia, logo que nasceu, dirigiu-se de imediato para a matéria, a fim de movê-la, animá-la e fecundá-la com seu impulso dinâmico e elevá-la para uma vida mais intensa, assim a vida, filha da energia, volta-se subitamente para trás, em direção à matéria, a fim de arrastá-la para novo turbilhão de trocas químicas, antes ignoradas por ela. 

Isso para que a trindade das formas possa fundir-se numa unidade e seja profunda a maturação de cada fase. Por isso, o movimento é retomado pelo movimento da fase sucessiva, melhorado e aprofundado, aperfeiçoado, amadurecido. É o novo impulso, máxima manifestação dinâmica, que se dobra sobre a estrutura atômica e se reveste dessa manifestação. 

Esse conúbio é necessário para que a nova forma, a, encontre sua manifestação e os movimentos de $ \gamma $ sejam levados a um grau maior de perfeição. Assim se manifesta o psiquismo da vida, por meio de combinações da química, mas elevada ao grau mais alto de química orgânica.
 
A expansão cinética do impulso central significa, portanto, uma retomada de todos os movimentos precedentes, uma reconstrução de todos os equilíbrios já constituídos. Tudo o que nasce tem que renascer cada vez mais profundamente. Em nova manifestação desse princípio do psiquismo, a matéria revive, fecundada por um poder de direção e de escolha, que lhe penetra a íntima estrutura e a permeia toda com uma febre de vida nova. 

A nova potência, que nasceu de $ \beta $, compõe para si, das formas já aparecidas e elaboradas da matéria, um corpo de que ela é a alma, em cujo íntimo ela age. A matéria e a energia tornam-se meios externos, dominados e guiados por esse movimento de ordem superior. 

Só por esse caminho e através desse complexo trabalho de íntima e profunda maturação da matéria e da energia, isto é, complicação e aperfeiçoamento dos movimentos e dos equilíbrios da Substância, o princípio do psiquismo se expande e atua no mundo dos efeitos e realizações, e fixa sua marca na caminhada evolutiva. 

Para que o princípio possa estabilizar-se nesta zona periférica das manifestações, tem que refazer-se nas zonas intermediárias, fundir o próprio movimento nos seus movimentos, aperfeiçoá-los, arrastando com o próprio impulso as suas trajetórias, para novos tipos e novas direções. Assim, a matéria é novamente trazida para a circulação e erguida como sustentação de nova manifestação. 

É por meio desse amplexo e dessa fusão, é por intermédio dessa ajuda, pela qual o mais estende-se para o menos, que se avança. O movimento jamais abandona as construções já estabelecidas, mas faz evoluir e aperfeiçoa-lhes o equilíbrio. A evolução é íntima, universal. 

Não admite armazenamento de materiais de refugo. Essa retomada sempre em circulação ascensional constitui a natureza daquela maturação cinética da Substância, é a essência da evolução. Somente agora podeis alcançar a visão completa da estrutura cinética da Substância.


Comentários de gilson Freire:

52 - Desenvolvimento do Princípio cinético da Substância

Vida: maturação cinética da substância
 
O impulso da vida age na intimidade da matéria onde é inerente. A substância da evolução é a expansão de um princípio cinético que se dilata continuamente do centro à periferia – “a extrinsecação de um movimento” – movimento que assume formas diferentes na caminhada evolutiva. Movimento que se faz numa circunvolução ascensional, proveniente da própria natureza da substância, oriundo de sua poderosa vontade de realização e é a essência da evolução.
 
A vida então é filha da energia. Esta, amadurecida, se volta para trás, para tomar a matéria e amadurecê-la também, para que a substância se funda em sua trindade, permitindo a sua mais profunda maturação. Investe contra o edifício atômico, elevando-o à condição de matéria orgânica. Desta forma a vida nada mais é do que a expansão cinética de um impulso central que sempre existiu. É uma retomada de todos os movimentos precedentes, reconstrução de equilíbrios já conquistados e não um exótico, raro e casual fenômeno do Universo – daí a Grande Síntese denominá-la de “maturação cinética da substância”.

05/05/2015


51. 

