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23/03/2015


14. 
DO ÉTER AOS CORPOS RADIOATIVOS

 




Assim, muitas nebulosas que vedes aparecer nos espaços sem um precedente visível, nascem por condensação de energia, a qual, após a imensa dispersão e difusão devida à contínua irradiação de seus centros, concentra-se, seguindo correntes, que guiam sua eterna circulação, em determinados pontos do universo. 






Aí, obedecendo ao impulso que lhe é imposto pela grande lei do equilíbrio, instala-se, acumula-se, retorna e se dobra sobre si mesma, compensando e equilibrando o ciclo inverso, já esgotado, da difusão que a guiara de uma coisa à outra, para animar e mover tudo no universo. De todas as partes deste, as correntes trazem sempre nova energia, o movimento torna-se cada vez mais intenso, o vórtice fecha-se em si mesmo, o turbilhão transforma-se em um verdadeiro núcleo de atração dinâmica. 

Quando ele não pode suportar mais em seu âmbito todo o ímpeto da energia acumulada, chega a um momento de máxima saturação dinâmica, a um momento crítico em que a velocidade torna-se massa, estabiliza-se nos infinitos sistemas planetários íntimos, do qual nascerá o núcleo, depois o átomo, a molécula, o cristal, o mineral, os amontoados solares, planetários, siderais. Da imensa tempestade nasceu a matéria. 

Deus criou.



Vedes que, em realidade, nenhuma das três formas,
$ \alpha $, $ \beta $, $ \gamma $ , conseguem isolar-se completamente; trazem em si sempre traços de suas fases precedentes. Assim, vedes que o pensamento apoia-se num suporte nervoso-cerebral, e que a matéria em si nos exprime sempre a ideia que a anima. 

A energia na fase de ida ou na de retorno, é sempre o traço de união entre $ \alpha $ e $ \gamma $ ; reveste todas as formas, tanto que em vosso baixo mundo, o pensamento só sabe existir com o apoio da energia e a energia permeia toda a matéria, agitando-a em formas infinitas; sobretudo, naquela fundamental, mãe de todas as outras, de energia gravífica ou gravitação universal.



O éter, que para vós é mais uma hipótese do que um corpo bem estudado, escapa às vossas classificações, porque quereis reconduzi-lo às formas de matéria que conheceis, enquanto é uma forma de transição entre matéria e energia. O éter, forma de transição entre
$ \beta $ e $ \gamma $, é, por sua vez, pai do Hidrogênio. 

É o filho das formas dinâmicas puras:  

calor, luz, eletricidade, gravitação, para a qual regressará a matéria por desagregação e radioatividade. 

As nebulosas condensam-se da fase éter, através das fases gás, líquido, sólido. Entre os sólidos, existem os corpos de peso atômico máximo, os mais radioativos, os mais velhos, como disse, aqueles que, por desagregação atômica, regressam à fase $ \beta $.


19/03/2015


13. 

NASCIMENTO E MORTE DA MATÉRIA
CONCENTRAÇÃO DINÂMICA E DESAGREGAÇÃO
ATÔMICA





Aprofundemos, pois, o problema do nascimento e da morte da matéria, depois (entre esses dois extremos) o da evolução de suas individuações, isto é, o de sua vida.

 








Pode definir-se a matéria como uma forma de energia, isto é, um modo de ser da substância, que nasce da energia por condensação ou por concentração e regressa à energia por desagregação, após haver percorrido uma série evolutiva de formas cada vez mais complexas e diferenciadas, que reencontram a unidade em reagrupamentos coletivos.

A matéria nasce, vive e morre, para renascer, reviver e tornar a morrer, tal como o homem, eternamente, descendo de beta a gama e voltando a beta, quando o vórtice interior, por ter atingido o máximo de condensação dinâmica, não mais pode suportá-la e se quebra. 


Assistamos, então ao fenômeno da desagregação da matéria, a que chamais radioatividade, própria dos corpos velhos, com peso atômico maior, seu máximo de condensação. Assim, o átomo representa uma quantidade enorme, uma mina de energia condensada, que podereis libertar, perturbando o equilíbrio interno do sistema núcleo-eletrônico do átomo.

Exemplo de decaimento radioativo com emissões de "partículas" alfa e beta. 


O significado da palavra condensação só pode ser compreendido se reduzirmos a energia à sua expressão mais simples (isto também vale para a substância): 

o movimento. 

Condensação de energia é expressão demasiadamente sensória. É melhor dizer concentração de energia, pois isso significa aceleração de movimento, de velocidade. Veremos melhor essa essência do fenômeno no estudo do íntimo mecanismo do transformismo fenomênico.


Condensado de Bose-Einstein


Vemos, todavia, que toda a estrutura planetária do átomo nos fala de energia e de velocidade. Logo que observamos, em profundidade, o fenômeno matéria, esta se dissolve em sua aparência exterior e se revela em sua substância, a energia. O conceito sensório de solidez e de concreto desaparece diante do conceito de elétrons que giram, velocíssimos, em espaços ilimitados, proporcionalmente a seu volume, em redor de um núcleo incomensuravelmente menor. 

Assim a matéria, tal como a concebeis habitualmente, desvanece em vossas mãos, deixando-vos apenas sensações produzidas por algo que é apenas energia e determina um movimento que se estabiliza por sua altíssima velocidade. 

Eis a matéria reduzida à sua última expressão. Da mesma forma que o movimento é a essência da substância ômega, assim também é o de cada um de seus aspectos:  

$ \alpha $, $ \beta $, $ \gamma $

Velocidade é energia , velocidade é matéria, velocidade é idêntica em sua substância, é o denominador comum que vos permite a passagem de uma à outra forma.


Pares de partículas-antipartículas do vácuo quântico.



Coloquemos lado a lado estas duas formas da substância, matéria e energia. Aquecendo um corpo, transmitimos energia à matéria, isto é outra modalidade de energia. Somamos energia. O calor significa aumento de velocidade nos sistemas atômicos-moleculares. 

Quando dizemos que um corpo está mais quente, isto significa que seu movimento íntimo sofre um rápido aumento de velocidade. Então o calor infunde na matéria, como em todas as demais formas de vida, um ritmo mais intenso; é verdadeiro aumento de potência, um acréscimo de individualidade que, no mundo da matéria, expressa-se com a dilatação do volume. 

De imensa distância, o sol acende essa dança dos átomos e toda a matéria do planeta responde. A dança propaga-se de corpo em corpo, tudo o que lhe está perto o sente, participa, exulta. Os corpos condutores de energia são aqueles cujas moléculas são mais ágeis a realizar a corrida. 

O movimento, essência do universo, vai de uma coisa à outra, ávido de comunicar-se, como as ondas do mar, ávido de expandir-se. Dá-se sempre, pelo universal princípio do amor; fecunda e se dispersa depois de haver dado a vida, para reencontrar-se, recondensar-se ao longe, em todos os novos vórtices de criação. Os homens e as coisas, na Terra, arrebatam o mais que podem, tudo que chega do sol e o dividem entre si. 

O homem transforma esse movimento em outras formas de energia (já que nada se cria e nada se destrói, tudo se transforma, sempre): 

luz, som, eletricidade, para suas necessidades.  

Mas o fenômeno é irresistível e a cada transformação há uma perda, um consumo, um desgaste, um atrito e um esforço para suprir isso (porque estais em fase de evolução = descentralização cinética).




O fornecimento do sol renova-se continuamente; ele dá o que tem e em formas sempre novas, reconquistará tudo o que dá. Isso porque o movimento, substância do universo, é um ciclo que sempre volta e está fechado e completo em si mesmo.


18/03/2015



12. 

CONSTITUIÇÃO DA MATÉRIA —  UNIDADES MÚLTIPLAS     

 


Comecemos, pois, por analisar o fenômeno matéria, gama, que tomaremos como ponto de partida, relativo a vós.