CONCEITO SUBSTANCIAL DOS FENÔMENOS BIOLÓGICOS







A evolução das espécies dinâmicas trouxe-nos até à forma “eletricidade”, situada no mais alto nível, nas fronteiras da energia. Vimos que, substancialmente, a degradação dinâmica não é senão evolução, isto é, passagem para as formas menos poderosas e cinéticas, mas mais sutis, complexas e perfeitas. 








Vosso universo caminha visivelmente de um estado de caos — apenas a fase tensão da primeira explosão dinâmica — para um estágio final de ordem, ou seja, de equilíbrio e coordenação de forças. Aquela é a fase de preparação e esta o ambiente em que nasceu a vida. Em outras palavras, o fato de que a evolução dinâmica atingiu a forma eletricidade, significa formação de um ambiente mais equilibrado, onde é possível aquela nova ordem (isto é, coordenação e organização superior de forças) que a denominais vida. 

Essa nova ordem se aperfeiçoará cada vez mais, em prosseguimento do caminho evolutivo já percorrido, para coordenações e organizações mais complexas e completas: orgânicas, psíquicas e sociais. Pois, com a vida, inicia-se também a manifestação de suas leis e de seus equilíbrios superiores, que dirigirão, nos níveis mais altos, também vossa existência individual e coletiva.
 
Como ocorre a transformação da eletricidade em vida? Compreende-se essa passagem pela redução do fenômeno, como o fizemos para as formas de $ \gamma \rightarrow \beta $, à sua substância ou íntima estrutura cinética. Desde as primeiras fases da vida, o ritmo dinâmico transforma-se em outros ritmos, que se fundem em harmonias mais complexas, em verdadeira sinfonia de movimentos. 

A matéria vos deu o princípio estático da forma; a energia, o princípio dinâmico da trajetória e transmissão; a vida vos dará o princípio psíquico do organismo e da consciência. Uma primeira observação fundamental: o modo pelo qual colocamos o problema do ser, com o transformismo $ \gamma \rightarrow \beta \rightarrow \alpha $ — isto é, como um fisio-dínamo-psiquismo — leva-nos a uma concepção de vida diferente da vossa, muito mais substancial. 

Geralmente procurais a vida em seus efeitos, não em suas causas; na forma, não no princípio. Conheceis da vida as últimas consequências, e descurasteis a priori e de propósito o centro gerador. Tivesteis até ilusão de poder reproduzir a gênese dos processos vitais, provocando os fenômenos últimos e mais afastados da causa determinante. 

Ora, a verdadeira vida não é uma síntese de substâncias protéicas, mas consiste no princípio que essa síntese estabelece e dirige; a vida não reside na evolução das formas, mas na evolução do centro imaterial que as anima; a vida não está na química complexa do mundo orgânico, mas no psiquismo que a guia.
 
Observai, agora, como nosso ingresso no mundo biológico ocorre precisamente por via das formas dinâmicas. Com a eletricidade, situada no vértice destas, desembocamos não na forma, mas no princípio da vida, no motor genético das formas. Isto porque caminhamos sempre aderentes à Substância e existimos no âmago em que está a essência dos fenômenos. 

Leva-nos este fato a uma colocação nova do problema da vida: 

compreendemo-lo totalmente em seu aspecto profundo e substancial (o lado psíquico e espiritual) e isto desde o primeiro aparecimento dos mais rudimentares fenômenos biológicos, em que já existe presente naquele psiquismo, embora rudimentarmente. 

A nossa biologia é de substância, não de forma. Alcançamos não a veste orgânica mutável, mas o princípio que não morre; não a aparência exterior dos corpos físicos, mas a realidade que os anima; não o que sai, mas o que fica; não o indivíduo nem as espécies em que se reagrupam as formas e se encadeiam em desenvolvimentos orgânicos, mas a expansão do conceito dirigente do fenômeno do psiquismo que vos preside; não a evolução dos órgãos, mas a evolução do Eu, que vos melhora e os plasma para si, como meios para a própria ascensão. 

Vista assim, em sua luz interior, a biologia coincide, também na análise crua de suas forças motrizes, com o mais alto espiritualismo das religiões. Isto se dá porque as vicissitudes do princípio psíquico que evolui da ameba ao homem, são as mesmas que depois amadurecem na ascensão espiritual da consciência, que se eleva a Deus pela fé. 