 








Observá-lo-emos de um ponto de vista estático, em suas características típicas de determinada individuação da Substância e, também, de um ponto de vista dinâmico, como o devenir da corrente do transformismo da Substância, que vindo da fase gama, regresse à fase beta. Na realidade, os dois aspectos fundem-se. O contínuo frêmito de movimento com o qual a Substância vibra, leva-a a individuar-se diversamente. 

Este estudo vos mostrará sempre aspectos novos do Princípio Único, novos artigos da mesma Lei.

Sob o ponto de vista estático, apresenta-se-nos a matéria diversamente individuada, de acordo com a sua construção atômica. O estudo dessa construção vos revelou, na Terra, a presença de 92 elementos ou corpos simples, que vão do Hidrogênio (H) ao Urânio (U). 

São indivíduos químicos indecompostos em simples unidade atômica, que formam toda a vossa matéria, reagrupando-se nas unidades moleculares, organismos ainda mais complexos, produzidos pela fusão de vários sistemas atômicos (por exemplo, o sistema atômico H, na unidade molecular H2O), organizando-se afinal naquelas coletividades moleculares, verdadeiras sociedades de moléculas, que são os cristais.

verdadeiras sociedades de moléculas


Estes, embora reduzidos a massas de indivíduos cristalinos informes, como vos aparece nas estratificações geológicas, ou nas rochas clásticas ou fragmentárias, conservam sempre a íntima orientação molecular e constituem a estrutura de vosso planeta e dos planetas do sistema solar. É um crescendo, no organizar-se em unidades coletivas cada vez mais vastas, semelhante ao de vossa consciência individual, que se coordena na mais vasta consciência coletiva nacional e, depois, na mundial.

Procedendo no sentido inverso, o átomo é uma coletividade decomponível em unidades menores. O átomo é composto de um ou mais elétrons, que giram em redor de um núcleo central; o que individualiza o átomo e o distingue é justamente o número desses elétrons que giram em torno do núcleo. Tendes, assim, 92 espécies de átomos, desde o hidrogênio, que é o mais simples, composto de um núcleo e de um só elétron que gira em torno dele; o Hélio (He), que o um núcleo e de dois elétrons; o Lítio (Li) com três, e assim por diante até o Urânio (U), com 92 elétrons. Sobre essa base, construiremos uma série estequiogenética.
 

Tabela Periódica dos Elementos Químicos de Mendeleiev


Tocamos, desde logo, em novo aspecto ou artigo da Lei, o das unidades múltiplas ou coletivas. 

Então, não há apenas ordem, não somente unidade de princípio na Lei, mas há também, individuação constante, segundo tipos bem definidos, em cada uma de suas manifestações. É tendência constante, à proporção que a diferenciação multiplica tipos (a
pulverização do absoluto no relativo), o seu reagrupamento em unidades mais vastas, que reconstroem a unidade fragmentada no particular.


O impulso centrífugo equilibra-se, pois, invertendo-se em tendência centrípeta; na dispersão e concentração, no multiplicar-se dividindo-se, no reagrupar-se reunindo-se, a substância se reencontra sempre, completa em si mesma. A imensa respiração de ômega é, também, completa em si mesma, voltando sobre si. Assim, o universo contempla seu próprio processo de auto-criação.

Disse que os elétrons giram em redor do núcleo. Ora, nem mesmo o núcleo é o último termo; em breve, aprendereis a decompô-lo. Porém, por mais que procureis o último termo, jamais o encontrareis, porque ele não existe.

Nesta pesquisa, dirigida para o âmago da matéria, acompanhais o caminho descendente que ômega percorreu, de

 

e tereis de encontrar beta, isto é, a energia da qual nasceu a matéria e à qual veremos regressar em seu caminho ascensional, que a reconduz a beta.







17/03/2015


11. 

UNIDADE DE PRINCÍPIO 

      NO FUNCIONAMENTO 

      DO UNIVERSO

 






Torna-se difícil reduzir à forma linear de vosso pensamento e de vossa palavra, a unidade global do todo que sinto como uma esfera instantaneamente completa, sem sucessividade. 