Pois, a pequena centelha se tornará incêndio, o primeiro vagido tímido será o canto potente de todo o planeta. Aqui vedes, chegando à completa e harmônica fusão, os princípios das religiões e os métodos do materialismo; vedes reunida a aspiração, ainda que cindida, do espírito humano.
 
As três fases de vosso universo são $ \gamma $ , $ \beta $, $ \alpha $. A passagem ocorre da matéria ($ \gamma $), para energia ($ \beta $) e para o espírito ($ \alpha $). As formas dinâmicas abrem-se por evolução, não na vida como a entendeis, mas no psiquismo que é a causa dessa vida. Assim o fenômeno da vida assume um conteúdo totalmente novo, um significado imensamente mais alto e, ao mesmo tempo, não fica isolado, mas se concatena com os fenômenos da matéria e energia. 

Podemos investigar a gênese científica do princípio espiritual da vida, sem minimizar com isso, de modo algum, a grandeza e a profundidade divina do fenômeno. A energia é o sopro divino que anima a matéria, elevando-a a nível mais alto. O Pentateuco, no capítulo 2º da Gênese, diz:
 
“O Senhor Deus, então, formou o homem da lama da terra, e soprou-lhe na face o sopro da vida e o homem foi feito alma vivente”.
 
A lama da terra é a matéria inerte, os materiais químicos do mundo inorgânico. O grande hálito que move e vivifica a matéria cósmica, isto é: 

anemo
 
, alma, espírito, paixão, turbilhão, não é apenas acrescentada a ela, mas funde-se com ela. 

Sabemos que Deus não é potência exterior, mas reside no íntimo das coisas, e no íntimo opera, profundamente, na essência. Não atribuais corpo e hálito à Divindade. Compreendei que naquelas palavras não pode existir mais do que uma humanização simbólica de uma realidade mais profunda.




04/05/2015



50. 

NAS FONTES DA VIDA

 






“...e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas”.
(Gênese, cap. I)











Nova luz maravilhosa alvorece no horizonte do mundo fenomênico. No tépido regaço das águas, prepara-se o planeta para acolher o primeiro germe, princípio de novo modo de existir. O momento é solene. O universo assiste à gênese da suprema maravilha, amadurecida em seu seio, através de períodos incomensuráveis de lenta preparação, quase consciente do esforço titânico da Substância nascente, da qual brotará, no ponto culminante, a síntese máxima: 

a vida.

Nasce a flor mais complexa e mais bela, em que mais límpido transparece o conceito da Lei e o pensamento de Deus. Deus, sempre presente no âmago das coisas, aparece sempre mais evidente à proporção que se ascende, em sua progressiva manifestação, Deus aproxima-se de Sua criatura.

Ao detonar da primeira centelha nos confins extremos do mundo dinâmico, saturado de passado e totalmente amadurecido, o universo tremeu evocador e clarividente. A matéria existira, movimentara-se a energia, mas somente a vida saberia chorar ou alegrar-se, odiar ou amar, escolher e compreender; compreender o universo e a Lei e pronunciar o nome de seu Pai:

Deus. 

Nasce a vida; não a forma que vedes, mas o princípio que por si criará aquela forma para si
mesma, como veículo e meio de ascensão. Naquele princípio que animará a primeira massa protoplasmática, existe o germe de todas as sucessivas e ilimitadas realizações da nova forma da Substância; para cima, subindo sempre, até às emoções e às paixões, permanece o germe do bem e do mal, de todo o vosso mundo ético e intelectual. 

A fuga eletrônica de um raio de sol transformar-se-á em beleza e alegria, sensação e consciência. Nosso caminho, alcançando a vida, atinge regiões cada vez mais altas. Desta exposição irrompe um hino de louvor ao Criador. Minha voz funde-se no canto imenso de toda a criação. Diante do mistério que se realiza, no momento supremo da gênese, a ciência torna-se mística expansão, a exposição árida incendeia-se permeada pelo hálito do sublime; através da crua fenomenologia científica sopra o senso do divino. 