Levai em conta, pois, a forma na qual me devo exprimir, que restringe e diminui o conceito; somente aquela faculdade da alma, a intuição, de que vos falei, poderia traduzi-lo para vós sem distorções.
 
Capacitai-vos de que, embora minha exposição seja progressiva, o universo contém, a cada instante, cada uma e todas as fases do transformismo. A cada instante ele é todo, completo e perfeito em todos os seus períodos de ida e volta. Não é
 de um lado, e depois









de outro; mas em todos os lugares e a cada momento, existe uma fase desse transformar-se, de tal modo que ele existe concomitantemente todo onde quer que seja, de forma que o absoluto não se divide, mas se encontra sempre todo, a si mesmo, no relativo. Deus está, assim onipresente em cada manifestação. Se assim não fora, como vos seria possível a observação dos fenômenos que, certamente, não teriam podido esperar na eternidade para existir e mostrar-se a vós, exatamente no instante em que também nascestes e se desenvolveram em vós os sentidos e uma consciência que se dirige a Ele? 

Trindade Egípcia Antiga - Hórus, Osíris e Ísis.


Grande diferença há entre o sujeito deste tratado, que observa o infinito, e vosso olhar intelectivo, que só abarca o finito, isto é, um ou alguns pormenores particulares e, sucessivamente, jamais o todo instantaneamente. 

Trindade Hindu.


Vossa razão só pode dar-vos um ponto de vista do universo, porque sois relativos, ou seja, sois um ponto que olha para todos os outros pontos. 

Tábua XIb do Liber Figurarum do Abade Joaquim de Flora, representando em três círculos a Santíssima Trindade


Mas os pontos são infinitos e vós fazeis parte deles; vós olhais e sois olhados; o universo olha para si mesmo de pontos infinitos




Apenas o olho de Deus pode ter essa visão global e tenho de reduzi-la muitíssimo, para levá-la à medida de vossa mente. Vede: 

é exatamente esta que limita minha revelação.

Um fato, porém, nos ajudará:  

o universo é regido por um princípio único

Já afirmei que o universo não é nem caos nem acaso, mas suprema ordem:  

a Lei. 

Chegou agora o momento de afirmar que a Lei significa não apenas, como disse, ordem, equilíbrio e precisão de funcionamento, mas acima de tudo significa unidade de princípio. Por isso disse: 

 Monismo

O princípio da trindade da substância, que vos expus, é universal e único: 

poderá pulverizar-se numa série infinita de efeitos e de casos particulares, mas ele permanece e o encontrareis em toda parte, em sua forma estática de individuação, alfa, beta, gama , em sua forma dinâmica de transformismo que segue o caminho:

 ... ...










Aqui três exemplos:

PrimeiroO microcosmo está construído como o macrocosmo. O átomo é um verdadeiro sistema planetário, com todos os seus movimentos, em cujo centro está um sol, o núcleo central, de densidade máxima, em redor do qual giram, seguindo uma órbita semelhante à planetária, um ou mais elétrons, segundo a natureza do sistema, é isso que define o átomo e lhe dá sua individuação química. 



Vosso sistema solar, com todos os seus planetas, poderia considerar-se o átomo de uma química astronômica, cujas combinações e reações produzem essas nebulosas que vedes aparecer e desaparecer nos confins de vosso universo físico.

Quando, no espaço, um sol, como qualquer núcleo com seu cortejo planetário, encontra-se com outro sol ou núcleo e seu cortejo planetário, o resultado é sempre o mesmo: 

a formação de nova individuação, quer seja sistema cósmico ou químico. 

No primeiro caso se individuará novo vórtice, novo “Eu” astronômico, que se desenvolverá segundo uma linha, a espiral que — vê-lo-emos — é a trajetória típica de desenvolvimento de todos os movimentos fenomênicos.



No segundo caso nascerá, pelo choque dos núcleos e pela emissão de elétrons do sistema, novo indivíduo atômico. Se isso ainda não apareceu em vosso relativo, vós o chamais de criação.

SegundoO princípio de que o universo se compõe, dividindo-se e reunindo-se, de duas metades inversas e complementares, é geral e único. Tudo o que existe tem seu inverso, sem isto, é incompleto. 