Diante das coisas supremas, dos fenômenos decisivos que somente aparecem nas grandes curvas da evolução, os princípios racionais da ciência e os princípios éticos das religiões fundem-se no mesmo lampejo de luz, numa única verdade. Por que a verdade descoberta por vós, racionalmente, deveria ser diferente da verdade que vos foi revelada? Diante da última síntese, caem os antagonismos inúteis do momento e de vosso espírito unilateral e cego. Cada verdade e concepção parcial tem que reentrar no Todo: 

a ciência tanto quanto a fé, o que nasce do coração e da mente, a matemática mais avançada e a mais alta aspiração mística, a matéria e o espírito, nenhuma realidade, por mais relativa que seja, pode ser excluída. 

Se a ciência é realidade substancial, como pode permanecer fora da síntese? Se o aspecto ético da vida é também realidade substancial, como pode ser descuidado? Essas novas concepções podem chocar vosso misoneísmo; tão grande salto à frente talvez vos cause medo; esse conceito de Divindade pode encher-vos de desânimo, mais que de amor. Mas também tendes que admitir e, com isso, torna-se pequeno apenas o conceito do homem, em relação ao conceito de Deus, que se agiganta além da medida.

Isso poderá desagradar aos egoístas e aos soberbos, jamais às almas puras. No momento solene volita nos espaços um hálito divino. O pensamento, permeado pelo grande mistério, olha e recolhe-se em oração.

Orai assim:



“Adoro-te, recôndito Eu do universo, alma do Todo, Meu Pai e Pai de todas as coisas, minha respiração e respiração de todas as coisas.

Adoro-te, indestrutível essência, sempre presente no espaço, no tempo e além, no infinito. Pai, amo-te, mesmo quando Tua respiração é dor, porque Tua dor é amor; mesmo quando Tua Lei é esforço, porque o esforço que tua Lei impõe é o caminho das ascensões humanas.

Pai, mergulho em tua potência, nela repouso e me abandono, peço à fonte o alimento que me sustente.

Procuro-te no âmago onde Tu estás, de onde me atrais. Sinto-Te no infinito que não atinjo e donde me chamas. Não Te vejo e, no entanto, ofuscas-me com Tua luz; não Te ouço, mas sinto o tom de Tua Voz; não sei onde estais, mas encontro-Te a cada passo, esqueço-Te e Te ignoro, no entanto, ouço-Te em toda a minha palpitação. 

Não sei individuar-Te, mas gravito em torno de Ti, como gravitam todas as coisas, em busca de Ti, centro do universo. Potência invisível que diriges os mundos e as vidas, Tu estás em Tua essência acima de toda a minha concepção.

Que serás Tu, que não sei descrever nem definir, se apenas o reflexo de Tuas obras me enceguece? Que serás Tu, se já me assombra a incomensurável complexidade desta Tua emanação, pequena centelha espiritual que me anima integralmente? O homem Te busca na Ciência, invoca-Te na dor, Te bendiz na alegria. 

Mas na grandiosidade de Tua potência, como na bondade de Teu amor, estás sempre além, além de todo o pensamento humano, acima das formas e do devenir, um lampejo do infinito.

No ribombar da tempestade está Deus; na carícia do humilde está Deus; na evolução do turbilhão atômico, na arrancada das formas dinâmicas, na vitória da vida e do espírito, está Deus. 

Na alegria e na dor, na vida e na morte, no bem e no mal, está Deus; um Deus sem limites, que tudo abarca, estreita e domina, até mesmo as aparências dos contrários, que guia para seus fins supremos.

E o ser sobe, de forma em forma, ansioso por conhecer-Te, buscando uma realização cada vez mais completa de Teu pensamento, tradução em ato de Tua essência.

Adoro-Te, supremo princípio do Todo, em Teu revestimento de matéria, em Tua manifestação de energia; no inexaurível renovar-se de formas sempre novas e sempre belas; eu Te adoro, conceito sempre novo, bom e belo, inesgotável Lei animadora do universo. Adoro-Te grande Todo, ilimitado além de todos os limites de meu ser.

Nesta adoração, aniquilo-me e me alimento, humilho-me e me incendeio; fundo-me na Grande Unidade, coordeno-me na grande Lei, a fim de que minha ação seja sempre harmonia, ascensão, oração, amor.

Orai assim, no silêncio das coisas, olhando sobretudo para o âmago que está dentro de vós. 

Orai com espírito puro, com intenso arrebatamento, com poderosa fé, e a radiação anímica, harmoniosamente sintonizada com grande vibração, invadirá os espaços. 