O sinal -, complementar do sinal +, próprio da energia elétrica, o encontrais no átomo, composto de um núcleo estático e positivo, e de elétrons, dinâmicos e negativos; e também na divisão sexual animal e em todas as manifestações da personalidade humana.



Terceiro. O homem é feito verdadeiramente à imagem e semelhança de Deus, no sentido em que compreende em si e constitui, numa unidade, os três momentos alfabetagama.

O homem é um corpo, estrutura física, que se apóia numa armação esquelética que pertence ao reino mineral gama , sobre a qual se eleva o metabolismo rápido da vida, a troca (vida vegetativa, ainda não consciência), dinamismo que é beta



O produto último da vida é a consciência, nascida daquele dinamismo e em contínuo desenvolvimento, por meio de um trabalho contínuo e intenso de provas e experiências produzidas por choques, não mais cósmicos ou moleculares, mas psíquicos.

Essa unidade de conceito é a mais evidente expressão do Monismo do universo e da presença universal da Divindade. Na infinita variedade das formas, sempre ressurge o mesmo princípio idêntico, com nomes e em níveis diferentes. 

Assim, no nível gama temos a gravitação; no nível beta temos o que denominamos simpatia; no nível alfa, amor. 

Eles constituem a mesma lei de atração, que vincula as coisas e os seres e os sustenta como organismo, numa rede de contínuas relações e trocas, tanto no mundo da matéria quanto no da consciência.
A coincidência entre a cosmologia atual e o modelo proposto por Robert Grosseteste em 1225 é impressionante - e leva aos mesmos gargalos. [Imagem: Tom C. B. McLeish et al.]
O reconhecimento da grandiosidade da ideias do autor medieval pode ser uma forma de reatar os laços dos cientistas acadêmicos modernos com seus mestres. [Imagem: Tom C. B. McLeish et al.]

Comentários de Gilson Freire.

Um princípio único rege o Universo

A Criação é uma unidade global, que funciona por princípio único e que aprendemos a chamar de Lei de Unidade. Esta lei se manifesta não só como unidade, mas como ordem que se impõe contra todo o caos e a fragmentação, momentos limitados e contidos da manifestação da substância.

A Lei de unidade nos diz que a Criação contém uma substância única que se manifesta em formas aparentemente distintas. Como essa substância vem de Deus, através dela, Ele está sempre presente em cada uma de suas transitórias apresentações.

O Absoluto não se fragmenta

A Lei de unidade impõe e conserva a unidade de funcionamento do Universo (Monismo). A substância é única em sua manifestação seja ternária ou dualística. A trindade é ao mesmo tempo uma unidade. O dualismo se recompõe no monismo. Assim, embora a substância se divida em diferentes formas, ela é sempre idêntica a si mesma, e o Absoluto, na verdade, não se fragmenta.

Não podemos alcançar a visão de síntese

Nossa razão analítica não pode nos dar a visão de síntese, pois “somos pontos que olham para outros infinitos pontos do Universo” e por isso não podemos alcançar a visão do Todo. A aparente fragmentação da substância, no mundo em que vivemos, nos impede a visão unitária do Universo, uma imensa esfera onde se manifesta o pensamento de Deus, desdobrando-se de um princípio único, em todas as possibilidades da Criação. A evolução, no entanto, irá dilatar o nosso espírito, até alcançarmos a visão sintético-intuitiva da Criação e de Deus.

Três exemplos da manifestação unitária da Lei

1 - O microcosmo é igual ao macrocosmo

os sistemas cósmicos e os sistemas atômicos se regem por princípios únicos. As mesmas leis que criam mundos formam o átomo. A natureza de uma individualidade química é a mesma de uma individualidade astronômica.

2 - O ciclo da substância é o mesmo em toda manifestação fenomênica - 

o respiro do Universo, os dois ciclos complementares, estão presentes em tudo que conhecemos. A substância tem uma forma única de se manifestar, em qualquer nível em que se apresente. Seja na matéria - o núcleo positivo e camada eletrônica negativa, seja na energia – duas fases inversas e complementares, seja no mundo biológico – macho e fêmea ou na personalidade humana - também composta de fases complementares e opostas.

3 – O homem é também uma unidade -  

cópia da unidade universal, formada de matéria, energia e espírito. O mesmo princípio que forma e rege o Universo forma e rege a nossa própria natureza.

Unidade de conceito – expressão máxima do monismo universal

Unidade de conceitos é a mais evidente expressão do monismo universal. Os mesmos princípios universais e idênticos se manifestam, sempre, modificando apenas o seu nível de ação: 

por exemplo, temos gravitação no nível gama, simpatia no nível beta e amor no nível alfa, como manifestações de um mesmo princípio ou lei de atração, que vincula tudo que existe, unindo os seres da Criação. 

Sustenta todo o organismo cósmico, nutrindo-o em um sistema de trocas, tanto na fase matéria, quanto na energia ou na consciência.

Comentário

Como viemos de uma unidade, todos somos irmãos, feitos da mesma substância divina, e o menor dos seres da Criação tem o mesmo valor do maior. Qualquer ato de maldade contra qualquer deles é ato de maldade contra Deus, e contra nós mesmos, razão pela qual o mal sempre se volta sobre quem o pratica. Isso pode nos tornar melhores moralmente.




16/03/2015



10. 
ESTUDO DA FASE MATÉRIA

      A DESINTEGRAÇÃO ATÔMICA






Vimos que a respiração de



é sem limites de espaço, sem princípio nem fim. Foi essa imensa respiração do universo, cujo princípio enunciamos, que agora observaremos analiticamente, sobretudo em sua pulsação de retorno,




que vosso mundo está vivendo. Começaremos por gama , a fase matéria, de maior condensação da substância, a fim de atingir a fase beta, energia.



Examinaremos posteriormente o período 





o que mais vos interessa, pois compreende o trajeto de vossas vidas, cujo objetivo e meta é a reconstrução da consciência e a libertação do princípio a, o espírito. Para a, essa suprema realidade do espírito, quero conduzir-vos, não mais pelos caminhos da fé, mas pelas sendas da ciência. 

Deus, compreendido como Espírito, alfa, é o ponto de partida e de chegada do transformismo fenomênico, é a meta do ser. Depois das descobertas da desintegração do átomo, inexaurível fonte de energia, e de transformação da individualidade química pela explosão atômica, a descoberta da realidade do espírito é a maior descoberta “científica” que vos aguarda e revolucionará o mundo, iniciando uma nova era.



Chegareis, disse-vos, a produzir energia por desintegração atômica, ou seja, a transformar matéria em energia.Conseguireis penetrar com vossa vontade na individualidade atômica, produzindo alterações em seu sistema. Mas lembrai-vos: 

o triunfo não será apenas o de um método indutivo e experimental, nem trará somente repercussões de ordem material; tampouco significará só vantagens imediatas e práticas, mas será grande problema filosófico que resolvereis e que orientará de maneira totalmente nova vosso espírito científico. 

Até agora, a humanidade viveu num mundo de matéria. Tínheis o vosso referencial de imobilidade.




Terra autem in aeternum stabit, quia terra autem in aeternum stat






(“A terra, porém, estará parada eternamente, porque a terra está eternamente parada”). A verdade tinha que ser um absoluto. Com a nova civilização mundial que está por surgir, a humanidade viverá agora num mundo dinâmico.




Vossa nova matéria — o ponto sólido em que baseareis vossas construções materiais e conceptuais — será a energia. Vosso elemento será o movimento, e sabereis encontrar nele o próprio equilíbrio estável, que até agora não sabíeis encontrar senão na forma menos evoluída, a matéria. 

No campo do pensamento, também a verdade será um movimento, um relativo que evolui, uma verdade progressiva, e não o ponto fixo e inerte do absoluto; é a trajetória do ponto que avança, um conceito muito mais vasto e proporcional ao novo grau de progresso que será atingido por vosso pensamento.