E ouvireis uma voz de conforto, que vos chegará do infinito.






49. 

DA MATÉRIA À VIDA


 
Da mesma forma que a natureza cinética dá à energia sua característica fundamental, a de transmitir-se (dimensão espaço que ascende à dimensão tempo), o novo princípio da coordenação das forças, num mais débil e caduco, porém mais sutil, complexo e profundo entrelaçamento cinético, dá à energia, elevada à vida, sua característica fundamental de consciência (dimensão tempo que ascende à dimensão consciência). 










Individuam-se as formas de vida, tal como toda forma de energia individuara-se num tipo bem definido, com fisionomia própria e com tendência a conservar-se em seu modo de ser, como indivíduo que deseja afirmar-se e distinguir-se de todos os afins, com movimento, forma, direção e, portanto, com objetivo próprio: 

um Eu que já possui os elementos fundamentais da personalidade e, não obstante seu contínuo devenir, conserva inalterado seu tipo. 

Nas formas de vida, o princípio de individuação — depois que a Substância atingiu o mais alto grau de evolução e de diferenciação — torna-se cada vez mais evidente. Já na energia, as formas conquistam uma existência própria independente de sua fonte originária. 

A luz, uma vez lançada, destaca-se e existe progredindo de per si no espaço. Chega do infinito, luz estelar emanada milhares de anos antes, sem que saibais se a estrela que a originou sequer ainda existe. E o som continua, avança e chega, quando a causa das vibrações já está em repouso. Se as formas de energia, uma vez geradas, sabem existir no espaço pelo seu próprio princípio, na vida, a autonomia é completa. 

Como são parentes pela comunidade de origem e pela afinidade de caracteres, as formas químicas e depois as formas dinâmicas, de igual modo, são parentes entre si as formas de vida, pela gênese e pelos caracteres, todas fundidas com todos os seres existentes, orgânicos e inorgânicos, numa fraternidade universal. Irmandade substancial, constituída de igual matéria, idêntico modo de ser, do mesmo objetivo a atingir; fraternidade a que se deve a possibilidade da convivência, simbiose universal, e de todas as trocas da vida, que são sua condição.
 
Voltemos um olhar ao caminho percorrido. $ \beta $ concentrou seu íntimo movimento no núcleo, unidade constitutiva do éter. Neste ponto, o movimento de descida involutiva ou de concentração cinética, ou de condensação da Substância, inverte-se em direção oposta, de subida evolutiva ou de descentralização cinética. 

O núcleo, síntese máxima de potencial dinâmico no ponto $ \beta \rightarrow \gamma $ do transformismo fenomênico, reconduz, por sucessiva emissão de elétrons, a energia cinética concentrada. Percorramos a fase $ \gamma $, assistindo ao desenvolvimento da série estequiogenética. Se na química temos, como primeiro estágio, o hidrogênio, na astronomia temos a nebulosa, isto é, matéria jovem e universo jovem — estado gasoso — estrelas quentes, fase ainda de alta concentração dinâmica. 

Enquanto de um lado desenvolve-se a árvore genealógica das espécies químicas, do outro evolui a vida das estrelas que envelhecem, resfriam-se, solidificam-se, assumindo constituição química, luz e espectro diferentes, afastando-se do centro genético do sistema galáctico. Há uma maturação paralela, integral, da substância e da forma. 

Noventa e dois elétrons são sucessivamente lançados fora da órbita espiralóide nuclear, cada um deles continua a girar em sua órbita ligeiramente espiralóide. sucessivamente constroem-se os edifícios atômicos, cada vez mais complexos, dos corpos químicos indecompostos, segundo uma escala de pesos atômicos crescentes. Aqui torna-se possível uma aproximação entre o vórtice galáctico e o vórtice atômico. 

A gênese e o desenvolvimento do primeiro podem dar-vos um exemplo tangível da gênese e do desenvolvimento do segundo. Enquanto a energia concentra-se no núcleo (éter) — centro genético das formas de $ \gamma $ — paralelamente o universo, na fase dinâmica, concentra-se na nebulosa mãe da expansão espiralóide galáctica. Inversamente, as estrelas, durante o processo de sua evolução, projetam-se do centro à periferia, com velocidades progressivas à proporção que envelhecem e se afastam desse centro. 