Ao enfrentar o problema da desintegração atômica, tende presente outro fato. Ao assaltardes o íntimo equilíbrio do sistema atômico para alterá-lo, vós vos encontrareis diante de uma individuação da matéria fortemente estabilizada durante incontáveis períodos de evolução. 

Viveis num ponto relativamente velho do universo e vossa Terra representa o período gama, não no início, em sua primeira condensação, ainda próxima da energia, mas no fim, ou seja, no princípio de sua fase oposta, a desagregação, o regresso a beta. Estais, assim, diante da matéria que opõe o máximo da resistência, porque está no grau máximo de estabilidade e coesão. 




Os incomensuráveis períodos de tempo que a trouxeram à sua atual individuação atômica, representam um impulso imenso, uma invencível vontade de continuar existindo na forma adquirida, por um princípio universal de inércia que, na Lei, impõe a continuação de trajetórias iniciadas, constituindo a garantia de estabilidade das formas e dos fenômenos. 

Lembrai-vos de que estais querendo violar uma individuação da Lei, a qual sempre se manifesta por individuações inconfundíveis, que assumem a mais enérgica e decidida vontade de não deixar-se alterar. Para alcançardes êxito, não violeis a Lei, segui-a. Seguindo a corrente, ser-vos-á fácil o caminho.



Em vossa fase de evolução, a Lei vos abre o caminho, através da passagem 



, e não de

Em outras palavras, o problema da desintegração atômica é solúvel para vós, não nas formas mais longínquas e menos acessíveis da condensação das nebulosas, mas naquelas da desintegração das substâncias radioativas. Os raios alfa e os raios beta e todos os

fenômenos relativos ao rádio e aos corpos radioativos, já os tendes espontaneamente debaixo dos olhos. O estudo que faremos da série estequiogenética vos dará um conceito mais exato de tudo isto.


Os raios alfa e os raios beta e todos 
os fenômenos relativos ao rádio e aos
corpos radioativos

Comentários de Gilson Freire.

A meta da evolução

A evolução caminha da matéria ao espírito. O desenvolvimento do espírito é o objetivo desta caminhada. Esta é a fase em que vivemos e que nos interessa conhecer, a fase de retorno da substância, de reconstrução da consciência. 

É para alfa, essa suprema realidade do espírito, que quero conduzir-vos, não mais pelos caminhos da fé, mas pelas sendas da ciência”.
 
O espírito é a maior realidade da vida, embora nos pareça tão irreal. Na plenitude do espírito encontraremos Deus.

A maior descoberta de todos os tempos

No presente estamos descobrindo como extrair a energia da matéria (desintegração atômica, bomba nuclear). Logo a descoberta do espírito será a maior façanha científica de todos os séculos e revolucionará o mundo.

Novo ponto de apoio: a energia

A desintegração da matéria nos conduziu à energia, sua base. Com isso, nossa referência, que era a matéria, se perdeu e nosso novo ponto de apoio passou a ser a energia. Mas como esta é movimento, descobrimos que vivemos num mundo dinâmico, onde tudo é relativo, e perdemos nossos pontos fixos na Terra. 

A verdade deixou de ser absoluta, o mundo concreto se desfez em ondas e irradiações, a única realidade da existência. Eis o dinamismo do mundo moderno, com sua constante agitação, onde o equilíbrio somente se consegue com o movimento. A verdade tornou-se progressiva e perdeu seu caráter absolutista.

A matéria opõe resistência a sua superação

Vivemos um período de esgotamento da matéria, onde esta se encontra envelhecida, caminhando para a desintegração (radioatividade). Estando no máximo de condensação e de aparente estabilidade, a matéria impõe assim a máxima resistência à sua penetração (Lei da inércia).

Devemos seguir a Lei

“Para alcançardes êxito, não violeis a Lei, segui-a”. Como vivemos a passagem da matéria à energia, esta é a fase que a Lei nos favorece e não a contrária, ou seja da energia à matéria. Como também vivemos o despertar do espírito, a Lei nos favorece este caminho e não o oposto, de investimentos na matéria.