Isso ocorre com uma técnica que coincide com a do desenvolvimento espiralóide do átomo. Uma vez mais os fenômenos confirmam a atuação da trajetória típica dos movimentos fenomênicos em seus dois movimentos, involutivo e evolutivo. Assim, do éter — último termo da descida de $ \beta $ — nasceu a matéria que, depois, por evolução atômica, atinge as espécies radioativas. Primeiro os corpos de peso atômico menos elevado, depois os de peso atômico mais alto. 

Primeiro o magnésio, o silício, o cálcio; mais tarde aparecem os elementos mais sólidos, como prata, platina, ouro, menos jovens. Vós os encontrais no velho sistema solar e sua parte mais solidificada e resfriada dele, os planetas. Os corpos simples, no estado gasoso, como Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, são mais raros em vosso globo. Aqui aparece a radioatividade, como fenômeno tão difuso, como uma função inerente à matéria, em vista do estágio em que se encontra em vosso planeta. 

Para o centro deste, onde a matéria manteve-se mais quente e está menos envelhecida, são mais raros os corpos radioativos, tanto que, apenas a 100 Km de profundidade a radioatividade quase desaparece. Depois de completada a maturação das formas de $ \gamma $ , ocorreu também uma expansão do vórtice galáctico, do centro à periferia, com o resfriamento e a solidificação da matéria. 

Esta terminou o ciclo da vida e a Substância assume novas formas; transforma-se lentamente em individuações de grau mais alto. A dimensão espaço ascende à dimensão tempo. A matéria inicia uma transformação radical, doando todo o seu movimento tipo g ao movimento tipo $ \beta $. O vórtice nuclear do éter desenvolveu, na fase g o vórtice atômico da matéria. 

Chegando ao máximo da dilatação, esse vórtice continua a expandir-se, desenvolvendo as formas dinâmicas, e nasce a energia. A Substância continua a evoluir, prosseguindo sua ascensão em $ \beta $. A primeira emanação gravífica de comprimento mínimo de onda, frequência vibratória e velocidade de propagação máxima no sistema dinâmico, completa-se com a emanação radioativa da desintegração atômica. 

O processo de transformação dinâmica, que tem suas raízes na evolução estequiogenética, isola-se, afirmando-se decididamente. O vórtice atômico rompe-se e decompõe-se, por progressiva expulsão do sistema daqueles elétrons, que já nasceram para serem expulsos do sistema nuclear. Trata-se de um constante realizar-se daquilo que estava em potência, fechando-se em germe por concentração de movimento. 

Nascem novas espécies dinâmicas:  

depois da gravitação e da radioatividade, aparecem as radiações químicas, a luz, o calor, a eletricidade, sempre em ordem de frequência vibratória decrescente e comprimento de onda progressivo. 

A matéria, que viveu e não tem mais vida própria, responde ao impulso desse novo turbilhão dinâmico que ela mesma gerou, é toda invadida por ele e movimentada. 

Este é vosso atual universo: a matéria que está morrendo, a energia em plena maturidade, a vida e a consciência jovens, em vias de formação. Os cadáveres da matéria, já solidificada e sem vida própria, de formação química, lançados e sustentados nos espaços pela gravitação, inundados de radiações de toda espécie, são apenas o sustentáculo de formas de existência mais altas. 

Da eletricidade (a forma dinâmica mais madura), numa nova grande curva da evolução, nasce e veremos como, a vida: matéria organizada como vida, ou seja, retomada num turbilhão ainda mais alto. 

A vida, pequena centelha na origem, na qual continua a expansão evolucionista do princípio nuclear e atômico, dinâmico (onda), numa forma cada vez mais complexa de coordenação de partes, de especialização de funções, de organização de unidades e de atividades; a vida, cuja substância, cujo significado, objetivo e produto é a criação da consciência, é $ \alpha $, o espírito. 

E da primeira célula se iniciará, através de miríades de formas, de tentativas, de fracassos e de vitórias, a lenta conquista que gradualmente triunfará no homem e dele, hoje, lança-se para as últimas fases do terceiro período de vossa evolução, que se resume na conquista da superconsciência e na realização biológica do Reino de Deus.

$ \alpha $            $ \beta $            $ \gamma $